Cotidiano

O ex-governador Jaime Lerner, que faleceu nesta quinta-feira (27) aos 83 anos, deixou um legado cultural no Paraná, além das realizações no urbanismo de Curitiba e do Estado. O governador Carlos Massa Ratinho Junior decretou luto oficial de três dias.

“Recebi com imensa tristeza a notícia da morte de Jaime Lerner, que com talento e sensibilidade nos ajudou a amar cada canto de Curitiba. Seu legado permanecerá para as gerações futuras. Agradeço a oportunidade de conviver com sua filha Ilana, a quem desejo força neste momento. Estendemos o pesar a toda a família e admiradores do nosso querido Lerner”, disse a superintendente-geral de Cultura, Luciana Casagrande Pereira.

Ilana Lerner, sua filha, é diretora da Biblioteca Pública do Paraná, uma das instituições que mantêm o acervo e estimulam a produção cultural do Estado.

Lerner deixou um legado na transformação da paisagem urbana de Curitiba com a preservação e valorização da história e da cultura locais. Em seu último mandato como governador do Paraná (1999-2002), idealizou a construção do Museu Oscar Niemeyer, inaugurado oficialmente no dia 22 de novembro de 2002. O Museu do Olho, como ficou conhecido não só no País, mas também no Exterior, se transformou em um símbolo de Curitiba e um dos locais mais visitados da Capital por turistas e pela população local.

A instituição abriga referenciais importantes da produção artística nacional e internacional nas áreas de artes visuais, arquitetura e design. O acervo conta com aproximadamente 7 mil peças, abrigadas em um espaço superior a 35 mil metros quadrados de área construída, sendo 17 mil deles de área para exposições, o que torna o MON o maior museu de arte da América Latina.

Em sua gestão como prefeito, diversos casarões do Centro Histórico foram restaurados e transformados em galerias de arte, livrarias, cafés e lojas, nos moldes do que havia de mais moderno no mundo. Pequenos cinemas, a Casa da Memória e a tradicional feirinha de artesanato do Largo da Ordem também fizeram parte dessa ação.

Lerner transformou o Teatro Paiol, em Curitiba, em espaço cultural. A construção do lugar data de 1874, originalmente um paiol de pólvora, mas somente a partir de 1972 passou a ser um dos pontos mais queridos pela cena da Cultura na cidade: intimista, o Teatro comporta pouco mais de 200 pessoas, tem formato de arena romana e por ali já passaram centenas de nomes emblemáticos da cultura local, nacional e internacional, como Gonzaguinha, Hermeto Pascoal, Elza Soares, entre tantos outros.

O arquiteto ainda assina outros legados que transformaram profundamente a paisagem, a identidade urbana e as gerações que nasceram ou viveram em Curitiba desde a década de 1970. Os destaques são a Ópera de Arame, a UNILIVRE, a Rua 24 Horas, o Jardim Botânico e o Museu Botânico, e os parques São Lourenço, Tingui e Tanguá.

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