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Comerciantes comemoraram a retomada das atividades, defendendo que o setor não é o principal responsável pelo aumento de casos de Covid-19 na cidade

Acreditando que o comércio não é o principal responsável pelo aumento de casos de Covid-19 na cidade e que o fechamento foi injusto e abusivo, comerciantes contabilizam os prejuízos e comemoram o retorno ao trabalho. De acordo com eles, desde o início da pandemia as lojas vêm tomando todos os cuidados necessários, seguindo os protocolos de prevenção ao contágio do vírus para preservar a saúde de colaboradores e clientes.

Um levantamento feito pela Associação Comercial e Empresarial de Paranavaí (Aciap) mostra que de 27 de fevereiro a 10 de março deste ano, houve redução de 7,48% nas consultas ao Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), comparando com o mesmo período de 2020.

O número de clientes que não conseguiram quitar seus compromissos e tiveram o nome incluído no sistema de dados do SCPC cresceu 26,70%, ou seja, a inadimplência aumentou. Ao mesmo tempo, a taxa de consumidores que tinham débitos em atraso e saíram da lista de devedores subiu 26,79%. “Lembrando que isso se refere à movimentação do nosso banco de dados”, explica Carlos Henrique (Kaká) Scarabelli, gerente-executivo da Aciap.

Segundo ele, isso se deve à fragilidade da economia do período inicial da pandemia até o momento atual. “Muitas empresas fecharam, desemprego aumentou e a renda das pessoas diminuiu com a ausência do auxílio emergencial”.

O Diário do Noroeste conversou com comerciantes de Paranavaí com o objetivo de saber quais foram os efeitos da paralisação determinada pelo governador Ratinho Junior através Decreto nº 6.983/2021, que determinou a suspensão do funcionamento dos serviços e atividades não essenciais em todo o Estado e a ampliação na restrição de circulação das pessoas.

A seguir, trechos de declarações feitas por eles:

 

Flavien Augusto Pereira, gerente de uma loja de calçados

Flavien Augusto Pereira, gerente de uma loja de calçados

“Muito prejuízo nesses 12 dias de comércio fechado, você não tem faturamento, não vende e não recebe, mas precisa honrar seus compromissos com fornecedores, colaboradores, enfim implica em todo o funcionamento da loja.

“Sabemos da necessidade dos cuidados e do isolamento, fomos penalizados, sem ser culpados, o comércio não é o maior causador do problema, porém as decisões são tomadas por pessoas que não conhecem a nossa realidade.

“Esse fechamento, no meu entendimento, foi muito mais grave que o do início da pandemia. No ano passado, o empresário teve o apoio das autoridades que deram suporte para manter o quadro de colaboradores, e os fornecedores deram a sua contrapartida, e isso ajudou muito. Dessa vez, não temos a quem recorrer, é continuar trabalhando para amenizar os prejuízos.”

 

Antônio Valter Fonseca, gerente de uma loja de departamentos

Antônio Valter Fonseca, gerente de uma loja de departamentos

“Por termos o sistema de vendas remoto, conseguimos atender boa parte da demanda, mas sentimos que alguns clientes foram prejudicados, principalmente aqueles que gostam de fazer o pagamento na loja.

“Apesar do fechamento das lojas, o movimento nas ruas era intenso. Isso que não conseguimos entender, fecha o comércio e não há fiscalização. Matemos todos os cuidados com os nossos clientes: na entrada é aferida a temperatura, disponibilizamos álcool em gel, fiscalizamos e orientamos quanto ao distanciamento dentro da loja. Entendemos que a cada dia que passa, os casos vão aumentando, mas acredito que não somos responsáveis pelo aumento de infecções. Essa paralização prejudicou mais. A primeira teve o seu impacto, mas foi geral, ou seja, parou tudo. Essa nem todas as cidades aderiram ,o que no meu entender acabou prejudicando mais.”

 

Carlos Sakai, proprietário de uma lanchonete

Carlos Sakai, proprietário de uma lanchonete

“Com o fechamento, houve uma queda de 70% nas vendas, mas estamos animados, o movimento aos poucos vai melhorando. Acredito que tomando todos os cuidados e, conscientes, cada um fazendo a sua parte, é possível manter o comércio aberto, funcionando. Quanto ao prejuízo, é impossível recuperar, principalmente no meu ramo, o alimentício, mas estamos na luta e continuamos trabalhando.”

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