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Médica-veterinária Ana Paula Fonseca, da clínica Ponto do Pet Foto: Ivan Fuquini
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PETS

Leucemia Viral Felina: doença silenciosa exige prevenção e acompanhamento veterinário

Quem convive com gatos provavelmente já ouviu falar da Leucemia Viral Felina (FeLV), uma das doenças infecciosas mais importantes da medicina veterinária. Apesar de ainda gerar dúvidas entre muitos tutores, a enfermidade pode ser controlada quando diagnosticada precocemente, permitindo que muitos felinos tenham uma vida longa e com qualidade.

A FeLV é causada por um retrovírus que afeta exclusivamente os gatos. Segundo a médica-veterinária Ana Paula Fonseca, da clínica Ponto do Pet, um dos principais desafios da doença é justamente sua evolução silenciosa.

“A Leucemia Viral Felina é uma doença infecciosa causada por um retrovírus que afeta exclusivamente os gatos. Ela compromete principalmente o sistema imunológico, tornando o animal mais suscetível a infecções, anemias e alguns tipos de câncer. A preocupação está no fato de que a doença pode permanecer silenciosa por meses ou até anos, dificultando o diagnóstico precoce.”

Como acontece a transmissão?

Ao contrário do que muita gente imagina, o vírus não é transmitido apenas por mordidas durante brigas. A principal forma de contágio ocorre pela convivência próxima entre gatos.

O compartilhamento de potes de água e comida, caixas de areia, lambeduras mútuas e o contato com saliva, secreções nasais, urina, fezes e até leite materno são as principais formas de transmissão. O contato rápido entre dois gatos costuma oferecer um risco menor, mas quando existe convivência diária com um animal positivo, a possibilidade de infecção aumenta consideravelmente.

Sintomas podem demorar a aparecer

Outro fator que preocupa os veterinários é que muitos gatos infectados permanecem aparentemente saudáveis durante meses ou até anos. Quando os primeiros sinais aparecem, costumam ser bastante inespecíficos, como perda de apetite, emagrecimento, apatia, febres recorrentes, anemia, aumento dos linfonodos e infecções frequentes que demoram para melhorar.

Por isso, Ana Paula explica que qualquer alteração persistente merece investigação. “Como os sintomas podem ser confundidos com diversas outras doenças, é fundamental que o tutor procure atendimento veterinário sempre que perceber mudanças no comportamento, no apetite ou no estado geral do gato.”

FeLV afeta exclusivamente os gatos Foto: Ivan Fuquini

Existe tratamento?

Embora a FeLV ainda não tenha cura, o diagnóstico positivo não significa que o animal terá uma vida curta. O tratamento é voltado para controlar as doenças secundárias provocadas pelo vírus, fortalecer o organismo e proporcionar bem-estar ao paciente. Alimentação de qualidade, ambiente seguro e acompanhamento veterinário periódico fazem toda a diferença na evolução da doença.

“Muitos gatos positivos conseguem viver por anos quando recebem os cuidados adequados. O objetivo do tratamento é controlar as complicações e garantir qualidade de vida”, destaca a veterinária.

Testagem e vacinação fazem toda a diferença

A recomendação é que todos os gatos sejam testados para FeLV, principalmente antes de serem introduzidos em uma casa onde já existam outros felinos. O exame também é indicado para animais recém-adotados, filhotes, gatos que têm acesso à rua ou que apresentem sinais compatíveis com a doença.

Após o resultado negativo, a vacinação passa a ser uma importante aliada da prevenção. Segundo Ana Paula, a vacina reduz significativamente o risco de infecção, mas não possui efeito em animais que já estejam contaminados. Por isso, a realização do teste antes do início do protocolo vacinal é indispensável.

Depois do diagnóstico, algumas mudanças na rotina ajudam a preservar a saúde do animal. O ideal é que o gato permaneça exclusivamente dentro de casa, evitando contato com felinos negativos e diminuindo a exposição a outras doenças. Consultas periódicas, alimentação balanceada, controle de parasitas e atenção a qualquer alteração clínica também fazem parte dos cuidados necessários.

Quando há outros gatos na residência, o recomendado é que eles sejam testados e vacinados. Sempre que possível, animais positivos devem conviver apenas com outros gatos também positivos ou permanecer em ambientes separados.

Mito que ainda gera dúvidas

Uma das perguntas mais frequentes entre os tutores é se a Leucemia Viral Felina pode ser transmitida para pessoas ou outros animais domésticos. A resposta é não.

A FeLV é uma doença exclusiva dos felinos e não é considerada uma zoonose, ou seja, não oferece qualquer risco para seres humanos, cães ou outras espécies. Para Ana Paula Fonseca, a informação continua sendo a principal ferramenta para reduzir os casos da doença.

“O diagnóstico de FeLV não deve ser encarado como uma sentença. Com acompanhamento veterinário, vacinação dos animais saudáveis, prevenção e cuidados diários, muitos gatos vivem por bastante tempo com qualidade de vida. O mais importante é realizar os testes, manter a prevenção em dia e procurar ajuda sempre que houver qualquer suspeita.”

Fonte: Cibele Chacon - Da redação

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