Estava eu trabalhando como de costume, há trinta e três anos, no momento de renovação das rematrículas, no Colégio em que atuava, para o Curso Técnico de Enfermagem, de uma aluna do semestre anterior para o atual. Até aí tudo bem, tudo corria muito bem. Estava solicitando os códigos de matrículas via aplicativo de matrículas e os alunos recebendo e me retransmitindo as respostas para que eu pudesse fazer as matrículas.
Até este momento tudo corria bem até que, em uma das chamadas para solicitar o código, enviei mensagem de um aplicativo de conversação, para uma aluna chamada, Roberta Marcolino da Silva. Tranquilo, a mensagem foi identificada como enviada, porém, quando adicionei o contato da aluna na listagem de alunos, do grupo da sala, eis que me surge uma foto de um homem. Por ser uma ação comum neste aplicativo, as pessoas colocarem as fotos de namorados, cônjuges, filhos, família ou pets, que também são membros da família agora, deduzi que se tratava de uma destas situações.
O dia foi passando e a resposta a minha mensagem de solicitação não chegava. Por fim, no cair da tarde, eis que chega uma mensagem de voz. Não costumamos receber ou enviar ligações deste aplicativo, entretanto mensagens de voz ouvimos, quando não pedimos a transcrição dela. Abri a mensagem e coloquei na viva voz: “Boa Tarde, aqui é o Alberto, ex-marido da Roberta. Quem quer falar com ela?…”, a mensagem até este momento fora tranquila. Embora tenha me identificado no início da mensagem, quando enviei a primeira. Talvez por um lapso, ou levado por algum outro motivo escuso a mim, ele indagou quem era o remetente da mensagem. Prontamente respondi do que se tratava, e qual a intenção da mensagem. Os ânimos acalmados, ele me responde: “a Roberta é minha ex-mulher. Não somos amis casados não. Mas se você quiser eu passo o número dela.” Um tanto quanto receoso, agradeci e aceitei o contato para que pudesse realizar a ação a mim incumbida pela Chefia da Secretaria Escolar do Colégio. Anotei o número repassado e imediatamente adicionei à agenda do aparelho telefônico. Pronto. Estava tudo certo, era só enviar a mensagem. E assim o fiz. Na minha mensagem enviada à Roberta, que agora era o contato correto, expliquei que se tratava de uma solicitação de envio de um código de letras e números, necessários para que eu pudesse realizar a rematrícula dela, como aluna do Curso Técnico para o semestre letivo seguinte.
A resposta chegou no dia seguinte, e na dúvida, reenviei a mensagem ao Aberto perguntando se ele havia, por acaso recebido a mensagem, visto que no cadastro de Roberta estava o contato dele.
A resposta dele veio antes da dela, enviada na tarde anterior. “Não, não veio nenhuma mensagem aqui na minha caixa de mensagens ‘sms’, não.” Intrigado eu estava, e mais intrigado fiquei – queimando meus neurônios imaginando o que poderia ter acontecido. Roberta me responde: “Oi. Quem é?” Mensagem até um pouco tímida, uma vez que, estava claro que ela não sabia do que se tratava. Não sei se eu que sou muito observador, ou as pessoas, que não leem as mensagens e, na resposta de uma pergunta, respondem com outro questionamento. Pacientemente respondi novamente, de quem se tratava, qual era a intenção da mensagem, e que havia tomado seu contato com seu ex-marido, Alberto.
Para minha surpresa, e agora meditando no cúmulo da absurda coincidência, Roberto me responde calma e sonoramente, não ser ela a pessoa que eu estava tentando contato. Que ela até admirava a profissão, porém que tinha pavor de agulhas, e que Enfermagem seria a última profissão que ela tentaria. Exatamente assim que fiquei, boquiaberto. Não era possível, tamanha coincidência. Alguma coisa estava errada ali. Fui então no contato do ex. “Alberto, por acaso, você adquiriu este chip de aparelho celular recentemente? – prontamente e muito educado me respondeu: “Não!”
Naquele instante um imensurável nó deu-se na minha mente. O que o universo estava querendo me mostrar com aquela coincidência? Nossa aluna, a ex-esposa do contato que ela havia dado na matrícula, para que pudéssemos contactar quando necessário, o que estava acontecendo naquele instante.
Retornei à mensagem do ex, Alberto, agradeci pela atenção e me desculpei pelo transtorno. Na mensagem de Roberta, a homônima, agradeci e repeti que tudo não havia passado de uma grande coincidência, e que tentaria entrar em contato, com a nossa aluna, a real Roberta, não a da coincidência.
Estou aqui ainda contando meus “botões”, fazendo um cálculo aritmético, na minha cabeça a fim de entender o sinal ou recado do Universo, para este cúmulo da coincidência.
Seja lá qual for a resposta, o sinal ou o aviso que estão tentando me dar, sei que está no caminho, porque dizem que o raio não cai duas vezes no mesmo lugar. Neste caso não foi o raio que caiu sobre mim, mas sim duas Robertas.
Que a vida siga, pois ainda tenho mais matrículas para fazer e outros contatos a buscar.
Próxima…
*André Maciel de Oliveira é professor, membro da Academia de Letras e Artes de Paranavaí – Alap
(email: [email protected]/ Cadeira 19 ALAP)




