Destaque

Em entrevista ao Diário do Noroeste, o bispo diocesano de Paranavaí falou sobre as celebrações ao longo dos próximos dias e transmitiu mensagem de esperança para a população

“A morte não é absoluta. Absoluta é a vida em Cristo.” As palavras do bispo diocesano de Paranavaí, Dom Mário Spaki, resumem o sentido da Páscoa, comemorada no dia 4 de abril. De acordo com a teologia da Igreja Católica, a ressurreição de Jesus, no terceiro dia após ser crucificado, é a passagem para a vida eterna, a vitória sobre a morte. As celebrações que levam a comunidade ao momento mais importante da fé cristã começam neste domingo e se estendem por toda a próxima semana.

Por telefone, Dom Mário Spaki conversou com a equipe do Diário do Noroeste e explicou cada etapa da Semana Santa, falou sobre as atividades da Campanha da Fraternidade e informou como serão as cerimônias religiosas, considerando as restrições sanitárias para conter a transmissão do coronavírus. O bispo diocesano aproveitou para dirigir uma mensagem de esperança à população do Noroeste do Paraná.

O Domingo de Ramos tem um grande significado, porque faz referência à chegada de Jesus Cristo a Jerusalém, depois de percorrer um longo caminho, para estar com os judeus na Páscoa. As pessoas que o receberam estendiam mantos e ramos por onde ele passava, por isso, pela tradição católica, os fiéis levam folhas de palmeiras ou outras plantas, que são abençoadas pelos sacerdotes.

A Quinta-Feira Santa é marcada pela cerimônia de lava-pés. Relembra quando Jesus se reuniu com os apóstolos, que considerava sua família. Na ocasião, apresentou duas novidades importantes às comemorações da Páscoa judaica: instituiu a lavagem dos pés dos discípulos, numa alusão ao serviço e ao amor, e apresentou o pão e o vinho, simbolizando o corpo e o sangue que entregaria no dia seguinte como sacrifício pela humanidade.

Saindo da ceia com seus amigos, rumou para o Horto das Oliveiras e entrou na escuridão da noite. Horas depois, seria preso, julgado e condenado pelo mesmo povo que o recebera com festa alguns dias antes. Dom Mário Spaki conta que a Via Dolorosa teve início às 9 horas daquela sexta-feira. Foi ridicularizado, torturado e morreu crucificado, às 12 horas. Neste momento, diz o bispo diocesano, um grande silêncio traduz a tristeza da perda. É quando a comunidade volta a atenção para a cruz, símbolo da salvação.

Na manhã de domingo, quando seguidores foram ao túmulo onde estava o corpo de Jesus. O lugar estava vazio. Ele ressuscitou. Venceu a morte. Trouxe vida.  “Nos tornamos ‘comprados’ pelo sangue de Cristo e nos redimimos de nossos pecados”, afirma Dom Mário Spaki. Essa trajetória, diz o bispo diocesano, marca o início da Igreja Católica e a união da comunidade que estava dispersa.

CELEBRAÇÕES NA DIOCESE – O líder religioso informa que cada paróquia tem autonomia para desenvolver as atividades da Semana Santa como for mais conveniente, seguindo as determinações legais. “Alguns municípios têm resoluções próprias, dependendo de como está o grau de infecção”, destaca, referindo-se à transmissão do coronavírus. Em Paranavaí, a orientação é que se adote, na medida do possível, a dinâmica do drive-in, ou seja, com os fiéis dentro de seus automóveis. As cerimônias também são transmitidas pelas redes sociais de cada paróquia.

CAMPANHA DA FRATERNIDADE – Dom Mário Spaki afirma que as ações da Campanha da Fraternidade, lançada no início da Quaresma, são mais intensas no período que antecedem a Páscoa, mas continuam após a Páscoa. Neste ano, em uma versão ecumênica, a iniciativa da Igreja Católica trata da importância do diálogo nos mais diferentes âmbitos da sociedade.

De acordo com o bispo, todo o dinheiro ofertado pelos católicos neste Domingo de Ramos será destinado às entidades assistenciais da própria Igreja Católica. Em Paranavaí, o valor arrecadado chegará à Cáritas Diocesana, que acolhe e ajuda imigrantes, refugiados e exilados políticos. “Oferecemos acolhida humanitária para essas pessoas”, enfatiza, citando como exemplos haitianos e venezuelanos.

MENSAGEM DE ESPERANÇA – A pandemia de Covid-19 trouxe mudanças de rotina, por causa da necessidade de adotar restrições sociais. A principal orientação para evitar o contágio é manter o distanciamento – quando puder, permanecer em casa, somente com as pessoas do convívio familiar diário. Atividades foram suspensas, setores da economia foram afetados. Pessoas estão morrendo diariamente por causa da doença. Diante dos problemas, “muitas pessoas estão quase sem esperança”, aponta Dom Mário Spaki.

Assim, no momento em que a Igreja Católica celebra o retorno de Jesus Cristo à vida, o bispo diocesano faz questão de deixar palavras de motivação para os fiéis: “Que tenham esperança, apesar dos problemas que estamos enfrentando. A situação é difícil, mas a última palavra e sempre de Jesus”.

Deixe comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos necessários são marcados com *.