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Estudo reforça que avaliações ambientais da cana-de-açúcar precisam considerar a realidade dos sistemas produtivos brasileiros Foto: Nilza Patricia Ramos

MEIO AMBIENTE

Estudo propõe novo método para calcular estoques de carbono na cana-de-açúcar

Pesquisa propõe um fator específico para a cultura brasileira, capaz de calcular o carbono armazenado com base na produtividade agrícola

Um estudo publicado pela Embrapa e colaboradores na revista GCB Bioenergy desenvolveu um método mais preciso para estimar os estoques de carbono na biomassa da cana-de-açúcar no Brasil. A pesquisa propõe um fator específico para a cultura brasileira, capaz de calcular o carbono armazenado com base na produtividade agrícola e considerar diferenças regionais, temporais e de manejo, contribuindo para avaliações mais precisas do papel da bioenergia na mitigação das mudanças climáticas.

De acordo com Thayse Hernandes, bolsista da Embrapa Meio Ambiente, a proposta responde a uma limitação importante: valores padrão (default) usados em avaliações internacionais podem não refletir a diversidade brasileira de solos, clima, sistemas de manejo e produtividade.  “Ao incorporar dados nacionais, a metodologia reduz incertezas em estudos de mudança direta do uso da terra, conhecida pela sigla DLUC, e oferece base técnica mais robusta para inventários de gases de efeito estufa, avaliações de ciclo de vida e políticas públicas”, exploca Hernandes.

Novo fator reduz incertezas

Para chegar ao novo indicador, explica Nilza Patrícia Ramos, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente, foi realizada uma revisão da literatura científica sobre parâmetros de biomassa da cana-de-açúcar no Brasil. O principal resultado foi a definição do CFSUG, fator de carbono da biomassa da cana, estimado em 0,133, com incerteza relativamente baixa.

“O fator permite estimar o estoque de carbono ao multiplicá-lo pela produtividade da cultura, captando diferenças entre municípios, safras e regiões produtoras. Com base na média de produtividade de dez anos, o estudo estimou o estoque nacional de carbono na biomassa superior ao valor de referência do IPCC e com incerteza menor”, destaca Ramos.

Aplicações para inventários e políticas climáticas

Ao aplicar o novo fator às mudanças diretas do uso da terra associadas à cana-de-açúcar entre 2000 e 2019, os pesquisadores observaram balanço negativo de CO₂, indicando remoção líquida de carbono. A média estimada foi de aproximadamente -4,8 milhões de toneladas de CO₂ por ano, com faixa de incerteza entre -9,1 e -0,5 milhões de toneladas anuais.

Com o fator proposto, 62% dos municípios produtores de cana apresentaram remoção de carbono, proporção superior à observada em estudos anteriores que usavam valores padrão. A diferença reforça a importância de dados regionalizados para evitar superestimações ou subestimações dos efeitos ambientais da expansão da cultura.

Os benefícios climáticos da bioenergia dependem de uma contabilização adequada das emissões e remoções relacionadas à produção agrícola. Por isso, os autores recomendam o uso do CFSUG em cálculos de balanço de CO₂ associados à DLUC, especialmente em inventários de gases de efeito estufa, estudos de avaliação do ciclo de vida, programas de certificação de biocombustíveis e políticas de descarbonização.

Dados nacionais fortalecem decisões

Além dos inventários nacionais, as novas estimativas podem apoiar decisões de empresas, produtores rurais, certificadoras e formuladores de políticas públicas. Como o fator proposto é aplicado diretamente à produtividade, a metodologia é flexível e pode ser atualizada conforme novas informações de manejo e produção se tornem disponíveis.

O estudo reforça que avaliações ambientais da cana-de-açúcar precisam considerar a realidade dos sistemas produtivos brasileiros. Ao substituir estimativas amplas por parâmetros ajustados ao contexto nacional, o trabalho melhora a compreensão sobre o papel da cultura na bioeconomia e na transição energética.

Embora voltada ao Brasil, a abordagem pode inspirar metodologias semelhantes em outros países produtores de biomassa para energia. Com dados mais representativos, torna-se possível avaliar de forma mais equilibrada os impactos da cana-de-açúcar sobre o clima, reconhecer situações de remoção líquida de carbono e orientar decisões mais consistentes para a transição energética.

Fonte: Da Assessoria de Imprensa/Embrapa

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