ECONOMIA

Procon está acompanhando a situação. Oito dos principais mercados da cidade foram oficiados e têm até sexta-feira para apresentar documentos e notas de compra e venda

Há aproximadamente um mês, o proprietário de um supermercado de Paranavaí pagava R$ 99 pelo fardo com seis pacotes de arroz de cinco quilos. Atualmente, o mesmo item custa R$ 143. A elevação de 44% segue uma tendência nacional e tem deixado os empresários preocupados.

Carlos Eduardo Balliana informa que o Procon está acompanhando a situação

Na tarde de ontem, a equipe do Diário do Noroeste visitou alguns estabelecimentos da cidade e conversou com mercadistas – que preferiram não ser identificados. Eles concordaram que o preço do arroz pode subir novamente. Entre os entrevistados, houve quem falasse até em risco de desabastecimento.

A principal causa apontada pelos empresários é o crescimento nas exportações: com as negociações internacionais em alta, está faltando arroz para suprir a demanda nacional. Em julho deste ano já era possível perceber a construção do cenário, mas a diferença se tornou mais evidente a partir de meados de agosto.

Para se ter uma ideia da progressão, basta acompanhar os valores praticados em um estabelecimento de Paranavaí, considerando uma marca específica de arroz. De 2 de maio a 20 de julho, o pacote de cinco quilos era vendido por R$ 13,99. Passou para R$ 14,90 no dia 21 do mesmo mês. Subiu para R$ 16,99 em 14 de agosto. Ontem, custava R$ 18,49. Assim que o estoque fosse renovado, ultrapassaria R$ 21.

OUTROS ITENS – O arroz não foi o único produto a sentir os efeitos do grande volume de exportação. O preço do óleo de soja, por exemplo, subiu quase 50%. A lista é composta, ainda, por feijão de carnes. De acordo com um mercadista de Paranavaí, a alta no valor dos cortes bovinos empurrou para cima os preços das carnes de porco e de frango.

CONSUMIDORES – Segundo um empresário, os consumidores não deixaram de comprar arroz e outros itens da cesta básica, mas já sentiram o impacto negativo no bolso e estão abrindo mão de produtos supérfluos. Nesse sentido, disse o mercadista, o impacto ainda não foi significativo.

Coordenador do Procon de Paranavaí, Carlos Eduardo Balliana afirmou que está acompanhando a situação. Disse que oito dos principais mercados da cidade foram oficiados e têm até sexta-feira (11) para apresentar documentos e notas de compra e venda. “Queremos saber se tem prática abusiva ou não.”

Se ficar comprovado que o aumento significativo dos preços é resultado de prática abusiva, o estabelecimento poderá ser notificado e multado. No entanto, a possibilidade é remota, já que se trata de um problema nacional que envolve outros agentes dessa cadeia de comercialização.

De qualquer maneira, disse Balliana, a equipe do Procon fará as devidas análises nos documentos enviados pelas empresas, para “dar respostas para o consumidor”, que tem manifestado o descontentamento por telefone, pelas redes sociais e por aplicativos de mensagens.

PESQUISA – No início deste mês, a equipe do Procon realizou pesquisa de preços em oito mercados de Paranavaí, para comparar itens da cesta básica. O levantamento considerou produtos semelhantes, independentemente da marca, e mostrou que a diferença pode chegar a 173,05%, como foi o caso do achocolatado em pó (380g/400g). Pelo menos 13 itens apresentaram variação de até 100%.

O coordenador do Procon informou que a pesquisa é realizada mensalmente e ajuda os consumidores a encontrar os menores valores. Assim, conseguem economizar. Durante o levantamento de dados, ao longo dos quatro, meses, foi possível identificar a elevação gradativa do arroz e de outros produtos, entre os quais o óleo de soja, destacou Balliana.

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