Cotidiano

Até a tarde de ontem, quase 600 pessoas participavam do abaixo-assinado contra a proposta de calendário apresentada pela Associação Comercial e Empresarial de Paranavaí (Aciap). A manifestação online foi motivada pela “carga horária abusiva”, conforme avaliou um trabalhador que conversou com a equipe do Diário do Noroeste.

Decidimos omitir o nome do comerciário para preservar sua imagem, mas ele disse que a movimentação da categoria será mantida “até que haja um acordo entre a Aciap e os sindicatos para mudar esse calendário, sugerindo aos trabalhadores uma carga horária justa”.

O grupo pede que as sugestões de dias e horários de funcionamento do comércio sejam revistas e refeitas. Os empregados não aceitam, por exemplo, a abertura das lojas nos dias 7 de setembro, das 10 às 14 horas, e 2 de novembro, das 10 às 16 horas. Também demonstram descontentamento com as propostas para dezembro.

A presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Paranavaí (Sindoscom), Leila Vanda Aguiar, disse que foi procurada pelos trabalhadores para apoiar a iniciativa. “Eles não aceitam a proposta. Se a classe está dizendo ‘não’, essa será a posição do sindicato. Quem dá a última palavra é o trabalhador.”

Segundo os cálculos da Aciap, Paranavaí tem aproximadamente 6.000 comerciários. A estimativa do Sindoscom é que sejam 5.000. De qualquer maneira, as quase seis centenas de assinaturas reunidas até a tarde de ontem representavam perto de 10% dos empregados.

O trabalhador que conversou com o DN afirmou que existe a possibilidade de organizar outros protestos, no sentido de pressionar os patrões para que reconsiderem o calendário comercial.

A Aciap se manifestou sobre o assunto pela assessoria de imprensa (veja matéria abaixo). Até o início da noite de ontem, a sugestão de calendário desenvolvida pela entidade estava disponível na internet (www.aciap.com.br).

ACORDO COLETIVO – O calendário comercial é um dos itens descritos na Convenção Coletiva do Trabalho. O acordo formal entre o Sindoscom e o Sindicato do Comércio Varejista de Paranavaí (Sivapar) ainda não foi assinado pelos líderes sindicais, que divergem sobre o valor do reajuste salarial.

Quando apresentou o primeiro rol de reivindicações à entidade patronal, a presidente do Sindoscom pedia 8%. Na ocasião, informou que o índice daria base para as negociações que seguiram, mas o presidente do Sivapar, Edivaldo Cavalcante, declarou que a categoria não poderia conceder aumento. Defendeu o reajuste zero.

Depois disso, Leila Vanda Aguiar reduziu a solicitação, passando para 2,05%, o que representaria R$ 28,79. Mesmo com a mudança, Edivaldo Cavalcante argumentou que a crise econômica agravada pela pandemia de Covid-19 dificultaria o pagamento de salários. Com o aumento, ainda que o índice ficasse em 2,05%, haveria demissões.

A Convenção Coletiva de Trabalho anterior esteve vigente até 31 de maio deste ano. Significa que desde o dia 1º de junho o comércio de Paranavaí segue sem o acordo formal que estabelece os parâmetros para as relações trabalhistas.

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