Aquela barriguinha mais arredondada ou o corpo mais cheinho podem até parecer sinais de fofura, mas merecem atenção dos tutores. A obesidade em cães e gatos é uma doença que vai muito além da aparência e pode comprometer a saúde, a disposição e a qualidade de vida dos animais, além de reduzir sua expectativa de vida.

O médico-veterinário Marcelo Calixto, da Clínica Ponto do Pet, em Paranavaí, explica que o excesso de gordura corporal pode desencadear processos inflamatórios e favorecer o desenvolvimento de problemas como diabetes, doenças articulares e alterações respiratórias. O animal também pode perder o interesse por brincadeiras, cansar com facilidade e apresentar dificuldade para realizar atividades comuns do dia a dia.
“A obesidade não é apenas uma questão estética: é uma doença que pode comprometer a qualidade de vida e reduzir a expectativa de vida dos animais”, alerta o veterinário.
Por isso, a recomendação é não esperar que o pet apresente sintomas para buscar orientação profissional. A identificação precoce do ganho de peso ajuda a prevenir complicações e torna o processo de controle mais seguro.
Como saber se o pet está acima do peso?
Nem sempre é fácil perceber que um cão ou gato está engordando, principalmente quando a mudança acontece aos poucos. O peso considerado saudável também varia conforme o porte, a raça, a idade, a estrutura óssea e a composição corporal de cada animal.
Na avaliação veterinária, uma das principais ferramentas utilizadas é o Escore de Condição Corporal (ECC), que permite estimar a quantidade de gordura acumulada no organismo. A escala mais comum vai de 1 a 9, sendo que as pontuações entre 4 e 5 geralmente indicam uma condição corporal ideal.
A avaliação considera características que o tutor também pode observar em casa, como a facilidade de sentir as costelas ao toque, a presença de cintura quando o animal é visto de cima e o contorno do abdômen de perfil.

Quando as costelas ficam difíceis de sentir, a cintura desaparece e o corpo passa a apresentar um formato mais arredondado, pode haver excesso de gordura. A redução da disposição para brincar, o cansaço durante os passeios e a dificuldade para saltar ou subir escadas também são sinais de alerta.
Nos gatos, a diminuição das atividades e a dificuldade para realizar a própria higiene merecem atenção. Ainda assim, esses indícios não substituem a avaliação de um profissional.
A balança também tem sua importância, mas não conta toda a história. Dois animais com o mesmo peso podem apresentar condições corporais muito diferentes, dependendo da quantidade de gordura e de massa muscular. Por isso, o veterinário combina a pesagem com o exame físico e o histórico do pet.
A obesidade geralmente está relacionada ao desequilíbrio entre a quantidade de calorias ingeridas e a energia gasta pelo organismo. Quando o animal consome mais do que precisa, o excesso tende a ser armazenado na forma de gordura.
Entre os fatores que contribuem para o problema estão as porções maiores do que o necessário, a oferta frequente de petiscos e comida caseira, a falta de atividade física e a predisposição individual.
Nos gatos, a vida dentro de casa, a disponibilidade constante de alimento e a falta de estímulos para brincar podem favorecer o sedentarismo. Já a castração também merece atenção, porque pode reduzir as necessidades energéticas e alterar o comportamento alimentar.
Quais doenças podem estar relacionadas à obesidade?
O excesso de gordura corporal pode afetar diferentes sistemas do organismo. Entre as complicações associadas estão os problemas articulares, que podem provocar dor e agravar quadros de osteoartrite, além da redução da mobilidade.
A obesidade também está relacionada à resistência à insulina e ao maior risco de diabetes mellitus, especialmente em gatos. Dificuldades respiratórias e menor tolerância ao exercício são outras consequências possíveis, assim como complicações que podem tornar determinados procedimentos anestésicos mais arriscados.
Nos gatos, o ganho excessivo de peso também pode dificultar a higiene, já que o animal pode ter dificuldade para alcançar algumas partes do corpo. A menor movimentação, por sua vez, interfere no bem-estar e na rotina.
Quando o animal já apresenta sobrepeso ou obesidade, a solução não é simplesmente cortar a comida. O emagrecimento precisa ser planejado, gradual e acompanhado por um médico-veterinário, que avaliará o peso atual, a condição corporal, a massa muscular, os hábitos alimentares e possíveis doenças associadas.
O tratamento pode incluir o ajuste das porções, a escolha de uma dieta adequada e a introdução progressiva de atividades físicas. Passeios para cães e brincadeiras que estimulem os gatos a se movimentar ajudam a aumentar o gasto energético, respeitando sempre os limites de cada animal.
O acompanhamento periódico permite avaliar os resultados e ajustar o plano quando necessário. Depois de atingir o peso desejado, a manutenção dos hábitos saudáveis continua sendo fundamental para evitar que os quilos voltem.
A prevenção começa nas pequenas escolhas do dia a dia: oferecer a quantidade adequada de alimento, controlar os petiscos, estimular brincadeiras e passeios e manter as consultas veterinárias em dia.
SERVIÇO
Clínica Veterinária Ponto do Pet
Rua Manoel Ribas, 479 – Paranavaí
WhatsApp: (44) 991491665
Instagram: @clinica_pontodopet















