Agricultura

O Paraná conta hoje com 179 pequenas cooperativas da agricultura familiar, que congregam 41.542 associados, e 517 associações da agricultura familiar com 25 mil integrantes. Juntas elas faturaram no último ano R$ 500 milhões. O fortalecimento dessas instituições, a exemplo do que ocorreu com as grandes cooperativas paranaenses na década de 60, passa pelo acesso ao crédito e financiamento a investimentos.

Essas questões foram temas de encontro virtual promovido pela Secretaria da Agricultura e Abastecimento, por meio do programa Coopera Paraná. Mais de 100 pessoas participaram ativamente da discussão online na última sexta-feira. Atualmente, o maior entrave a esse crédito passa pelas dificuldades de garantias de pequenas cooperativas e associações e que muitas vezes podem ser substituídas por alternativas que hoje são aceitas pelas instituições financeiras.

O secretário da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara, falou sobre uma ação mais agressiva de crédito para atender a agricultura familiar por parte das instituições do Governo do Paraná, como a Agência de Fomento e o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). “É uma determinação do governador Carlos Massa Ratinho Júnior que o Estado do Paraná promova uma ação mais ousada de crédito e políticas de redução do custo do dinheiro”, disse.

Plantação de hortaliças na colônia Muricy.
São José dos Pinhais, 30-04-19.
Foto: Arnaldo Alves / ANPr.

Segundo Ortigara, será encaminhado para a Casa Civil adequações da Lei de Subvenção Econômica, introduzindo o conceito de juros zero que pode chegar no máximo a 3% para projetos bem estruturados nas áreas de olericultura, frutas, flores, leite, carnes, peixe, erva mate, pinhão, seda, café, agroindústria familiar, cooperativas da agroindústria familiar e apoio à irrigação e a energias renováveis. Concomitante a essa iniciativa será encaminhada à Assembleia Legislativa do Estado o Orçamento para 2021 que propõe apoio financeiro às cooperativas da agricultura familiar que precisam de capital para se estruturarem. “Com o programa Coopera Paraná queremos ajudar essas instituições a se solidificarem e promover um avanço importante para gerar emprego e renda no Estado”, afirmou.

O secretário lembrou que a Coamo, uma das maiores cooperativas do Brasil, hoje fatura cerca de R$ 17 bilhões por ano e a Cvale, outra grande cooperativa paranaense, fatura cerca de R$ 11 bilhões por ano. “E elas começaram pequeninas há mais de 50 anos, também com a ajuda do Estado. Hoje vivem como grandes organizações que são”, disse ele. “Para isso é preciso se estruturar e ter uma construção permanente, que certamente vai ampliar e muito as chances de sucesso para essas cooperativas da agricultura familiar que estão hoje sendo atendidas pelo programa Coopera Paraná”.

EXITOSAS – Durante a Webinar foram apresentadas as experiências exitosas de duas cooperativas da agroindústria familiar, do Rio Grande do Sul e do Paraná, que superaram as dificuldades, tiveram acesso ao crédito e hoje estão em ritmo de expansão de seus negócios.

A Cooperativa de Produção Agropecuária Nova Santa Rita (Coopan/RS) colocou a produção armazenada em garantia de um empréstimo obtido a 5,5% ao ano. Essa foi a alternativa encontrada pela cooperativa para complementar os recursos necessários a conclusão das obras de modernização de um abatedouro de suínos, cujo valor total ficou em R$ 11 milhões.

A Cooperativa Agroindustrial da Lapa (Coopersui/PR) recorreu ao financiamento aos produtores para financiar uma fábrica de ração para os suinocultores integrados e também a industrialização do feijão com a aquisição de máquinas de beneficiamento e de empacotamento.

Cerca de 80% dos sócios da Coopersui são da agricultura familiar e a cooperativa conseguiu, junto ao BRDE, o financiamento com base nas cotas partes dos associados, o que gera mais comprometimento dos sócios. Com a industrialização do feijão, a cooperativa pretende baixar os custos dos associados e proporcionar melhor renda

BONS PROJETOS – A Webinar foi conduzida pelos técnicos Jefferson Vinicius Meister, do Departamento de Desenvolvimento Rural Sustentável (Deagro) da Secretaria da Agricultura e Abastecimento, e o assessor técnico da Unicafes Nacional, Alcidir Mazuti Zanco.

Participaram os representantes das instituições financeiras BRDE, Carmem Truite, e o diretor administrativo da Cresol/Baser, Adnan Francisco Kielb, que falaram da necessidade de as cooperativas terem bons projetos, boa governança e boa gestão para conquistarem acesso ao crédito mais facilitado. Também abordaram a disposição dessas instituições em aceitar alternativas às garantias reais para os financiamentos, desde que haja o comprometimento dos produtores sócios das cooperativas.

Kielb, da Cresol defendeu o fortalecimento da assistência técnica às instituições porque qualifica a operação de financiamento. Ele destacou a disponibilidade de financiamento com o viés do desenvolvimento sustentável.

Valter Bianchini, representante da FAO para a região Sul abordou a importância do crédito para o desenvolvimento das potencialidades das cooperativas e associações da agricultura familiar. Ele defendeu uma política de fortalecimento das integralizações de cotas-parte (que corresponde a participação do produtor na cooperativa) com a participação dos homens e principalmente das mulheres e dos jovens produtores para fortalecer o processo.

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