O mercado de trabalho formal brasileiro fechou o mês de junho com um saldo de 145 mil novas vagas, o pior resultado para o mês desde 2020, segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) divulgados nesta quarta-feira (29) pelo Ministério do Trabalho e Emprego.
O saldo é o resultado de 2,220 milhões de contratações com carteira assinada e 2,074 milhões de dispensas na mesma modalidade de emprego. A mediana projetada por economistas ouvidos pela Bloomberg era de 115 mil postos de trabalho mantidos em junho.
Com o resultado de junho, o primeiro semestre de 2026 acumula 921,6 mil postos de trabalho criados, abaixo dos 1,2 milhão registrados no mesmo período do ano passado. É também o pior resultado para os primeiros seis meses do ano em seis anos.
O estoque de brasileiros empregados com carteira assinada chegou a 48,032 milhões de pessoas em junho.
A abertura de vagas em junho se soma a uma sequência que agora chega a três meses de saldos positivos, mas em patamares muito baixos. Tanto abril quanto maio e junho tiveram resultados comparáveis à abertura de vagas registrada em 2020, nos primeiros meses de pandemia.
Em maio, foram 72,9 mil postos de trabalho mantidos, e em abril, 85 mil. As 145,1 mil vagas abertas em junho só são melhores do que o resultado em 2020, quando 53 mil postos de trabalho foram encerrados.
O ministro Luiz Marinho, do Trabalho e Emprego, voltou a atribuir o resultado a uma combinação de intempéries causadas por juros altos, os efeitos de guerra do Irã e ameaças de novo tarifaço pelo presidente Donald Trump, dos Estados Unidos. As novas sobretaxas, de 25% e 12,5%, foram confirmadas neste mês.
Para Marinho, entretanto, os números de vagas formais são positivos quando se considera que os choques “mexeram no humor global”. Ainda assim, ele descarta que a trajetória de criação de emprego se inverta e chegue a resultados negativos no decorrer deste ano.
Dos cinco setores considerados na pesquisa do Ministério do Trabalho, o comércio é o único com saldo negativo no primeiro semestre, período em que 3.514 postos de trabalho foram eliminados.
Na agropecuária, o saldo é positivo em 40,8 mil vagas, e na indústria, em 143,4 mil. Também acumulam geração de vagas a construção, com 168,9 mil postos de trabalho, e os serviços, com mais da metade de todos empregos criado de janeiro a junho deste ano, com 571,9 mil colocações.
O setor de serviços também responde por quase metade do saldo positivo do mês de junho, quando 74,5 mil novas vagas foram abertas no segmento. No período, todos os setores abriram mais postos do que fecharam. Na agropecuária, foram mantidas 22,8 mil vagas, no comércio, 19,1 mil, na indústria, 14,4 mil, e na construção, 14,1 mil.
Por estado, o melhor resultado no acumulado do semestre ficou com São Paulo, onde 252,6 mil vagas foram abertas, e o pior, com Alagoas, que fechou 8.200 postos de trabalho.
O salário médio de admissão em junho ficou em R$ 2.404,34, acima dos R$ 2.387,44 do mês de maio. Nos desligamentos, o valor médio foi de R$ 2.507,07, também acima do registrado no mês anterior, quando ficou em R$ 2.477,60.



