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“A doença continua por aí. A gente se contamina ao menor descuido. Saímos do pico da pandemia, mas doença está ativa”, diz o médico Jorge Pelisson

Por orientação da Secretaria de Estado da Saúde (SESA) a Santa Casa de Paranavaí reduziu a um terço a estrutura que estava disponível para os pacientes da Covid-19. Dos 30 leitos iniciais, agora são 10, sendo cinco de UTI e cinco de enfermaria.

O primeiro corte ocorreu no dia 1º de outubro, quando foram desativados 10 dos 20 leitos de enfermaria, mas mantidos os 10 de UTI. Este mês, houve uma redução de 50%, com o descredenciamento de cinco leitos de UTI e cinco de enfermaria. “É uma política da Secretaria Estadual de Saúde, que entendeu que é hora de dar uma enxugada na estrutura, porque há um decréscimo significativo no número de casos”, explica o diretor técnico do hospital, cirurgião Jorge Pelisson.

O médico lembrou que a Santa Casa destinou toda uma ala do hospital para atendimento à Covid-19, o que provocou uma redução de pelo menos 30 leitos, sendo que parte deles agora deve ser reativada para atendimento a outras especialidades. “Nossa expectativa é de que dos 15 leitos de enfermaria que foram desativados, poderão ser ativados 10 para outros atendimentos. As salas restantes serão usadas para apoio, pois ainda teremos os leitos de Covid, que usarão as salas originais de apoio”, diz Marcelo Cripa, gerente financeiro do hospital.

O diretor técnico do hospital, cirurgião Jorge Pelisson

ALERTA – Pelisson citou que a desativação de leitos está acontecendo em todo o Estado, porque houve uma desaceleração de casos. Em Paranavaí, por exemplo, chegou a ter quase 20 internados na fase mais aguda da doença e agora é média de ocupação é de 7 leitos por dia, entre enfermaria e UTI.

“É uma boa notícia, mas não podemos relaxar com o vírus. Com o vírus não dá para brincar. A contaminação acontece a qualquer descuido”, alertou o diretor do hospital. “A doença está por aí, continua por aí, ela não foi embora. O que aconteceu é que saímos do pico da pandemia e estamos entrando numa fase de estabilização, mas ainda de doença ativa”, complementou.

Embora a SESA tenha promovido esta redução dos leitos de Covid, os equipamentos vão continuar à disposição dos hospitais para serem reativados se for necessário. “Os respiradores vão ficar como reserva técnica. Se houver recrudescimento de casos, volta ao status anterior”, informou Pelisson.

PARCERIAS – A redução de 50% de leitos da UTI não significa o mesmo índice de redução de custo. “Temos que manter praticamente a mesma equipe de profissionais”, informa o diretor técnico do hospital. “Com 50% de redução de leitos a redução de custo deve ser de, no máximo, 20%”, complementa Cripa.

Segundo o gerente financeiro, na prática e olhando apenas os custos, não compensa para a Santa Casa manter apenas 5 leitos de UTI. “O hospital vai manter estes leitos por conta das parcerias, que permitem um rateio dos custos”, diz ele.

PARCERIAS – O diretor-geral da Santa Casa, Héracles Alencar Arrais, confirma que a Santa Casa só conseguiu atravessar o pico da pandemia graças as parcerias, dentre as quais destaca o Governo do Estado, através da SESA, a Prefeitura de Paranavaí e as da região e a Unimed.

O diretor-geral Héracles Arrais falou sobre a importância das parcerias

“O Governo nos deu as condições de atendimento, inclusive pagando os 30 leitos da Ala Covid, mesmo não estando todos ocupados. Fez isso para garantir atendimento aos pacientes da Covid. Além disso, manteve os recursos das cirurgias eletivas, mesmo elas estando suspensas. A Unimed nos forneceu médico, financiou o plantão e deixou seus respiradores à disposição da Santa Casa se houvesse necessidade. E as prefeituras pagaram médicos plantonistas”, lembra Arrais.

Outra parceria destacada foi com os médicos residentes que estão se especializando na Santa Casa. “Os residentes nos deram uma grande força, abraçaram esta situação. Foram destemidos e mostraram compromisso e responsabilidade com a medicina”, emenda Pelisson.

REDUÇÃO – Arrais também destacou a parceria com a comunidade. “É importante lembrar do apoio da comunidade, das doações de alimentos, testes rápidos, equipamentos de proteção individual, insumos de limpeza e descontaminação e em recursos financeiros. Foi uma somatória de esforços muito bem-vinda, principalmente quando a situação financeira estava bem desiquilibrada. A população, empresas e instituições fizeram a sua parte e deram grande contribuição”, reforçou Arrais.

Por três semanas, logo no começo da pandemia, a Regional de Saúde de Paranavaí ficou em primeiro lugar entre as 22 regionais, nos índices de casos e óbitos. “Agora somos a 19ª em incidência e em 20ª em número de óbitos. Tivemos uma grande redução. Hoje a média de casos e óbitos representa um terço do que quando estávamos no pico da pandemia”. Informa o diretor-técnico da Santa Casa.

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