Destaque

Primeiro caso foi confirmado no dia 22 de março de 2020. Desde então, já são mais de 5.800 diagnósticos positivos. Até a tarde de sexta-feira, 99 mortes tinham sido contabilizadas

Em 22 de março de 2020, a Prefeitura de Paranavaí confirmou o primeiro caso de Covid-19 na cidade. O paciente, um homem de 70 anos de idade, tinha viajado para o Nordeste e fez escala de voo em São Paulo, passando por cidades onde já havia circulação do coronavírus. Os sintomas da doença começaram no dia 13 daquele mês. A coleta para exame aconteceu dois dias depois, em 15 de março.

Nesta segunda-feira (22), Paranavaí completa um ano desde aquele registro e alcança números preocupantes. A pedido do Diário do Noroeste, a Administração Municipal realizou um balanço deste período de pandemia. Considerando o período até 17 de março de 2021, foram contabilizados 5.846 diagnósticos positivos, sendo 3.203 mulheres e 2.643 homens.

Pessoas com 30 a 39 anos formam o grupo com maior quantidade casos de Covid-19 ao longo de um ano, totalizando 1.327. A faixa etária de 20 a 29 anos aparece logo em seguida, com 1.202 pacientes. O grupo com 40 a 49 anos somou 1.060 casos. Foram contabilizados, ainda, 861 registros entre os moradores de 50 a 59 anos; 478 confirmações na população de 60 a 69 anos; 401 casos no grupo de 10 a 19 anos; 219 diagnósticos positivos de 70 a 79 anos; 177 casos entre as pessoas com 1 a 9 anos; 94 confirmações em pessoas com 80 anos ou mais; e 27 casos na população com menos de 1 ano.

Durante o período que se estende desde o primeiro caso até a última quarta-feira, Paranavaí realizou 23.970 exames para a detecção do coronavírus: 9.983 pelo Laboratório Central do Paraná (Lacen), 3.639 testes rápidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e 10.348 pela rede particular (aqui, somam-se testes rápidos e PCR ultrassensível).

MORTES – Até a tarde de sexta-feira, a Secretaria Municipal de Saúde confirmou 99 óbitos por Covid-19. Os registros mais recentes foram duas mulheres de 58 e 47 anos. A primeira paciente estava internada em Sarandi e morreu no dia 17 de março – tinha obesidade. A segunda estava na UPA 24 Horas de Paranavaí e morreu na tarde de sexta-feira – era hipertensa e diabética e tinha arritmia cardíaca.

Os óbitos anteriores foram duas mulheres em abril; três homens e uma mulher em maio; uma mulher em junho; quatro homens em julho; duas mulheres e um homem em agosto; três homens em setembro; um homem em outubro; três homens e duas mulheres em novembro; sete homens e cinco mulheres em dezembro; oito homens e quatro mulheres em janeiro; onze homens e quatorze mulheres em fevereiro; e treze homens e doze mulheres neste mês de março.

De acordo com o levantamento da Prefeitura de Paranavaí, fevereiro e março deste ano são os meses com maior número de óbitos, cada período contabiliza 25 registros. É preciso considera, no entanto, que este mês ainda não terminou e a contagem pode subir ao longo dos próximos dias. Antes, as situações mais preocupantes tinham sido em novembro e dezembro de 2020, com 12 mortes em cada mês.

AVALIAÇÃO – A chefe de Vigilância Epidemiológica da 14ª Regional de Saúde, Samira Silva, avaliou o período de um ano de pandemia. Disse que a confirmação do primeiro óbito em Paranavaí, no dia 14 de abril, provocou medo na população. “Todos ficaram comovidos e se trancaram em casa.” Passados os 12 meses, a impressão é que as pessoas se acostumaram com a doença. “Agora, muitas pessoas agem como se não tivesse mais importância.”

Ela chamou a atenção para a necessidade de manter os cuidados básicos para conter a transmissão do coronavírus: usar a máscara adequadamente, manter o distanciamento social e higienizar as mãos frequentemente. “A responsabilidade é de todos. Uma pessoa com o vírus pode contaminar outras 10, 20, que podem contaminar mais 10, 20. O correto é todos se conscientizarem.”

MUDANÇAS – Quando a pandemia de Covid-19 chegou ao Brasil, os protocolos de saúde ainda estavam se adequando, à medida que os profissionais técnicos identificavam as características da doença. Depois de um ano, há consenso sobre como evitar o contágio. “Quanto mais conhecimentos temos, mais seguros ficamos”, disse Samira Silva.

Entre as medidas adotadas pelo poder público a fim de conter a circulação viral, destaca-se a estratégia de isolamento de pessoas com sintomas da doença, monitoramento desses pacientes e de quem teve contato direto com eles e, simultaneamente, acompanhamento das equipes de saúde, para garantir que cumpram todas as medidas de segurança sanitária.

VACINAÇÃO – No dia 19 de janeiro deste ano, a primeira vacina contra Covid-19 foi aplicada em Paranavaí. O primeiro a ser vacinado foi o médico chefe da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa, Bruno Leal. Na mesma data, a 14ª Regional de Saúde iniciou a distribuição das doses para todos os municípios do Noroeste do Paraná. Desde então, 14.675 pessoas receberam a vacina. Desse total, 4.606 já tiveram a segunda aplicação.

De acordo com Samira Silva, para que o cenário volte à normalidade, é necessário que pelo menos 70% da população seja imunizada. Ainda falta muito para alcançar esse percentual. Considerando a projeção de 300 mil habitantes na região, menos de 5% dos moradores receberam a proteção contra o coronavírus. Foram contemplados, de acordo com o Plano Nacional de Imunização (PNI), idosos e profissionais de saúde.

A chefe de Vigilância Epidemiológica informou que a percepção após o início do processo de vacinação é que as mortes entre as pessoas com mais de 80 anos diminuíram. Não significa, no entanto, que o problema da pandemia esteja resolvido. Samira Silva explicou que nem todos que recebem o imunizante desenvolvem os anticorpos – como acontece com qualquer vacina. O percentual é baixo, mas pode acontecer.

Outro ponto destacado pela profissional de saúde é que demora pelo menos 10 dias para que o organismo crie a proteção contra o vírus. Ela ressaltou, ainda, que para chegar a essa efetividade é preciso tomar as duas doses da vacina.

NOVA VARIANTE – Samira Silva afirmou que o vírus sofre mutações e se adapta de forma rápida às adversidades, para poder sobreviver. A nova variante que circula pelo país, com características diferentes daquelas apresentadas pelo vírus que chegou ao Brasil no ano passado, é transmitida de maneira mais rápida. O agravamento do quadro de saúde também acontece em menos tempo. “Mais pessoas são hospitalizadas e mais jovens estão morrendo”, completou.

Deixe comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos necessários são marcados com *.