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Longo período de chuvas aliado a altas temperaturas, descarte irregular de lixo e falta de agentes de saúde em alguns municípios são complicadores

De agosto de 2020 até agora, os municípios do Noroeste do Paraná somam 181 casos de dengue. O número é relativamente baixo se comparado ao período de 28 de julho a 14 de dezembro de 2019, quando a região totalizou 1.189 diagnósticos positivos, e “pode dar a falsa sensação de que está tudo sob controle, mas não está”, sentencia o chefe regional de Vigilância em Saúde, Walter Sordi Junior. As condições atuais indicam que 2021 será marcado por altas taxas de incidência da doença.

O cálculo de incidência leva em conta a proporção entre o número de habitantes e as confirmações de casos. A partir de 300 resultados positivos para cada grupo de 100 mil habitantes, o quadro é considerado como epidemia. Pelo menos três municípios do Noroeste do Paraná alcançaram marcações preocupantes: Santo Antônio do Caiuá, Porto Rico e Santa Cruz de Monte Castelo.

Se Santo Antônio do Caiuá tivesse 100 mil moradores, a incidência de casos chegaria a 263,55. Em Porto Rico, seriam 156,19 pessoas confirmadas. Em Santa Cruz de Monte Castelo, 114,66. Para se ter uma ideia, a taxa média dos 28 municípios do Noroeste do Paraná é de 46,93 casos para cada grupo de 100 mil pessoas.

Neste ciclo epidemiológico iniciado em agosto de 2020, não houve morte em razão das complicações provocadas pela dengue, mas a 14ª Regional de Saúde registrou quatro pacientes com sintomas mais acentuados da doença – dengue com sinal de alarme. Por enquanto, também não foram confirmados casos de dengue grave, quando há problemas pulmonares ou hemorragia, por exemplo.

INFESTAÇÃO – O chefe regional de Vigilância em Saúde afirma que a infestação por Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, está alta. O período de chuvas frequentes ao longo de janeiro deste ano fez aumentar os depósitos de água que podem se tornar focos do vetor.

Pelos parâmetros do Ministério da Saúde, o ideal é que o índice máximo seja de 1%, ou seja, a cada 100 imóveis visitados pelos agentes de saúde, que apenas um tenha focos do Aedes aegypti. No entanto, o primeiro ciclo de levantamento de dados no Noroeste do Paraná mostra que a situação é grave e a maioria das cidades ultrapassou esse percentual. Dos 28 municípios que formam a 14ª Regional de Saúde, 24 estão acima de 1%. “Alguns estão fora de controle”, avalia Sordi Junior.

Querência do Norte tem o quadro mais grave, com índice de infestação de 8,40%. Em Nova Aliança do Ivaí, a cada 100 imóveis visitados pelos agentes de saúde, 7,94 tinham focos do mosquito transmissor da dengue. Em Santo Antônio do Caiuá, a infestação chegou a 6,9%. Alto Paraná atingiu 6,70%. Planaltina do Paraná registrou 5,78%.

PREVENÇÃO E COMBATE – O problema é que há fatores complicadores. Sordi Junior diz que alguns municípios do Noroeste do Paraná estão com as equipes de agentes de saúde desfalcadas. Sem os profissionais atuando diariamente em campo, as ações de prevenção e combate à dengue ficam comprometidas. “Quem vai cuidar da população? Verificar terrenos? Olhar as galerias?”, questiona. É preciso estar nas ruas todos os dias para conhecer o cenário e, a partir da realidade, colocar em prática medidas efetivas.

Sordi Junior destaca que entre as atribuições da Regional de Saúde estão as orientações e as cobranças para que os municípios completem o quadro de agentes de saúde e adotem as devidas estratégias, mas a aplicação cabe aos gestores.

Ao mesmo tempo, é preciso que a população faça sua parte e contribua para reduzir os riscos de uma nova epidemia de dengue no Noroeste do Paraná. Sempre que o lixo é descartado de maneira irregular em terrenos baldios, fundos de vale ou margens de vias públicas, os resíduos podem acumular água e se tornar criadouros do Aedes aegypti.

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