Mais notícias...

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Mais notícias...

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Compartilhe:
Autocuidado é determinante para a qualidade de vida, explica a advogada Priscila Arraes

DIA DO AUTOCUIDADO

Seis sinais de que o seu trabalho pode estar te adoecendo

No Dia Internacional do Autocuidado (24/7), a reflexão vai além das práticas pessoais. Descansar, alimentar-se bem, praticar atividade física ou reservar momentos de lazer são atividades fundamentais para preservar o equilíbrio físico e emocional. Mas elas deixam de ser suficientes quando o cotidiano profissional se transforma em uma fonte constante de estresse, sobrecarga e adoecimento. 

Na prática, essas medidas não conseguem compensar jornadas marcadas por metas inalcançáveis, excesso de cobranças, desrespeito aos horários de descanso ou uma cultura que valoriza o sacrifício permanente. O verdadeiro cuidado começa quando se reconhece que o problema nem sempre está na falta de organização pessoal, mas nas condições em que a atividade profissional é exercida. 

Essa realidade aparece de forma cada vez mais evidente, especialmente entre as mulheres. Pesquisa da Todas Group, consultoria especializada em equidade de gênero e liderança feminina, e da Nexus, empresa de inteligência de dados, revelou que 71% das entrevistadas abriram mão da saúde física ou de hobbies para crescer profissionalmente, enquanto 52% disseram ter deixado os cuidados com a saúde mental em segundo plano pelo mesmo motivo. 

Ao mesmo tempo, levantamento realizado pela PiniOn, empresa de pesquisa de mercado especializada em comportamento do consumidor, mostra que 61% dos brasileiros sentem pressão para manter uma vida equilibrada, sensação ainda mais presente entre mulheres e jovens adultos de 18 a 34 anos. 

Para a advogada trabalhista e previdenciária Priscila Arraes, autora de Burnout tem lei, esse cenário revela uma contradição cada vez mais comum: as pessoas são incentivadas a buscar qualidade de vida, mas continuam inseridas em contextos profissionais que dificultam justamente essa procura. 

“É importante adotar práticas que preservem o equilíbrio físico e emocional, mas elas não podem ser tratadas como uma solução individual para problemas que são estruturais. Quando o exercício da profissão adoece, a responsabilidade não pode recair apenas sobre quem executa suas funções. A legislação também impõe ao empregador o dever de oferecer condições adequadas para preservar a integridade física e psicológica de seus profissionais”, explica. 

Veja 6 sinais para identificar se o seu contexto profissional favorece o bem-estar ou está contribuindo para o adoecimento: 

O descanso precisa ser realmente respeitado 

O primeiro sinal de uma cultura organizacional equilibrada não está apenas na carga de atividades, mas na forma como o empregador trata os momentos de pausa. Horários de descanso, férias, folgas e o direito à desconexão precisam ser respeitados. Se responder mensagens fora do expediente virou regra, e não exceção, talvez o problema não seja sua dificuldade em relaxar, mas um modelo de gestão que não permite isso. 

Repare se as cobranças são compatíveis com a realidade 

Toda atividade profissional envolve metas e responsabilidades. O problema começa quando os objetivos deixam de ser alcançáveis e passam a exigir disponibilidade permanente, jornadas excessivas ou produtividade incompatível com os recursos oferecidos. Organizações equilibradas desafiam seus profissionais sem transformar a pressão em método de gestão. 

Avalie como os erros são tratados 

Locais que valorizam as pessoas reconhecem que falhas fazem parte do processo e investem em orientação, desenvolvimento e melhoria contínua. Já culturas tóxicas costumam recorrer à humilhação, ao medo e à exposição pública como forma de cobrança. Quando exercer a profissão significa viver em estado constante de tensão, é preciso acender um sinal de alerta. 

Sentir culpa por estabelecer limites não é normal 

Muitas pessoas acreditam que dizer “não”, fazer pausas ou usar férias demonstra falta de comprometimento. Essa percepção nem sempre nasce do profissional, mas de culturas organizacionais que romantizam o excesso e fazem do sacrifício um requisito para o reconhecimento. Aprender a estabelecer limites não é falta de dedicação, mas uma necessidade para preservar o próprio equilíbrio. 

Entenda que o esgotamento não é uma falha pessoal 

Quando surgem cansaço constante, dificuldade de concentração, alterações no sono, ansiedade ou perda de motivação, é comum concluir que basta ser mais resistente. No entanto, o organismo responde às condições às quais está submetido. Em muitos casos, o esgotamento é consequência de um contexto profissional adoecedor, e não da falta de capacidade individual. 

Garantir condições adequadas também é dever do empregador 

A legislação trabalhista brasileira estabelece que cabe ao empregador adotar medidas para garantir condições seguras e adequadas para o exercício das atividades. Isso inclui prevenir riscos que afetam não apenas a integridade física, mas também os fatores psicossociais, como excesso de demandas, jornadas prolongadas, gestão por constrangimento e outras situações capazes de provocar sofrimento emocional. Promover qualidade de vida no ambiente corporativo não é apenas uma boa prática: também é uma obrigação legal. 

Reconhecer os próprios limites, entender que o sofrimento relacionado à atividade profissional não deve ser naturalizado e lembrar que produtividade sustentável só existe quando carreira, descanso e qualidade de vida conseguem coexistir de forma equilibrada são passos essenciais para um autocuidado efetivo.  

Fonte: Assessoria

Compartilhe: