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José Alencar Furtado na sessão da Câmara de Vereadores que o homenageou em Paranavaí na década de 1990. Na imagem: o repórter Adão Ribeiro e o destacado político. O cinegrafista é Wilson del Passo
Viva Bem

MEMÓRIA

A história de Heitor Alencar Furtado

Heitor nasce para a política em 1977, quando o pai, o deputado federal José Alencar Furtado, tem seu mandato cassado pela ditadura militar. O jovem político morreu tragicamente, vítima de um disparo de arma de fogo em 1982

Milhares de paranavaienses passam todos os dias pela Avenida Deputado Heitor Alencar Furtado. Mas você já se perguntou quem é esse personagem da história do nosso país? Ele morreu em 1982, vítima de um tiro no coração enquanto descansava em um posto de combustíveis. O jovem político retornava de comícios na região Noroeste, em campanha para deputado estadual.

A história do Heitor na política nasce em 1977, quando o pai, deputado federal José Alencar Furtado, tem seu mandato cassado pela ditadura militar. Então, lançou o seu filho Heitor (já advogado), com apenas 21 anos. Heitor se elegeu e assumiu o mandato em 1979 como o mais jovem integrante da Câmara. E mais: consta que se destacou tanto na arte da política que foi vice-líder da bancada do MDB, o grande partido de oposição ao regime da época. Ulisses Guimarães, grande nome da resistência democrática e que presidiu a Assembleia Nacional Constituinte de 1987 a 1988, teria feito fartos elogios à desenvoltura do paranavaiense na tribuna.

Em 1982, o pai Alencar recuperou os direitos políticos e se candidatou a deputado federal. O filho, Heitor, se candidatou a deputado estadual para dar sequência ao seu destino político.

Heitor Alencar Furtado, José Alencar Furtado e Edmar Lima Cordeiro
Foto: Arquivo pessoal de Cordeiro

A tragédia – Na campanha, mais precisamente durante a madrugada do dia 22 de outubro, Heitor e assessores descansavam no pátio de um posto de combustíveis em Mandaguari (perto de Maringá), dentro do veículo em que viajavam. 

O vigilante do posto teria solicitado a presença da Polícia para verificar a situação que, por alguma razão, considerou suspeita. A abordagem mausucedida por parte de um policial acabou em disparo de arma de fogo. O tiro atravessou a lataria do carro e acertou o coração de Heitor, que morreu na hora. O disparo mudou drasticamente a história da política local, com repercussão nacional e internacional.

Mobilização – O sepultamento mobilizou lideranças de todo o País e deixou a população paranavaiense em choque. As duas rádios da época (Paranavaí e Cultura), transmitiram as homenagens em tempo real.  O Cemitério Central de Paranavaí ficou pequeno para acomodar tanta gente. Anos após a despedida, os restos mortais de Heitor foram transferidos para Brasília, onde a família passou a residir.

E quem matou Heitor? Consta que o tiro saiu da arma do policial conhecido como Branquinho. Ele sempre sustentou que o disparou foi acidental. Sua tese prevaleceu em juízo e Branquinho acabou condenado a 8 anos de prisão em 1984 por homicídio culposo. Há poucas informações disponíveis sobre o policial, mas consta que já teria falecido (e também de forma violenta). 

O assassinato de Heitor foi de grande repercussão pelo momento tenso da política brasileira. O Brasil tentava sair da ditadura iniciada em 1964 e que se estendeu até 1985. 

Avenida Heitor Alencar Furtado é homenagem ao jovem político que morreu de forma violenta 

E José Alencar furtado? O pai de Heitor se elegeu deputado federal em 1982. Teve uma extensa participação política com ou sem mandato. Faleceu no dia 11 de janeiro de 2021, em Brasília, aos 95 anos.

Fica a história desses dois grandes homens de Paranavaí, eternizada em uma das suas principais vias: Heitor Alencar Furtado. O Diário do Noroeste disponibiliza um vídeo contando essa história. Acesse as redes sociais do DN ou o site.

Nota: Para a elaboração deste texto o Diário do Noroeste recorreu a fontes disponíveis na Internet, memória de paranavaienses e veículos de comunicação social, além do seu próprio acervo.

Fonte: ADÃO RIBEIRO Da Redação

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