Cotidiano
Para lembrar a importância de discutir a violência contra a mulher, o estado do Paraná oficializou o dia 22 de julho como o Dia de Combate ao Feminicídio. A data foi instituída pelo Governo do Estado por meio de um projeto de lei. Além do poder público, a iniciativa privada também tem se mobilizado para contribuir com a redução dos números de feminicídio no estado.
As advogadas Lizandra Assis e Thaise Mattar Assad percorreram nos últimos meses os canteiros de obras de Curitiba para conscientizar trabalhadores da construção civil para o combate à violência contra a mulher. Elas foram convidadas pela MRV para uma série de palestras nas obras da empresa na cidade, numa campanha local da construtora com seus funcionários.
Durante uma hora, os canteiros pararam para discutir temas como feminicídio e machismo. A plateia, formada por homens e mulheres, pôde tirar dúvidas sobre a legislação que protege as vítimas de violência doméstica. Também foram distribuídos panfletos que orientam sobre como identificar diferentes formas de violência: sexual, física, psicológica e patrimonial.
As ações percorreram seis obras e o setor administrativos da empresa em Curitiba ao longo de maio, junho e julho. “A iniciativa da empresa é muito interessante, por levar esse tema para um ambiente que ainda é majoritariamente masculino”, comentou a advogada Thaise Mattar Assad. “Estamos muito acostumadas a falar com as mulheres sobre esse assunto. Mas precisamos começar a trazer os homens para essa discussão também, para que façam parte dessa transformação na sociedade”.
A advogada Lizandra Assis se surpreendeu com a participação dos funcionários, que fizeram várias perguntas ao final da apresentação. “Essa troca é muito importante, porque é por meio da conscientização que podemos prevenir a violência contra a mulher”, afirma.
O pedreiro Marcelo Virgílio, que já presenciou um caso de violência doméstica na família, gostou de ver o tema sendo discutido pelos colegas de trabalho. “É um primeiro passo para mudar a situação, porque a sociedade ainda é muito machista. Mas a mulher hoje tem direitos que não tinha no passado. A mudança está acontecendo”, comentou.
FEMINICÍDIO NO PARANÁ – Durante o ano passado, a Justiça paranaense recebeu 131 denúncias de feminicídio – termo que identifica os homicídios motivados por questões relacionadas ao gênero.  Desde 2015, quando a Lei do Feminicídio entrou em vigor, o Paraná soma 551 processos judiciais contra agressores.

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