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A situação levou ao desabastecimento em diferentes bairros da cidade. Em outros pontos, o fluxo de água diminuiu

O consumo de água em Paranavaí alcançou marcas históricas nos quatro primeiros dias de outubro deste ano, ultrapassando 86,5 milhões de litros. São 12% a mais do que no mesmo período de 2019, quando a produção chegou a 77,1 milhões de litros. A elevação afetou o sistema de distribuição, e os reservatórios da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) atingiram níveis mínimos.

A situação levou ao desabastecimento em diferentes bairros da cidade. Em outros pontos, o fluxo de água diminuiu. De acordo com o gerente regional da Sanepar, Heterley Ubaldo, o consumo em excesso causa despressurização da rede. Por isso, o sistema não consegue abastecer todas as unidades consumidoras. O problema é mais facilmente percebido em imóveis sem caixa d’água.

Ubaldo explicou que a elevação no consumo se deve às altas temperaturas registradas nos primeiros dias do mês. Os registros da Sanepar apontam 35ºC, 41ºC, 40ºC e 35ºC, respectivamente. A sexta-feira (2) teve o maior volume de produção de água, pouco mais de 23 milhões de litros. Em 2019, foram 18,7 milhões de litros no dia correspondente.

Heterley Ubaldo fala da possibilidade de adotar o rodízio de abastecimento em Paranavaí
Foto: Ivan Fuquini

O gerente regional da Sanepar apontou outro fator que tem contribuído para a redução dos níveis dos reservatórios: a falta de chuva, que se estende há mais de um mês. O longo período de estiagem afeta a vazão dos ribeirões Arara e Floresta, mananciais responsáveis por 80% do abastecimento de Paranavaí. Cabe destacar que o Paraná enfrenta a crise hídrica mais severa dos últimos 50 anos.

Por enquanto, não existe a necessidade de adotar o sistema de rodízio, quando a distribuição de água é intercalada por bairros. No entanto, se a falta de chuva e as altas temperaturas persistirem, “a medida poderá ter que acontecer”. Na avaliação do gerente regional da Sanepar, o cenário é atípico, “algo totalmente diferente dos anos anteriores”.

CONSUMO – Ubaldo fez um apelo para a população: que consuma água de maneira consciente, sem desperdícios. Orientou a não utilizar jato de água para varrer quintais e calçadas, reaproveitar a água da máquina de lavar roupas e não deixar a torneira aberta o tempo todo na hora de fazer a barba, escovar os dentes e lavar a louça.

Quem tem piscina em casa também deve manter alguns cuidados. Ubaldo disse que é preferível fazer a drenagem filtrando e não aspirando, assim, “não joga água fora”, explicou. No caso de piscinas menores, as infláveis ou as de fibra, por exemplo, ele ensinou que o conteúdo não deve se trocado diariamente. Além de cobri-las para proteger de poeira e folhas, alguns produtos devem ser aplicados para a conservação da água.

O gerente regional da Sanepar informou que são quatro gramas de cloro granulado ou 15 mililitros de cloro líquido para cada 1.000 litros de água – três vezes por semana. Outra orientação é aplicar cinco mililitros de algicida para cada 1.000 litros de água – uma vez por semana.

INVESTIMENTOS – Quatro novos reservatórios estão sendo construídos em Paranavaí, nos jardins São Jorge, Santos Dumont e Oásis e no Distrito de Sumaré. São aproximadamente R$ 9,5 milhões, com previsão de término entre dezembro deste ano e janeiros de 2021. O objetivo é ampliar a capacidade de produção e o nível das reservas, evitando que falte água na cidade.

 

Comparativo da produção da Sanepar (em milhões de litros)

 

Dia 2019 2020
1º de outubro 18.632.000 21.824.000
2 de outubro 18.745.000 23.074.000
3 de outubro 19.122.000 21.209.000
4 de outubro 20.617.000 20.413.000

 

Acréscimo já havia sido registrado em setembro

De 21 a 27 de setembro deste ano, a Sanepar havia registrado acréscimo de 7,43% no consumo de água em Paranavaí, comparando ao mesmo período de 2019. O dia com maior produção foi 26 de setembro, sábado, com volume de 20,8 milhões de litros. No dia correspondente do ano anterior, foram 19,7 milhões de litros. Situação semelhante aconteceu entre os dias 1º e 9 de setembro, quando a alta no consumo foi de 10,93% em relação aos mesmos dias de 2019.

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