Destaque

ADÃO RIBEIRO

[email protected]

Sede da Rádio Paranavaí, a primeira da cidade
(Reprodução Internet)

 Paranavaí continua sendo uma referência em comunicação de massa. São rádios, jornais, revistas e TV, além do crescimento das mídias sociais. Por isso, hoje lembramos um pouco da chamada “Era de Ouro do Rádio” paranavaiense, iniciada na década de 1950, pouco depois do mesmo fenômeno nacional, que se deu a partir da década de 1930. O tema da semana é uma homenagem ao radialista e cantor Mauro Del Fiol, o Romance, falecido no último domingo e sepultado em Terra Rica.

A Rádio Cultura e sua sede dos primeiros dias
Foto: Toshikazu Takahashi (Reprodução Internet)

A história da comunicação por ondas sonoras (termo meu) começa em 1948, com o pioneiro Ephraim Marques Machado. Ele funda o Serviço de Alto-Falante Rede de Projetores Voz Democrática. Em 1950 faz outra ousadia, iniciando o estudo para a instalação da Rádio Cultura, a segunda emissora a entrar no ar, operando em AM (Amplitude Modulada).

Em pé, da direita para a esquerda: Carlos Roberto, não identificado, Armando Trindade Fonseca, Silvio Padeiro (ouvinte), João Alécio, Joaquim de Paula, Luiz, Rubens Huergo (gerente), Raimundo Lago, Odair Pereira, Edvan. Agachados e sentados: Rubens Antonio Alves, Athaydes Fernandes Rabello, Goiaba e Roberto Tranjan.
(Reprodução Internet)

Em 21 de maio de 1956, a rádio conquista o registro na Junta Comercial, data apontada como da sua fundação. Eram sócios Marques Machado e Herculano Rubin de Toledo.

Armando Trindade Fonseca: orgulho do rádio e referência de cidadania, falecido em 2005
(Reprodução Internet)

Antes, porém, a cidade consegue sua primeira rádio AM. A Rádio Paranavaí foi fundada em 14 de julho de 1953, data de seu primeiro contrato social, mas só entrou no ar em 14 de julho de 1954.

Seus primeiros proprietários não eram paranavaienses: Felipe Silveira de Bitencout (cartorário em Marialva), Oribes Correa, Antenor Ferri e Raul Pinto Gaertner (de Curitiba), que ganharam a concessão realizada pelo Ministério das Comunicações. Hoje, a Rádio Paranavaí opera em Frequência Modulada (FM) e com a rede de rádios chamada “Rádio T”.

Ephraim Machado faleceu no dia 29 de janeiro deste ano e merece permanecer na história como o visionário que apresentou Paranavaí ao potencial das mídias. Seu serviço de alto-falante tinha a finalidade de “dar apoio à Sociedade Paranavaiense e ao comércio em geral”, como definido por ele em uma das muitas entrevistas concedidas.

Ephraim Machado, pioneiro do rádio paranavaiense. Faleceu em janeiro de 2020.

FM – Além da sua consagrada missão de fundador do rádio paranavaiense, Marques Machado deu outro passo ousado. Em 1980, iniciou o processo de estudo para a implantação de uma rádio moderna em Paranavaí e deveria ser em Frequência Modulada (FM). A Rádio Caiuá FM foi ao ar no dia 25 de agosto de 1983.  A escolha do nome Caiuá foi em homenagem à região do Arenito Caiuá.

Com as portas abertas para esse novo tempo, vieram outras emissoras a partir da década de 1990. A Rádio Cidade FM, hoje Rádio Mais; a Rede de Rádios; a Rádio Skala FM, além de outras emissoras comunitárias.

Joaquim de Paula, falecido no dia 17 de agosto de 2020.

 

POPULARIZAÇÃO

A Era de Ouro do Rádio

O rádio teve sua expansão mundial após a Primeira Guerra (1914-1918), quando houve grande desenvolvimento nos meios eletrônicos e de comunicação para fins militares. No Brasil, o rádio atingiu seu apogeu em 1930, como principal veículo de comunicação em massa, na mesma época em que o País era governado por Getúlio Vargas.

Ouvir rádio é tradição que resiste ao tempo
Foto Ivan Fuquini

Nesse período, iniciou-se a chamada “Era de Ouro do Rádio”, quando se popularizou e se tornou um meio de entretenimento. Antes disso, o rádio não era explorado para publicidade ou informação como hoje. Na época, o presidente estabeleceu concessões às empresas particulares para o uso do rádio e, em troca, utilizava o meio como propaganda para divulgar seus feitos e enviar mensagens políticas aos ouvintes no programa obrigatório “A hora do Brasil”, que mais tarde tornou-se “A voz do Brasil”.

O rádio é companheiro de todas as horas
Foto: Ivan Fuquini

Todas as rádios disputavam a audiência dos ouvintes caçando e lançando novos artistas em shows de calouros. Assim surgiram grandes nomes da Música Popular Brasileira, como Ary Barroso, Dalva de Oliveira e Orlando Silva.

Os anos 1930 e 1940 marcaram a ascensão e o auge do Rádio no Brasil. Até hoje existem gravações inesquecíveis que nos ajudam a entender o fascínio gerado pelas estrelas do rádio que, mesmo invisíveis, ditavam a moda e os costumes. Já as décadas de 1950 e 1960 viram surgir a concorrência “desleal” da televisão. Muitos dos ídolos do rádio não conseguiram viajar de um meio ao outro. O mundo mudava rápido, e a música acompanhava.

(Extraído de http://cidadedasartes.rio.rj.gov.br).

 

HOMENAGEM

Romance, uma voz que se calou para virar história

Romance, locutor sertanejo faleceu no último domingo (6) e fez história no rádio paranavaiense
(Reprodução Internet)

Ele nasceu Mauro Del Fiol. Tornou-se Romance, agregou o pseudônimo Ponta Grossa. Foi comunicador, político e cantor. Tinha o jeitão simples da gente do Noroeste do Paraná. Com laços fortes em Paranavaí e Terra Rica, foi vereador nas duas cidades e agora repousa na terra do Zé Rico, o eterno parceiro do Milionário.

Romance falava diretamente ao povo, despertando saudades dos tempos da roça e alimentando o sonho de muita gente que mora na zona rural e tem o rádio como companhia.

Quem tem mais de quatro décadas de vida vai se lembrar do compacto vinil do Romance e de sua música de trabalho: “Amor a preço de chumbo”, muito tocada nas rádios da cidade nos anos 1980. Outros se lembrarão das suas andanças pela cidade, já na condição de vereador na década de 1990, após seu programa na Rádio Caiuá FM. Seu último microfone foi na 101.9 (Rede de Rádios), de segunda a sexta-feira das 4h às 6h30.

 

ONTEM E HOJE

Odair Pereira: há 54 anos no ar

Odair Pereira está há 54 anos levando informação, opinião e música para os ouvintes
Foto: Ivan Fuquini

Um homem que une o passado e o presente do rádio paranavaiense: Odair Pereira, 70 anos. No ar desde 1966, chega a 2020 com mais de cinco décadas de programação, atualmente aos sábados das 9h às 11h na Rede de Rádios (101.9). Por isso, o Diário do Noroeste o entrevistou nesta semana com o objetivo de resgatar parte da sua história e também mencionar grandes comunicadores que passaram pelas “latinhas” em Paranavaí (latinha é como os profissionais do rádio chamam o microfone).

Ele começa enfatizando o que classifica como “banalização do rádio”, gerando o que considera precarização profissional. Na sua visão, o cenário atual deixa o talento dos comunicadores e o estudo da profissão em segundo plano.

Dito isso, ao ser informado que o DN homenagearia o Romance, ele fez um pedido que será atendido: uma menção especial ao Joaquim de Paula, falecido no dia 17 de agosto deste ano. Por justiça, registra-se que foi uma das belas vozes do rádio brasileiro, com destaque também no Rio Grande do Sul e em Curitiba.

Nas suas preferências pessoais, além de Joaquim, estão outros eternos comunicadores/apresentadores, dentre os quais, Armando Trindade Fonseca, Raimundo Lago e Luiz Carlos Véchi.

No universo sertanejo, do qual Romance fez parte, estão na memória nomes importantes como Carajá; Inhozinho (pai do jornalista esportivo Fernando Fernandes, da Band) e Chuchu. Também integra a lista dos sertanejos o Goiaba, que além de radialista foi funcionário público e criou o “Bailão do Goiaba”, ainda na memória dos mais tradicionais.

Pereira cita como seu professor no rádio o jornalista e advogado Ivo Cardoso, falecido em 25 de setembro de 2008. Também na lista de redatores está Nêodo Noronha Dias, muito lembrado por suas crônicas e pela coluna “Buraco da Fechadura”, que assinou por décadas no Diário do Noroeste. Noronha Dias ainda escreve e recentemente publicou novo livro.

No setor esportivo, o radialista aponta grandes narradores e comentaristas, dentre eles, Osvaldo França, Léo Ruiz, Ferraz Júnior, Joseval Peixoto (sim, o famoso jornalista), além de Ferreira Júnior e Jota Leite. Ele abre um parêntese para incluir Armando Trindade Fonseca, eclético radialista que se destacou pelas reportagens esportivas e policias, programas de auditório e por “dominar o estúdio” diariamente.

 

Abel Decleva é apontado por Pereira como um dos grandes empreendedores do rádio. Quem o conhece afirma tratar-se de pessoa agradável, de boa conversa
(Reprodução Internet)

Dentre os empresários do rádio, Odair Pereira fala de Ephraim Machado e Abel Decleva, de longa trajetória no rádio. Decleva hoje se dedica aos seus empreendimentos fora do rádio, mas falou com entusiasmo recentemente em um trabalho de conclusão de curso de jovens jornalistas.

Odair ultrapassou as fronteiras do rádio. Foi jogador de futebol, inclusive do ACP (Atlético Clube Paranavaí) e vereador por duas legislaturas (mandatos 1974 a 1980). Assessorou a Prefeitura do município (setor de comunicação) nos mandatos de Rubens Felippe (1989/1992) e de José Augusto Felippe (1993/1996).

Nota1: O Diário do Noroeste pretende com este trabalho resgatar semanalmente a memória e a história de vários setores da comunidade paranavaiense. Sugestões, observações e críticas podem ser enviadas por e-mail: ([email protected]).

Nota2: fontes: http://cidadedasartes.rio.rj.gov.br/; Rádio em Paranavaí: a história contada pelos primeiros radialistas, por Igor Mateus e Pedro Henrique França da Graça (documentário); culturafmparanavai.com.br; diocesedeparanavai.org.br).

Deixe comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos necessários são marcados com *.