Colunista
AUDIÊNCIA com o ministro da Economia, Paulo Guedes, na Câmara Federal, terminou em confusão, pouca defesa da reforma da Previdência por parte dos deputados e reclamação de líderes do centrão. Com a base desarticulada, Guedes enfrentou anteontem na Comissão de Constituição e Justiça a tropa de choque da oposição. O estopim do tumulto, com empurra-empurra entre parlamentares do PT e PSL, foi uma provocação do deputado federal Zeca Dirceu (PT-PR), filho do ex-ministro José Dirceu. Ao questionar o ministro sobre a proposta de reforma, Zeca afirmou que o ministro é tigrão com uns e tchutchuca com outros, sugerindo que Guedes privilegia banqueiros e rentistas. 
MINISTRO se ofendeu e revidou: “Tchutchuca é a mãe, tchutchuca é a avó!”. Depois, pediu respeito. “Eu estou vendo que o senhor é tigrão quando é com os aposentados, com os idosos, com os portadores de necessidades. É tigrão quando é com agricultores, com professores. Mas é tchutchuca quando mexe com a turma mais privilegiada do nosso país. O cargo público que você ocupa exige uma outra postura”, afirmou Dirceu. O deputado foi logo interrompido por aliados do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Ao lado dele estava o secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, que cochichou no ouvido com o presidente da CCJ, Felipe Francischini (PSL-PR). Instaurou-se um caos generalizado no plenário da comissão e, após seis horas e meia de audiência, a sessão foi encerrada antes mesmo que metade dos deputados inscritos conseguissem falar. 
DEPUTADO Éder Mauro (PSD-PA) disparava para Zeca Dirceu: “Vai falar assim na sua casa”. Delegado Waldir (PSL-GO), líder do partido na Casa, disse que iria embora. “Não vou ficar com bandido aqui”. Em meio aos empurrões, o ministro saiu escoltado por parlamentares aliados e foi embora por uma escada lateral do anexo 2 da Câmara. Segundo o deputado petista, a confusão foi uma estratégia do ministro para deixar a audiência. “Ele queria encerrar há tempos, usou isso como desculpa para fugir do debate”, disse. A confusão continuou entre deputados e assessores. A deputada Maria do Rosário (PT-RS) acusou a assessora especial do ministro, Daniella Marques, de agressão.
MINISTRO da Economia, Paulo Guedes, disse que ninguém receberá menos do que um salário mínimo com a reforma da Previdência e que isso está previsto na proposta. “Muita gente não leu e falou coisas que não estão lá”, afirmou. O Brasil gasta dez vezes mais com aposentadorias que com educação, disse o ministro da Economia, Paulo Guedes, ao iniciar sua fala na CCJ da Câmara. Em audiência para discutir a reforma da Previdência, ele disse que o sistema de repartição (onde os trabalhadores da ativa financiam os aposentados) está fadado ao fracasso.
MINISTRO Guedes voltou a defender que a reforma da Previdência resulte em economia mínima de R$ 1 trilhão nos próximos dez anos para financiar a transição para o sistema de capitalização (onde cada trabalhador contribui para a própria aposentadoria). Ele disse que o sistema atual tem um modelo de financiamento perverso – onde 40 milhões de brasileiros estão excluídos do mercado formal – ao se sustentar em tributos que incidem sobre a folha de pagamentos e aumentam os encargos trabalhistas para os empresários. Nesse momento, houve bate-boca quando um parlamentar disse que a capitalização não deu certo no Chile, e Guedes fez um paralelo com a crise econômica e humanitária na Venezuela. Deputados da oposição começaram a gritar. 
NA defesa do fim dos privilégios com a reforma da Previdência apresentada pelo governo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que o Legislativo tem aposentadoria 28 vezes superior em média à do INSS. Em audiência na CCJ, o ministro destacou que a aposentadoria média dos parlamentares é de R$ 28 mil, enquanto a dos trabalhadores que recebem pelo INSS é de R$ 1,4 mil.
QUESTIONADO pelo jornal Estadão sobre o comportamento de Bolsonaro e de seus filhos (Flávio, Eduardo e Carlos) nas redes sociais, o ex-presidente  FHC se disse preocupado com o envolvimento da família no “jogo do poder” porque “leva o sentimento demasiado longe”. E disparou: “Eu acho perigoso. É abusivo, polariza (…). Nós estamos assistindo ao renascimento de uma família imperial de origem plebeia. É curioso isso. Geralmente, na República, as famílias não têm esse peso”. Segundo ele, “Bolsonaro está indo mal por conta própria”.
TRIBUNAL de Contas do Estado demitiu anteontem o servidor comissionado Pablo Granemann, que se tornou réu na Operação Quadro Negro por suposta participação em organização criminosa e repasse de propina ao ex-governador Beto Richa (PSDB). No TCE, Granemann estava lotado no gabinete do conselheiro Fernando Guimarães. Em nota, o Tribunal afirma que a prisão não tem qualquer relação com o cargo ocupado pelo investigado. De acordo com o TC, o comissionado executava tarefas administrativas internas no gabinete, na função de assessor de conselheiro I, em um cargo D.A.S. 5, com salário de R$ 13 mil. Preso na sexta-feira (05), Granemann foi motorista do primo de Beto Richa, Luiz Abi Antoun, que também é réu na ação, mas está no Líbano, alegando problemas de saúde.
SISTEMA de vigilância de estados e municípios e toda a população devem reforçar os cuidados para combater o Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya. O alerta do Ministério da Saúde é devido ao aumento dos casos de dengue no país, que passaram de 62,9 mil nas primeiras 11 semanas de 2018 para 229.064 no mesmo período deste ano (até 16 de março). A incidência, que considera a proporção de casos em relação ao número de habitantes tem taxa de 109,9 casos/100 mil habitantes. O número de óbitos pela doença também teve aumento de 67%, sendo grande parte no estado de São Paulo.
DEPOIS de seguidas declarações de Bolsonaro associando negociações com o Congresso à corrupção e seu embate com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o ex-governador paulista Geraldo Alckmin defendeu o diálogo. “Quanto mais a gente ouve, menos a gente erra. Política não é troca-troca, é o diálogo”, disse depois de encontro com Bolsonaro nesta quinta pela manhã no Palácio Alvorada.
ESTRATÉGIA inicial de usar frentes parlamentares para conseguir apoio no Congresso fracassou e o presidente foi aconselhado a aceitar a distribuição de cargos, informa O Estado de S. Paulo. Em encontro com presidentes dos principais partidos do chamado Centrão, na manhã desta quinta-feira, o presidente Jair Bolsonaro anunciou a intenção de criar uma espécie de conselho político para aproximar o governo com os partidos e o Congresso. Prestes a completar 100 dias de mandato, o presidente se reuniu com dirigentes de 11 partidos para convidá-los a integrar a base de sustentação do governo no Congresso.
 
FRASE: Não importa a situação, nunca deixe suas emoções serem maiores que sua inteligência (Popular).

Deixe comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos necessários são marcados com *.