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Segundo Ivo Pierin Júnior, o crescimento será em decorrência do aumento de produtividade com adoção de novas tecnologias

Pierin Junior fala das perspectivas para a produção e a comercialização da produção agropecuária

O presidente do Sindicato Rural de Paranavaí e vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Ivo Pierin Júnior, estima que o agronegócio brasileiro vai continuar crescendo em 2021, como aconteceu ano passado, e o país se consolidará como um dos principais fornecedores de alimentos do mundo. Ele também está otimista em relação ao desempenho do agro regional. “Vamos evoluir muito em termos de produtividade”, projeta.

Para o líder ruralista, em 2021 o agro “continuará tendo grande importância para a economia nacional, como ficou evidente no ano passado. O setor vai continuar a evoluir e crescer ano a ano”, contribuindo para segurar a inflação como ocorreu em 2020.

Pierin avalia que haverá aumento de produção sem necessariamente haver aumento de área. “Nos últimos anos, o crescimento da produção sempre foi em índices maiores que a área ocupada, tornando-se no principal vetor econômico.”

EXPORTAÇÃO – O agronegócio, além de produzir riqueza para o homem do campo, tem efeito dominó sobre a economia, pois inicia um processo que envolve indústrias, gera emprego nas cidades, nos portos, mexendo com toda a cadeia produtiva. “O agro é uma locomotiva que puxa todo o comboio da economia” compara Pierin. “Geramos emprego e buscamos recursos para o país (exportação). O agro passou à margem [dos impactos] da pandemia e deu segurança ao Brasil. [Da produção no campo] quanto nós exportamos? Quanto foi distribuído no mercado interno? Quanto movimentamos o setor de transporte? Quanto foi movimentado no beneficiamento, na distribuição? Além de tudo isso estamos nos consolidando como líder mundial no fornecimento de alimentos”, enfatiza o presidente do Sindicato Rural de Paranavaí.

Pierin acredita que o Brasil vai continuar aumentando as exportações de alimentos, pois “o mercado externo está se voltando para o país”, resultado do trabalho de produtores, pesquisadores e outros atores do agronegócio nos últimos anos. Este crescimento vem acontecendo de forma natural. “De dez anos para cá, as embaixadas do Brasil estão ganhando adidos comerciais voltados para os produtos agrícolas”, aponta ele.

AGRO REGIONAL – O otimismo de Pierin no que se refere ao crescimento se repete em nível regional. Ele acredita que algumas mudanças positivas que ocorreram em 2020 se repetirão este ano. É o caso da pecuária de corte, que teve uma boa valorização no ano passado, depois de um longo período com os preços estabilizados. “Os preços ficaram engessados um bom tempo. Ano passado, reagiram. E além disso, houve um ganho na produtividade. Isto terá um impacto positivo para a região”, avalia ele.

Outra cultura que Pierin calcula que continuará crescendo é a citricultura, que tem forte influência na economia regional. Segundo ele, novas áreas foram plantadas no ano passado, além daquelas que foram renovadas. “Ganhou muita força no passado e uma área plantada considerável. Com o tempo, pomares foram reduzidos. Agora voltou a tendência de crescimento da área plantada”, sublinha ele, acrescentando que a implantação da indústria de suco natural está impulsionando o setor.

Pierin Júnior também comenta sobre a cadeia produtiva da mandioca, que tem um parque industrial em franca evolução. “O setor está apresentando novos produtos e incorporando novas tecnologias”. Ele relata que os avanços estão acontecendo na indústria e também no campo, com o aumento de produtividades com novas variedades com melhor desempenho na indústria.

Ele não vê riscos de redução de área plantada. “Temos condições de manter e ampliar as áreas plantadas de mandioca. Há um processo em andamento no campo de profissionalização e tecnificação. E isto vai resultar em ganhos de produtividade melhorando a lucratividade”, explica.

Também diretor da Associação Brasileira de Produtores de Amido de Mandioca (Abam), Pierin lembra que a região “é a maior produtora da raiz para fins industriais” e tem “uma importância econômica muito grande”. Avalia que os preços da raiz este ano serão “razoáveis”. O líder ruralista ressalta que o setor está se organizando e isto tem reduzido as grandes oscilações de preços dos últimos anos e que inviabilizam o desenvolvimento seguro e sustentável de toda a cadeia produtiva da mandioca.

IRRIGAÇÃO – Ivo Pierin Júnior é um dos fundadores da Associação dos Produtores Irrigantes do Paraná (Apip). A entidade nasceu no início do ano passado após o Governo do Paraná lançar, em setembro de 2019, o Programa Estadual de Irrigação (Irriga Paraná), em atendimento a uma solicitação do Sindicato Rural de Paranavaí.

Ele diz que “a região é rica em água”, na superfície e no subsolo. “Temos rios importantes. Então, a região tem potencial” para aderir a esta tecnologia, que, em algumas culturas e associadas a outros tratos culturais, pode elevar a produtividade em até 400%.

“Toda água utilizada na irrigação é reaproveitada. Depois de jogadas nas plantas, boa parte se infiltra no solo, realimentando as nascentes e outra parte evapora e retorna em chuva. Ou seja, a irrigação não consome, ela utiliza água”, ensina o diretor da Apip.

Pierin defende a construção de barragens para estocar a água da chuva e utilizar em momentos de irregularidades pluviométricas. Cita que, este mês, até o último final de semana, choveu cerca de 400 mm na região. Mas a previsão é que daqui alguns meses a região seja castigada por uma nova estiagem. “Poderíamos usar a água captada da chuva para a irrigação”, sugere.

Ainda sobre a irrigação, Pierin espera que o Governo do Estado consiga este ano colocar em prática o que anunciou quando lançou o Irriga Paraná, especialmente no que se refere à agilização das licenças ambientais. “Com a irrigação vamos aumentar a produtividade e abrir a perspectiva de produzir grãos na região. Seria essencial para fomentar o agronegócio regional”, finaliza ele.

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