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Fellipe Rabelo é especialista em finanças e investimentos, com cerca de 20 anos de atuação, com formação em Administração de Empresas, MBA em Ciência de Dados e MBA em negócios e finanças em andamento nos Estados Unidos, além de certificações do mercado financeiro brasileiro e ligadas à FINRA. Acompanha os mercados brasileiro e americano, com foco em macroeconomia, câmbio e alocação de ativos, traduzindo cenários econômicos em orientações práticas sob a ótica da educação financeira Foto: Divulgação

ELEIÇÕES 2026

O que fazer com o seu dinheiro antes da votação de outubro?

Com a proximidade das eleições presidenciais de outubro, o investidor brasileiro enfrenta uma dúvida clássica: é hora de congelar os investimentos, mudar tudo de lugar ou continuar aplicando? No segundo semestre de 2026, a resposta para essa pergunta ganhou um peso extra. Especialistas alertam que o período eleitoral deste ano exige uma estratégia diferente dos anteriores porque as ferramentas econômicas que protegeram o país no passado mudaram, e a regra de ouro para proteger o bolso agora cabe em uma palavra: defesa.

Para Fellipe Rabelo, especialista em finanças e sócio-cofundador da V2R Capital, o erro de muitos brasileiros é tentar “adivinhar” quem vai ganhar a eleição para só então decidir o que fazer com o dinheiro.

“A volatilidade não decorre do processo democrático em si, mas da incerteza institucional que ele carrega. O mercado financeiro é, em essência, um mecanismo de precificação do futuro; quando o futuro comporta cenários diametralmente opostos, de continuidade a ruptura do arcabouço fiscal, os preços oscilam com violência proporcional à distância entre esses mundos”, explica Rabelo.

Por que 2026 exige mais cuidado?

Diferentemente de outros anos eleitorais, o Brasil chega a 2026 com menos “colchões” de proteção. Em 2002, o país surfou o superciclo de commodities; em 2014, a dívida era menor; em 2018, o mundo nadava em liquidez; e em 2022, houve um choque positivo no pós-pandemia. Agora, o cenário é de exaustão simultânea dessas defesas, o que se reflete em números frios:

•Dívida Pública em alta: A dívida bruta do governo atingiu 81,1% do PIB pelo critério do Banco Central, e chega a 94,3% pelo critério do FMI. O déficit nominal (que inclui a conta de juros) alcançou 9,62% do PIB.

• Crescimento e Inflação: O mercado projeta crescimento do PIB de 1,99% para o ano. Já a inflação (IPCA) deve encerrar 2026 em 5,30%, ficando acima da meta de 3,0%.

• A “Super Selic”: Para conter os preços, o Banco Central mantém o juro básico (Selic) projetado em 14% ao fim do ano. Descontada a inflação, o juro real brasileiro supera os 8% ao ano, figurando entre os mais altos do mundo.

Além disso, o cenário externo não ajuda. Os juros americanos seguem elevados, drenando investimentos dos países emergentes, e o câmbio projetado a R$ 5,20 para o fim do ano reflete a busca persistente por proteção em moeda forte. Nesse ambiente, o custo do erro para o investidor é alto.

O guia do investidor: o que fazer na prática?

Para quem busca segurança e quer blindar o patrimônio contra o “efeito manchete” das pesquisas eleitorais, o especialista da V2R Capital aponta os caminhos práticos para a carteira:

1. Aproveite a carona dos juros altos na Renda Fixa

Com a Selic projetada em 14%, a renda fixa pós-fixada (indexada ao CDI) oferece um retorno excepcional com risco mínimo de oscilação de preços. Para prazos mais longos, títulos atrelados à inflação (IPCA+) garantem o ganho real, protegendo o seu poder de compra.

O momento exige cautela com títulos prefixados longos (que podem desvalorizar se as taxas de juros subirem ainda mais por desconfiança fiscal) e com o crédito privado de menor qualidade, já que os juros altos asfixiam empresas muito endividadas.

2. Proteção Geográfica e Cambial (dólar)

Manter todo o patrimônio investido apenas no risco Brasil é considerado um risco não compensado. O dólar funciona como o principal protetor (hedge) da carteira, pois tende a subir justamente quando os ativos brasileiros caem em momentos de estresse doméstico. Investimentos no exterior, como títulos do tesouro americano (Treasuries) e ações globais, dão acesso a mercados que reduzem a correlação do seu bolso com a política local.

3. Renda Variável com foco defensivo

A Bolsa de Valores sofre o duplo golpe da fuga de capitais para o exterior e da concorrência com uma renda fixa que paga 14%. Para quem quer ter ações, a estratégia precisa ser totalmente defensiva. O foco deve ser em empresas exportadoras (beneficiadas pelo dólar alto), companhias de baixo endividamento e setores resilientes com receitas corrigidas pela inflação, como os de utilidade pública (utilities) e saneamento.

Os erros de comportamento mais comuns

A economia comportamental mostra que o maior perigo em anos eleitorais não está na escolha errada de um investimento, mas, sim, nas decisões tomadas sob pânico.

Outro erro clássico é a paralisia: acumular caixa em excesso e deixar o dinheiro parado esperando “a poeira baixar”, abrindo mão de um rendimento seguro de 14% ao ano. Tentar adivinhar a hora exata de entrar ou sair do mercado (timing) é estatisticamente falho.

“A recomendação final é que uma alocação estratégica bem definida não precisa ser alterada a cada pesquisa eleitoral. O rebalanceamento periódico força o investidor a agir de forma contracíclica, vendendo na euforia e comprando no pânico. As urnas de outubro definirão o próximo presidente. Não deveriam definir a próxima década do seu patrimônio”, afirma Fellipe Rabelo.

Fonte: Assessoria

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