Cotidiano

Nos dois últimos dias, a cidade bateu recordes de confirmações de Covid-19 e viu o número de atendimentos na UBS Central crescer vertiginosamente na comparação com um mês atrás

Publicado ontem o Decreto Municipal 22.419/2001 estabelece algumas mudanças nas regras de funcionamento para comércio e serviços. O texto apresenta flexibilizações em relação às determinações do Governo do Estado, vigentes desde segunda-feira (17) e válidas até 31 de maio. As alterações foram endossadas pelo Comitê de Operação Emergencial (COE), que se reúne semanalmente para avaliar o quadro da pandemia de Covid-19 e, a partir dos números, adequar as medidas de segurança sanitária.

O documento assinado pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior no início da semana limita o funcionamento de bares, lanchonetes, panificadoras e restaurantes. Podem abrir para o público de segunda-feira a sábado das 10h às 22h, desde que haja limitação da capacidade em 50%, ficando proibido o atendimento presencial aos domingos. Em Paranavaí, o decreto municipal amplia o horário: de segunda-feira a sábado das 5h às 22h e aos domingos até 20h. Em todos os casos, os serviços de entrega estão liberados sem restrições.

Pelo decreto estadual, atividades consideradas não essenciais, por exemplo, lojas comerciais e shopping centers, não podem abrir aos domingos. Em nível municipal, conforme o documento publicado ontem, shopping centers têm permissão para funcionar aos domingos, sendo obrigatória a paralisação até 20h. Nos demais dias da semana, esses estabelecimentos podem abrir das 5h às 22h, de acordo com as regras das convenções coletivas, com limitação de 50% da ocupação.

O procurador jurídico do município, Benjamin Marçal Costa, afirmou que as medidas foram definidas em consonância com as avaliações da Secretaria Municipal de Saúde. As diferenças em comparação com o decreto estadual são explicadas pelo fato de Paranavaí não ter “a mesma realidade que cidades de grande porte”, como é o caso de Curitiba, Londrina e Maringá, citou. Ele fez questão de enfatizar que o cenário voltará a ser avaliado pelo COE na próxima terça-feira e se for necessário aplicar novas mudanças, assim será feito.

Costa informou que haverá maior rigor nas fiscalizações para garantir o cumprimento das medidas de contenção da pandemia de Covid-19, especialmente nos estabelecimentos que oferecem maior risco de contágio. As forças de segurança serão acionadas e comporão, junto com os servidores municipais, as Ações Integradas de Fiscalização Urbana (Aifus).

AVANÇO DA PANDEMIA – Se as decisões do COE são baseadas no cenário da pandemia de Covid-19, é preciso considerar que Paranavaí vive uma explosão de casos da doença. Na quarta-feira (19), a Vigilância em Saúde registrou recorde de diagnósticos positivos em 24 horas, chegando a 160. Até o fechamento desta edição, o boletim ainda não havia sido atualizado pela Administração Municipal.

A diretora da Vigilância em Saúde de Paranavaí, Keila Stelato, apontou números que confirmam a subida da curva de contágio e as dificuldades do sistema de saúde. No dia 19 de abril, foram feitos 78 atendimentos na UBS Centro, ponto de referência para casos suspeitos e confirmados de Covid-19. Um mês depois, em 19 de maio, a equipe atendeu 215 pacientes. Ontem, o Hospital de Campanha e a Unidade de Pronto Atendimento (UPA 24 horas) estavam lotados. Ontem, por volta das 11h, a equipe do Diário do Noroeste esteve na UBS Centro e comprovou a situação. Naquele momento, pelo menos 60 pessoas aguardavam atendimento na área externa do prédio.

Keila Stelato chamou a atenção para a mudança no quadro de contágio. Antes, os idosos eram maioria entre os pacientes positivados. Agora, as pessoas que estão na faixa etária economicamente ativa representam a maior parte das confirmações. Além disso, aumentou o volume de novos casos entre crianças e adolescentes. “90% não estão na escola”, disse a diretora da Vigilância em Saúde, alertando que estão sendo contaminadas em casa.

O fato de o público jovem estar mais exposto ao coronavírus preocupou o procurador jurídico do município. Benjamin Marçal Costa falou sobre o risco que essa parcela da população assume ao contrair o vírus na rua, em situações que poderiam ser evitadas, e levar a doença para dentro de casa. “Estão contaminando os mais velhos.”

SANTA CASA – Referência para atendimento de pacientes do Noroeste do Paraná com Covid-19 ou sob suspeita, a Santa Casa de Paranavaí conta com 20 leitos exclusivos de UTI e 10 de Enfermaria para o Sistema Único de Saúde (SUS). Ontem, as taxas de ocupação chegaram a 90% e 80%, respectivamente. Somando também os pacientes com convênios, eram 36 internações, sendo 34 pessoas positivadas e duas aguardando resultados de exames.

No período de 24 horas entre quarta e quinta-feira, a Santa Casa teve oito internamentos: três homens e uma mulher de Paranavaí, um homem de Itaúna do Sul, uma mulher de Campo Mourão, um homem de Marilena e um homem de Paraíso do Norte, todos com idades entre 31 e 51 anos. Tiveram alta um paciente de Loanda (55), uma de Paranavaí (74) e uma de Terra Rica (91).

Ainda nas 24 horas entre quarta-feira e ontem, foram quatro óbitos de pacientes internados na Ala Covid-19 da Santa Casa, sendo uma mulher (34 anos) de São João do Caiuá, com hipotireoidismo e obesidade; um homem (46 anos) de Paraíso do Norte, sem relatos de comorbidades; um homem (54 anos) de Nova Londrina, com hipertensão arterial; e um homem (37 anos) de Paraíso do Norte, com hipertensão arterial e diabetes.

MORTES EM PARANAVAÍ – Desde a primeira morte por Covid-19 em Paranavaí, em abril do ano passado, já foram 183 registros. A sequência de 2020: dois óbitos em abril, quatro em maio, um em junho, quatro em julho, três em agosto, três em setembro, um em outubro, cinco em novembro e 12 em dezembro, totalizando 35. Os números tiveram elevação importante em 2021: 12 mortes em janeiro, 25 em fevereiro, 43 em março, 48 em abril e 20 em maio, alcançando a marca de 148.

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