Cotidiano
Depois de atingir as plantações do Amazonas, Pará, Bahia e mais recentemente do Paraná, o couro de sapo, uma doença com alto potencial de destruição, chegou às lavouras de Mato Grosso do Sul. A informação é do gerente comercial de fécula e frios da Copasul (Cooperativa Agrícola Sul Matogrossense), Jaime Oliveira Macedo, membro do conselho técnico econômico da Associação Brasileira de Produtores de Amido de Mandioca (ABAM). Segundo ele, a doença preocupa e por isso, a cooperativa tem procurado especialistas, especialmente da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), para avaliar a melhor forma de enfrentar a doença.
Macedo diz que há indícios de que a doença pode ter alguma correlação com a mosca branca, uma praga que preocupa pela sua capacidade de atuar como transmissor de vírus patogênicos. Ele informa que, por enquanto, apenas uma variedade vem apresentando a doença.
O conselheiro da ABAM teme que a doença se alastre porque o produtor ainda não tem consciência da gravidade da doença. Ele avalia que o setor só vai priorizar o assunto quando “começaram a perder dinheiro”.
De acordo com Clayton Simão Zebalho, engenheiro agrônomo da Copasul, a variedade que vem se mostrando mais suscetível ao Couro de Sapo é a IAC 15, a que se mostra mais adequada para onde a terra é mais fraca. A presença da doença vem reduzindo a concentração de amido em cerca de 25%. “Mas a literatura fala que pode chegar a 30% facilmente”, diz o agrônomo.
Ele conta que a presença do couro de sapo já chegou a reduzir a remuneração ao produtor em até 10%. Isto porque a doença, além de reduzir a produtividade ainda derruba a qualidade da raiz. “Não produz uma fécula boa. É de qualidade B, como classificamos”, acrescenta ele.
A doença apareceu em 10% de uma área de pouco mais de 400 hectares e as manivas que deram origem à esta lavoura são oriundas da região de Icaraíma, PR. “Por enquanto, a orientação que temos é de não usar as manivas desta lavoura para as futuras plantações”, finaliza Zebalho.
EMBRAPA – Chefe-adjunto de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Embrapa Mandioca e Fruticultura, o agrônomo Francisco Ferraz Laranjeira Barbosa, doutor em fitopatologia pela USP, confirma que a doença foi confirmada nas lavouras do Paraná através de análises laboratoriais. Mas diz que a situação ainda é muito incipiente e não há dados científicos para comprovar a extensão da doença. “Não há levantamento técnico ainda”, diz ele.
Ele reforça que a doença só é percebida na hora da colheita, uma vez que não apresenta sintomas na parte aérea da planta e cita que, por enquanto, a única recomendação é que as ramas das lavouras contaminadas sejam desprezas e não utilizadas para formação de novas lavouras. “Sabemos que a transmissão acontece pelas manivas”, diz ele.
Questionado sobre a possibilidade de a contaminação estar sendo feita pela Mosca Branca, conforme desconfiam os sul-mato-grossenses, Laranjeira diz que por enquanto não há nenhum estudo oficial que confirme esta desconfiança. “Não passa de rumores, pelo menos, por enquanto”, informa o pesquisador. Acrescenta que, como a disseminação está sendo de forma lenta, isto pode afastar a possibilidade de o inseto ser o transmissor da doença. “Mas tudo depende de estudos científicos”, diz ele
Ele informa que o resultado positivo de laboratório nos exemplares de mandioca na região de Paranavaí, darão início agora a um novo trabalho para definir protocolos para controlar e evitar a disseminação do Couro de Sapo. “A doença é relativamente nova, mesmo nos estados do Norte e Nordeste. Os primeiros casos surgiram em 2014. Investigações ainda estão em andamento”, relata Laranjeira.
O pesquisador da Embrapa reforça que os produtores devem tomar cuidado para que ramas contaminadas não tenham contato com material sadio. As plantadeiras por onde passaram ramas doentes também devem ser descontaminadas.
A ABAM deve solicitar formalmente à Embrapa que investigue a possibilidade de a Mosca Branca ser o agente transmissor da doença e, ainda, notificar os órgãos de defesa sanitária vegetal para atuar a fim de evitar a proliferação do couro de sapo.

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