Cotidiano
REINALDO SILVA
Se Inajá tivesse 100 mil habitantes, o número de pessoas com dengue passaria de 1.500. A proporção indica epidemia e revela a necessidade de ações eficazes de combate ao Aedes aegypti, mosquito que transmite o vírus causador da doença. De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), são 50 casos positivos desde 28 de julho até 2 de novembro deste ano.
Outro município do Noroeste do Paraná em estado epidêmico é Santa Isabel do Ivaí, onde foram confirmados 50 casos. Proporcionalmente, a incidência de positivos chega a 511 para 100 mil habitantes. Em São Carlos do Ivaí, o estado é de alerta, pois os registros de pacientes com dengue já somam 16 – uma proporção de 234 para 100 mil habitantes.
De acordo com a 14ª Regional de Saúde, uma série de fatores contribui para o avanço da dengue no Noroeste do Paraná. Entre os principais problemas está a falta de limpeza adequada em galerias e bocas de lobo. A avaliação é que em muitos municípios os gestores não estão realizando as ações que deveriam, favorecendo a proliferação do mosquito.
As medidas de combate também foram prejudicadas pela falta do inseticida específico para matar o Aedes aegypti adulto. A situação se arrasta desde o primeiro semestre deste ano, e o Ministério da Saúde, responsável por comprar e enviar o veneno para os municípios, alegou que houve problemas nos lotes adquiridos. Assim, não é possível impedir a circulação viral.
Somam-se os maus hábitos da população: descarte irregular de lixo em terrenos baldios e fundos de vale, falta de limpeza nos quintais e acúmulo de objetos e entulhos em espaços inadequados são alguns exemplos. Varrer folhas e outros resíduos para dentro das bocas de lobo é mais uma atitude que dificulta a eliminação do vírus da dengue.
INAJÁ – A secretária municipal de Saúde de Inajá, Laisa Catarine Silva, informou que tem trabalhado para identificar os principais problemas e tomar as medidas para resolvê-los. Paralelamente, as equipes de controle de endemias atuam com a conscientização dos moradores, levando orientações e estimulando a adoção de práticas de prevenção e combate.
Na próxima semana, os servidores farão palestras nas escolas de Inajá e distribuirão panfletos para mostrar como agir dentro e fora de casa. “As crianças ajudam a disseminar informações, tornam-se agentes multiplicadores. E cobram boas atitudes dos familiares”, destacou Laisa. 
NOROESTE – A alta incidência de casos positivos de dengue de Inajá empurra o Noroeste do Paraná para o topo da lista entre as regiões do estado: é onde está o maior número de confirmações, 206. Para se ter uma ideia, a região de Londrina tem 146 registros de pacientes com a doença e a região de Maringá, 142.
PARANÁ – Segundo o boletim semanal da Sesa, o estado soma 8.311 casos notificados de dengue no período de 28 de julho a 2 de novembro. Desse total, 925 foram confirmados. Além de Inajá e Santa Isabel do Ivaí, três municípios enfrentam epidemia, a saber, Nova Cantu, Quinta do Sol e Uniflor.

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