Cotidiano

Os bombeiros militares do Paraná completaram nesta segunda-feira (28) treze dias de operação em campo contra os incêndios do Pantanal, no Centro-Oeste do País. Os 39 integrantes da equipe, sete caminhões-pipa capazes de armazenar seis mil litros de água e sete caminhonetes 4×4 foram enviados pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior para auxiliar estrategicamente as forças de combate às queimadas do Mato Grosso do Sul e da União. As equipes levaram equipamentos como abafadores, enxadas, mochilas e um drone.

Os bombeiros paranaenses estão combatendo incêndios em duas frentes no Mato Grosso do Sul, uma em Costa Rica e Alcinópolis, perto do Parque Nacional das Emas, e uma em Corumbá e na Serra do Amolar, na fronteira com a Bolívia e na divisa com o Mato Grosso. Eles chegaram no dia 16 de setembro nessas bases. Os representantes do Paraná ficarão na região por 15 dias, mas o prazo pode ser prorrogado na próxima segunda-feira (28).

“O Paraná se solidariza com o Mato Grosso do Sul neste momento de queimadas intensas e saúda todos os esforços já realizados pelos nossos bombeiros. O Estado conta com uma estrutura que nos permite ajudar a salvar uma região tão importante e tão bonita do Brasil como é o Pantanal”, destacou Ratinho Junior. “É um momento de solidariedade e união de forças”.

De acordo com o comandante do Corpo de Bombeiros do Paraná, coronel Samuel Prestes, a iniciativa é mais um exemplo de solidariedade do Estado, que também mandou equipes para Brumadinho e para controlar os incêndios da região amazônica, em 2019. “Essa ação mostra integração, solidariedade e também a importância que o Paraná tem no cenário nacional”, ressaltou.

Os bombeiros paranaenses estão participando de operações diárias de combate a focos de incêndio por terra e pelo ar, com apoio de equipamentos de outros estados. As equipes também estão ajudando a resgatar animais silvestres. Um dos símbolos dessa luta foi o salvamento de um filhote de jaguarundi, também conhecido como gato-mourisco, felino que está ameaçado de extinção. Os animais estão sendo levados para UTIs veterinárias móveis.

“Nossas ações já ajudaram o Corpo de Bombeiros do Mato Grosso do Sul em diversas frentes. Na região de Costa Rica e Alcinópolis, por exemplo, impedimos o fogo de ultrapassar um determinado ponto estratégico. Durante todo esse período também contamos com apoio de 150 militares do Exército Brasileiro”, afirmou o tenente-coronel Ezequias de Paula Natal, comandante da operação. “Os caminhões-tanque enviados pelo Paraná ao Mato Grosso do Sul também foram fundamentais nessa estratégia para ter água para reposição rápida”.

DIA A DIA – Os bombeiros paranaenses chegaram no Pantanal no dia 16 e já no dia 17 passaram a compor o efetivo da chamada Operação do Alto Taquari, onde também atuava o Corpo de Bombeiros Militar do Mato Grosso do Sul e o Exército Brasileiro. As equipes da região de Costa Rica foram até o Parque Estadual das Nascentes do Rio Taquari, próximo ao Parque Nacional das Emas, e participaram das primeiras ações preventivas e de combate a diversos focos de incêndios.

Um drone do Corpo de Bombeiros do Paraná ajudou a vistoriar as áreas, permitindo visualização de focos de incêndio na mata fechada, e desde os primeiros instantes no Pantanal eles utilizaram a técnica de ataque de fogo contra fogo, bem difundida pelas forças-tarefas que estão atuando nesse bioma. A operação apenas no primeiro dia durou 16 horas.

No dia 18 foi instalado um centro de comando integrado entre os bombeiros militares do Paraná e do Mato Grosso do Sul. Foram organizados os locais de Posto de Comando, almoxarifado, heliponto e demais estruturas de apoio e realizada uma vistoria na área para subsidiar a execução do planejamento estabelecido. Novamente foi utilizado o drone para visualizar focos do incêndio e foram solicitadas quatro aeronaves Air Tractors para ataques aéreos. Também foi efetuado o resgate de animais silvestres, sendo um filhote de felino e um tatu.

No último fim de semana as equipes continuaram o monitoramento com drones e traçaram uma linha para ataque aéreo e combate direto pelas equipes em campo, com utilização de mochila costal e abafadores, assim como aceiros (criação de barreiras naturais contra incêndios) com apoio do maquinário do Mato Grosso do Sul. Um helicóptero da Polícia Militar de Minas Gerais passou a compor a operação integrada.

Foi feita, ainda, atividade de reconhecimento das áreas de combate e identificada uma “cabeça de fogo” de aproximadamente quatro quilômetros de extensão, e todo efetivo operacional dessa região foi empenhado para combate visando a contenção do avanço das chamas.

PANTANAL – Os incêndios no Pantanal já devastaram 25 mil hectares de mata. Entre 1º de setembro e esta quarta-feira (23), foram registrados 6.048 pontos de queimadas no bioma, segundo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e em 2020 esse número já ultrapassa a marca de 16 mil focos.

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