Cotidiano
A Polícia Civil do Paraná (PCPR) orientou 60 profissionais da imprensa para o trabalho em área de conflito armado, esse ano, na Capital. Dividido em três edições, o curso teórico e prático tem o objetivo de oferecer instrumentos de segurança durante a prática jornalística de cobertura policial. Na sexta-feira (26), os últimos 18 participantes concluíram o treinamento de 13 horas nas dependências da Escola Superior de Polícia Civil (ESPC) e do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope).
O curso de orientação à imprensa em áreas de conflito armado alcançou profissionais de diversos meios de comunicação e envolveu diversas disciplinas: noções básicas sobre procedimentos policiais em locais de crime, atendimento pré-hospitalar de combate, instrução de tiro, táticas operacionais. Foram treinamentos intensos que iniciaram em junho, quando foram realizadas duas edições do curso inédito na história da PCPR.
A repórter da Tribuna do Paraná, Gisele Ulbrich, avaliou positivamente a iniciativa. “É nada menos do que excelente, sobretudo pelo estreitamento dos laços entre imprensa e Polícia Civil, pois é muito importante um conhecer o trabalho do outro”, afirmou. A profissional destaca ainda a oportunidade de conhecer a estrutura da Polícia Civil e as práticas em local de crime. “Agora podemos interpretar e olhar de forma técnica os crimes, para poder escrever um texto correto”, disse.
O repórter da Rede Independência de Comunicação (RIC), Douglas Belan, encara o curso como um aprendizado que irá promover mudanças no dia a dia jornalístico. “Após a formação vamos poder aplicar estes conhecimentos, desde respeitar o isolamento de área de um crime até a abordagem correta de um policial, com mais  conhecimento técnico para não atrapalhar na investigação”, afirmou.

IMPRENSA LIVRE
– “A previsão constitucional de imprensa livre deve ser seguida na prática”, avalia o delegado-geral adjunto da PCPR, Riad Farhat. “As polícias judiciárias no mundo inteiro trabalham sempre com a imprensa livre e no Brasil não é diferente. Esse curso visou aproximar ainda mais essas importantes instituições democráticas para que possa uma compreender mais o trabalho uma da outra e para que a imprensa continue colaborando nas investigações da polícia”, declarou Farhat.
O delegado-geral adjunto afirma que, ao longo da história, a colaboração entre polícia e imprensa é sadia e necessária. “A imprensa é uma instituição que tem muito crédito. Muitas vezes, as testemunhas preferem contar primeiro para a imprensa e depois para a polícia (sobre os crimes) e isso, ao longo da história, vem nos ajudando”, afirmou Farhat. 
Para o policial chefe da assessoria de imprensa da PCPR, João Mario Góes, todos os profissionais terminaram o treinamento com a confirmação de que há mais semelhanças do que diferenças entre o trabalho policial e o jornalístico. “São duas profissões que têm como objetivo a busca da verdade – a Polícia Civil investigando os crimes com suas técnicas e a imprensa investigando vários tipos de situação para poder informar a população sobre a realidade dos fatos”, explicou.
Góes lembra que as ferramentas utilizadas para o exercício das duas profissões também são parecidas na forma. “As duas profissões investigam, entrevistam, fotografam, filmam e escrevem. Assim como o jornalista escreve, o policial civil terá que escrever seu relato, o relato de inquérito e os profissionais viram, ao fazer esse curso, que não estamos de lados opostos. Estamos do mesmo lado, buscando a mesma coisa, ou seja, apurar os fatos para descobrir a verdade”, finalizou o policial, que também é graduado em jornalismo.

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