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Volume de vendas no mercado externo cresceu 2% no primeiro quadrimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2020. China foi um dos principais responsáveis pelo desempenho

No primeiro quadrimestre deste ano, o volume das exportações brasileiras de carne bovina cresceu 2% em comparação com o mesmo período de 2020. No topo da lista de compradores, a China impulsionou o resultado e adquiriu 23% a mais do que no ano passado. A demanda internacional é fator decisivo para os altos custos no mercado interno. Na média paranaense, a arroba do boi de corte passou de R$ 271,12 em janeiro para R$ 297,26 em abril. No dia 14 de maio, chegou a R$ 297,76.

Responsável pela conjuntura agropecuária do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), o médico veterinário Fabio Peixoto Mezzadri explica que “as cotações continuam se elevando, entretanto, em menores índices. Neste momento, com maior tendência à estabilidade”.

Segundo ele, algumas regiões brasileiras apresentaram pequenas quedas no preço da arroba bovina, “fato que deu margem a especulações sobre um movimento de decréscimo”. A grande motivação é a maior oferta de bovinos, mesmo ainda não estando prontos para a venda, pela falta de pastagens, em função da severa estiagem. A necessidade de capitalização dos produtores, principalmente por causa da alta dos insumos, também contribuiu para o aumento no volume de comercialização de animais.

A análise de Mezzadri é que o longo período sem chuvas comprometeu o plantio das forrageiras de inverno (aveia e azevém) no Paraná, atrasando a engorda da boiada dos invernistas, processo que geralmente é concluído no início de outubro. “Caso as chuvas voltem a um regime normal e as pastagens de inverno se desenvolvam, os produtores terão condições de segurar seus rebanhos, com menores custos, fator que deverá contribuir para a manutenção das cotações da arroba em alta.”

Argentina – Na semana passada, o governo argentino anunciou a suspensão das exportações de carne bovina por 30 dias. O objetivo é conter a alta de preços no mercado interno, já que o índice chegou a 65,3% em um ano. A Argentina é o quarto maior exportador mundial do produto, atrás de Brasil, Austrália e Índia.

A decisão tomada no país vizinho não deve ter grande influência sobre o mercado brasileiro, avaliou Mezzadri, por se tratar de um período curto. No entanto, se a medida se estender, o Brasil poderá conquistar novos compradores, “beneficiando consequentemente o Paraná”.

A Argentina tem tradicionais mercados que pagam bem pela carne, destacou o médico veterinário. Numa possível entrada do produto brasileiro nesses espaços, “a tendência é de oferta ainda menor no mercado interno, o que naturalmente elevaria mais os preços. Entretanto a carne bovina no varejo já está em valores limites para o consumidor e não cabem maiores altas”, destacou Mezzadri.

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