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Comparação leva em conta os seis primeiros meses de 2019 e de 2020. No caso da tuberculose, alcance passou de 91% para 53%

A 14ª Regional de Saúde registrou queda nos índices de vacinação em crianças com menos de um ano de idad19e. O levantamento considerou oito tipos de vacinas, comparando os resultados alcançados no primeiro semestre deste ano aos números de janeiro a junho de 2019.
O cenário identificado nos municípios do Noroeste do Paraná segue uma tendência nacional e pode ser explicado pela combinação de vários fatores. Chefe regional de Vigilância Epidemiológica, Samira Silva destaca alguns pontos: a divulgação de notícias falsas sobre efeitos adversos das vacinas, a necessidade de distanciamento social e os horários de atendimento nas unidades de saúde.
De acordo com Samira, o movimento de pessoas contrárias à imunização tem crescido rapidamente no Brasil. Elas argumentam que as vacinas podem causar autismo, que são instrumentos de controle sobre a população e que podem provocar câncer, entre outras afirmações sem qualquer embasamento científico.
A chefe de Vigilância Epidemiológica relata o caso vivenciado recentemente por um profissional de saúde da região. O pai levou a criança para ser vacinada, mas queria imunização contra apenas uma doença. Recusou-se a deixar o filho receber a proteção vacinal contra os demais vírus.
Em situações assim, o Conselho Tutelar deve ser acionado, já que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) determina a obrigatoriedade da vacinação. Quando o caso não é resolvido, o Ministério Público é informado e determina prazo para que o responsável legal leve a criança até a unidade de saúde. Pode haver aplicação de multa e prisão.
A pandemia de Covid-19 também influenciou na baixa dos índices de vacinação. Com as medidas de distanciamento social e o medo de contrair o coronavírus, as pessoas foram menos aos postinhos. Sobre isso, Samira Silva enfatiza que os serviços de vacinação continuam sendo oferecidos normalmente, seguindo todas as medidas de segurança sanitária.
Outro ponto que aparece na lista de empecilhos para a imunização é o horário de atendimento das salas de vacina, já que a maioria funciona durante o expediente comercial. A sugestão da chefe de Vigilância Epidemiológica é que as equipes encontrem alternativas para atender os moradores. Ela também ressalta a necessidade de reforçar o quadro de profissionais nas unidades de saúde.
Samira Silva cita, ainda, a mudança no sistema de informações sobre a vacinação. Além de dificultar a atualização dos números, o processo tem resultado na perda de alguns dados, o que amplia as diferenças entre os índices alcançados em 2019 e 2020.
DOENÇAS – Os números da 14ª Regional de Saúde dizem respeito às vacinas contra tuberculose, febre amarela, hepatite B, meningite, difteria, tétano, coqueluche, pneumonia, poliomielite e rotavírus. A lista inclui oito tipos de imunização, com algumas doses concentrando proteção para mais de uma doença.
Samira Silva diz que a falta de vacinação permite a reintrodução de vírus e outros agentes causadores de patologias na comunidade. O sarampo, por exemplo, que estava erradicado, voltou a fazer vítimas em 2015, com crescimento expressivo no número de casos nos últimos dois anos.
Quando a quantidade de pessoas imunizadas diminui, podem surgir pequenos surtos de doenças, com chances de evolução para quadros epidêmicos e até pandêmicos.
A chefe de Vigilância Epidemiológica destaca a importância da vacinação para o público infantil. “Crianças, especialmente com menos de um ano, não estão protegidas e ficam totalmente suscetíveis a doenças imunopreveníveis”, diz Samira Silva.
ÍNDICES – O levantamento da Regional de Saúde mostra que no primeiro semestre de 2019, o alcance vacinal contra tuberculose entre crianças com menos de um ano de idade foi de 91,16%. O índice caiu para 53,35% em igual período no ano de 2020.
Considerando o mesmo público e os mesmos meses, o número de vacinados contra a febre amarela superou as expectativas em 2019, alcançando 101,07%. Em 2020, foram apenas 73,5%. No caso da meningite, o índice caiu de 96,32% para 73,26%. Em relação à poliomielite, o alcance vacinal passou de 97,99% para 73,58%.
BRASIL – Na última terça-feira (15), a Sociedade Brasileira de Imunização (SBim) fez um alerta sobre a cobertura vacinal em todo o País estar muito abaixo da meta. Algumas vacinas do calendário básico do Programa Nacional de Imunização (PNI) não atingiram sequer a metade do público-alvo esperado.
Na ocasião, o presidente da SBIm, Juarez Cunha, apresentou dados do Data SUS referentes a agosto, segundo os quais nenhuma cobertura para crianças até dois anos de idade atingiu 60% do público-alvo no período.

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