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Sindicatos que representam patrões e empregados divergem sobre reajuste salarial, o que impede o avanço das negociações

As entidades sindicais que representam patrões e empegados do comércio de Paranavaí, respectivamente Sivapar e Sindoscom, seguem sem acordo sobre o reajuste salarial. Lojistas defendem índice zero, comerciários pedem 2,05%. Por causa do impasse, a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) ainda não foi homologada.

Leila Vanda Aguiar: “Estão se desdobrando para manter o padrão da empresa, mas não vão receber aumento?”
Fotos: Arquivo DN

O documento define as regras para as relações trabalhistas entre empresários e funcionários. Estipula, por exemplo, a jornada de trabalho, os termos para tirar férias, a remuneração referente a horas extras, entre outros itens. Sem a CCT, vigora a legislação federal, que permite negociações individuais entre patrões e empregados.

A presidente do Sindoscom, Leila Vanda Aguiar, avalia que sem o acordo coletivo os trabalhadores ficam desamparados. Uma das possibilidades apontadas por ela é que o empregador se negue a pagar horas-extras, alegando que já repassa o valor da comissão por venda. A líder sindical garante que recebeu reclamações com esse teor, por isso, orienta que holerites e recibos sejam guardados, para eventuais cobranças judiciais.

Sobre o reajuste salarial, a presidente do Sindoscom reitera que não abre mão dos 2,05%. Considera o índice zero injusto, afinal, itens da cesta básica e outros produtos consumidos diariamente pelos trabalhadores tiveram elevações nos preços. “É justo tudo subir e a classe patronal defender que o funcionário não merece esse aumento?”

Ela destaca que muitos lojistas tiveram de fazer demissões por causa dos reflexos negativos da pandemia de Covid-19 sobre a economia. Assim, as equipes foram reduzidas e os empregados que permaneceram acumularam funções. “Estão se desdobrando para manter o padrão da empresa, mas não vão receber aumento? Isso está errado”, assevera Leila Vanda Aguiar.

Edivaldo Cavalcante: “Ano que vem, se as coisas melhorarem, isso vai ser compensado, como sempre foi”

PATRÕES – Presidente do Sivapar, Edivaldo Cavalcante faz o contraponto. Afirma que os lojistas enfrentam dificuldades para pagar as despesas mensais e manter o quadro de funcionários. O reajuste salarial, neste momento, seria impraticável. “Se onerar a folha de pagamento, corre o risco de fechar.”

Cavalcante contesta a afirmação de que o reajuste representaria pouco mais de R$ 28 por mês para cada funcionário. Considerando impostos, férias e 13º salário, seriam mais de R$ 72, diz o presidente do Sivapar. A diferença, argumenta, pesaria no orçamento e poderia resultar em demissões. “Hoje, o patronal está preocupado com a manutenção dos empregos.”

O representante da classe patronal declara que entende o esforço de cada trabalhador e reconhece que “em geral, merece muito mais”. No entanto, o momento é desfavorável. “Ano que vem, se as coisas melhorarem, isso vai ser compensado, como sempre foi em anos anteriores, quando o país estava com a sua economia se consolidando.”

NEGOCIAÇÕES – A relutância de ambas as partes impede que as negociações para a Convenção Coletiva de Trabalho avancem. A presidente do Sindoscom diz que está pronta para as conversas. O presidente do Sivapar também. Eles têm conversado extraoficialmente, por mensagens, mas ainda não se reuniram para definir o documento.

As negociações acontecem anualmente, e a CCT tem validade de 1º de junho até 31 de maio do ano seguinte. Significa que com a falta de acordo entre os líderes sindicais patrões e empregados estão desde o dia 1º de junho deste ano sem as diretrizes locais para as relações trabalhistas.

CALENDÁRIO – Anteriormente, as duas categorias divergiam sobre as datas e os horários de funcionamento das lojas. A classe patronal chegou a propor um calendário comercial que incluída expediente em domingos e feriados, por exemplo, nos dias 7 de setembro e 2 de novembro.

Os trabalhadores não aceitaram a jornada e protestaram: organizaram abaixo-assinados (virtual e físico) e fizeram carreata pelas ruas de Paranavaí. Depois disso, os lojistas definiram o calendário comercial vigente atualmente, entendendo que seria benéfico para as duas partes – patrões e empregados. O novo modelo foi aprovado pelos comerciários.

A informação pode ser vista integralmente no site da Associação Comercial e Empresarial de Paranavaí (Aciap – www.aciapparanavai.com.br). O calendário já não inclui expediente no dia 2 de novembro, aponta horário diferenciado nos dias 26, 27 e 28 de novembro, por causa da Black Friday, e estipula o início do funcionamento estendido para as vendas de Natal, a partir de 7 de dezembro.

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