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Por Coletivo LGBTI+ de Paranavaí*
 
Sempre ouvimos por aí: “Mas precisa mostrar?”. E a resposta é simples. Precisa, sim. Sem ressalvas, sem limites. Apenas ser. E ser feliz.
O Brasil é o país que mais mata lésbicas, gays, travestis, transexuais, transgêneros e intersexuais. Uma morte a cada 19 horas. Só em 2018 foram 420 vítimas fatais, conforme levantamento feito pelo Grupo Gay Bahia, que monitora casos de violência contra LGBTIs em todo o país.
Estamos falando de crimes motivados pela não aceitação, pela intolerância, pelo ódio. Estamos falando de manifestações cruéis do desprezo pela vida, por aquilo que é diferente, aquilo que não conseguem entender e aceitar.
Fazem com que nos sintamos envergonhados. Ficamos presos a conceitos maniqueístas e distorcidos de certo e errado. Acorrentados e trancafiados entre muros de normatividade erguidos por aqueles que se proclamam detentores da moral e da verdade incontestáveis. 
Subjugam em nome do que consideram ordem natural. Marginalizam, excluem, apagam. E quando nada disso é suficiente, perseguem, violentam, exterminam.
Ser LGBTI é viver cercado pelo medo. A todo momento, há dedos apontados, palavras afiadas, punhos lançados vorazmente contra os corpos inadequados. E vem daí a incerteza sobre o próximo dia, a próxima hora, o próximo minuto, o próximo passo.
Nesse cenário torpe e vil, a realidade de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, transgêneros e intersexuais é marcada pela resistência. Precisamos nos revestir de força para seguir em frente. Lutamos incessantemente contra a estrutura avassaladora que determina quem pode ou não existir.
Cada dia vencido é uma razão a mais para comemorar. Cada momento de sobrevivência revigora o espírito e motiva a continuar. É isso que nos faz sentir orgulho. Orgulho por estarmos vivos, apesar dos percalços. Orgulho por perseverarmos, apesar da violência diluída e pulverizada em toda a sociedade.
Neste 28 de junho, comemoramos o Dia do Orgulho LGBTI. Uma data marcada pelo levante daqueles que, sendo lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais ou transgêneros, decidiram dar um basta à opressão. Um momento icônico na história de luta por direitos e igualdade. 
No dia 28 de junho de 1969, a comunidade LGBTI de Nova Iorque respondeu à violência do Estado. Em um bar chamado Stonewall Inn, as pessoas reagiram à repressão – constante – e mostraram que, tanto quanto quaisquer outros cidadãos, mereciam e merecem respeito.
A revolta de Stonewall inspirou grupos por todo o mundo. E continua inspirando. Continua mostrando que o orgulho de sermos quem somos é nossa maneira mais genuína de gritar para os quatro cantos: “Estamos aqui. Somos felizes. E nada vai nos impedir”. O orgulho é nossa força.
*O Coletivo LGBTI+ de Paranavaí é um grupo formado por voluntários que estruturam estratégias de acolhimento e apoio a lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, transgêneros e intersexuais

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