Eles estão escondidos sob a sombra da exclusão social. Dividem as noites com as estrelas. Caminham de mãos dadas com a incerteza quanto ao que comer e vestir. Passam despercebidos. Cidadãos privados da cidadania.
As pessoas em situação de rua são o público-alvo de um trabalho desenvolvido em Paranavaí pelo Colegiado de Serviço Social da Universidade Estadual do Paraná (Unespar). A pesquisa consiste em reconhecer aspectos individuais dessa população e, a partir das informações, constituir bases para a elaboração de política públicas.
Neste ano, professores e acadêmicos promoverão o segundo Censo Pop Rua, um levantamento para identificar quem são as pessoas em situação de rua e apontar características como sexo, idade, existência ou não de vínculo familiar, renda, local de pernoite e fonte de alimentação.
O lançamento do projeto de pesquisa será no dia 19 de agosto, às 8h30, no Centro de Conferências Professora Luzia Bana, no campus da Unespar, durante o Segundo Encontro Municipal do Pop Rua de Paranavaí, que terá como tema “Ruas visíveis”.

Foto: Arquivo DN
O evento contará com a participação de profissionais da rede de proteção e serviços, representantes de movimentos sociais e comunidade. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pela internet, através do QR Code a seguir, basta apontar a câmera do celular para o código e acessar o link que aparece na tela.
De acordo com a professora Marília Gonçalves Dal Bello, do Colegiado de Serviço Social da Unespar, a ideia é atualizar os dados captados em 2024, em ação semelhante desenvolvida em parceria com o Ministério Público, a Secretaria de Assistência Social e o curso de Psicologia da Unifatecie.
Na ocasião, entrevistaram aproximadamente 40 pessoas e apontaram como condições comuns a pobreza extrema, a fragilização ou a perda de vínculos familiares e o uso de moradias irregulares – casas abandonadas, barracas, marquises.
Marília Gonçalves Dal Bello explica que a pesquisa é um dos tripés da universidade, ao lado do ensino e da extensão. Nesse sentido, a inserção de acadêmicos em projetos dessa natureza é essencial para fortalecer a atuação da instituição interna e externamente.
Tão importante quanto a formação dos estudantes, prossegue a professora, é mobilizar a sociedade e abrir os olhos de moradores e autoridades para as dificuldades vivenciadas todos os dias por quem está em condição de rua. “Precisamos enfrentar preconceitos.”
A expectativa é que o censo deste ano seja feito entre outubro e novembro.




