Colunista
FIM de semana termina com mais agitação nos meios políticos de Brasília, onde o pessoal parece estar alheio aos problemas que afligem o País e só pensam em bagunçar o coreto em defesa própria. Em novo capítulo da crise política, o presidente Jair Bolsonaro e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), protagonizaram mais um embate público, agravando o mal-estar entre o Executivo e o Legislativo. Num contraponto à equipe ministerial e às lideranças do governo, que passaram a quarta (27) tentando arrefecer o clima de incômodo e restaurar canais de diálogo, Bolsonaro voltou a fazer uma provocação a Maia, o que irritou novamente o presidente da Câmara Federal.
Em entrevista à TV Bandeirantes, Bolsonaro disse que Maia foi infeliz ao ter atacado o ministro da Justiça, Sergio Moro, e disse que o deputado está “um pouco abalado com questões pessoais que vêm acontecendo” em sua vida.
ONTEM, para amenizar a discussão, Bolsonaro disse que o embate com Maia é chuva de verão e agora é “página virada”. É o que o Brasil espera. 
POR sua vez o Ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que pode deixar o governo se a reforma da Previdência não for aprovada e for reconhecida uma dívida de R$ 800 bilhões da União com os estados. Apesar disso, ele declarou que não deixará o governo “na primeira derrota”.
COMISSÃO de Legislação Participativa da Câmara aprovou a convocação do ministro da Justiça, Sergio Moro, para que preste esclarecimentos sobre o pacote anticrime enviado ao Congresso Nacional. Diferentemente dos casos anteriores, quando foi convidado, essa é a primeira vez que o ministro é convocado a dar explicações aos deputados. O prazo para seu comparecimento é de até um mês após sua convocação. Ainda não há data definida.
PRESIDENTE Bolsonaro (PSL) foi ao Twitter na noite de quarta-feira (27) para negar que o ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, tenha sido demitido. A saída do ministro, à frente de um ministério paralisado por uma série de crises, demissões e recuos, havia sido divulgada pela jornalista Eliane Catanhêde na Globonews, às 21h20 de quarta, e chegou a ser compartilhada por perfis como o de Fernando Haddad (PT).
BOLSONARO disse ontem que Vélez é novo no assunto e que o ministro não tem tato político. Por isso tem provocado tantas situações delicadas no Ministério.
IBAMA exonerou nesta quinta-feira (28) o servidor do órgão ambiental que multou o então deputado federal Jair Bolsonaro em R$ 10 mil por pescar em área protegida, em 2012. José Olímpio Augusto Morelli ocupava o cargo comissionado de chefe do Centro de Operações Aéreas do Ibama, subordinado à Diretoria de Proteção Ambiental. Ele foi o único dos nove funcionários do mesmo nível hierárquico dessa diretoria a ser exonerado pelo novo governo. Concursado, ele é o fiscal que assina o auto de infração e o relatório do flagrante de Bolsonaro. Morelli também é o autor da foto na qual o então deputado federal aparece de sunga branca sobre o bote inflável, dentro da Esec (Estação Ecológica) de Tamoios, categoria de área protegida que não permite a presença humana, em Angra dos Reis-RJ. A autuação ocorreu em 25 de janeiro de 2012 e desatou a ira de Bolsonaro. Semanas mais tarde ele criticou diretamente Morelli em pronunciamento na Câmara.
ROTEIRO de compromissos que o vice-presidente Hamilton Mourão traçou para sua visita aos EUA na próxima semana incomodou aliados de Jair Bolsonaro. Auxiliares do Planalto avaliam que a agenda, que prevê reunião com o vice-presidente americano, Mike Pence, além de encontros com imigrantes e pensadores de esquerda, reforça a tese de que Mourão quer se firmar como figura mais plural e dissonante do governo, provocando ciumeira geral no Planalto Central do Brasil.
INCORPORAÇÃO do Partido Republicano Progressista (PRP) ao Patriota (Patri) foi aprovada ontem pelo TSE. Ficou decidido que a legenda não usará sigla, conforme solicitado nos autos, e será identificada apenas como Patriota.
Os dois partidos não superaram a cláusula de barreira nas eleições do ano passado à Câmara Federal. 
JUIZ federal Nivaldo Brunoni, da 23ª Vara Federal de Curitiba, condenou  quarta-feira (27) dois ex-servidores (mulher e marido) da Prefeitura de Curitiba por desvio de R$ 2,1 milhões do Fundo Municipal de Saúde entre 2004 e 2009. O ex-governador Beto Richa (PSDB) foi réu no processo por suposto uso ilegal de verba da saúde, entre 2006 e 2008 – época em que o tucano exercia o cargo de prefeito de Curitiba, mas foi inocentado pelo própria Procuradoria Regional da República da 4ª Região, que declarou no processo não haver “nenhum indício de prova de que o paciente (Beto Richa) teve ingerência, direta ou indireta, na posterior administração dos recursos, o que torna a denúncia criminal contra ele inepta”. 
DIANTE da bagunça política que se observa em Brasília, líderes acham que a reforma da Previdência já está em segundo plano. A questão agora é de “governabilidade”, palavra assustadora para quem vivenciou as quedas de Collor e Dilma. Segundo a tese, antes é preciso saber se o País é ou não governável, ou seja, se o Planalto tem força para aprovar projetos banais como a criação de datas comemorativas nas Casas. Um ex-ministro e ex-líder no Congresso acha que não. A gestão Bolsonaro segue rumo ao precipício e ignora placas de perigo, observa ele, segundo o jornal O Estadão.
ÍNDICE de confiança do consumidor, da Fundação Getúlio Vargas, em março, recuou 5,1 pontos em relação a fevereiro: de 96,1 para 91,0 pontos. O menor valor desde outubro de 2018. Com isso, o índice acumulou perda de 5,6 pontos nos dois últimos meses, 42% da alta acumulada entre setembro de 2018 e janeiro de 2019.
SALDO de empregos gerados pelos pequenos negócios em fevereiro representou 72,3% do total de vagas abertas no país, revela o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). No Paraná, a força das pequenas empresas também foi forte, e responderam por mais da metade das novas vagas criadas naquele mês. O Estado, segundo o Caged, gerou 18,2 mil novas vagas e, destas, 9.962 foram criadas pelos pequenos negócios. Esse número coloca o Paraná entre os cinco estados que mais criaram vagas de trabalho por meio dos pequenos negócios, atrás apenas de São Paulo – que foi o estado brasileiro em que as micro e pequenas empresas mais geraram empregos em fevereiro: 41,3 mil empregos – seguido por Minas Gerais (16,4 mil), Santa Catarina (10,8 mil) e Rio Grande do Sul (10,1 mil). 
PARA o presidente do Sebrae, João Henrique de Almeida Sousa, “esses empreendedores são o negócio do futuro. Os pequenos negócios geram emprego, dão resultado e transformam a realidade nas comunidades onde estão inseridos e no país como um todo, com renda e oportunidade”. As micro e pequenas empresas já acumulam no primeiro bimestre deste ano um saldo de 189,5 mil vagas, 14% acima do mesmo período do ano passado e quase 17 vezes mais que o saldo acumulado pelas médias e grandes corporações nos primeiros dois meses deste ano.
FRASE: Eu não sei de nada, mas desconfio de muita coisa (Guimarães Rosa)

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