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Nova praça de pedágio na região terá impacto sobre os preços dos produtos agropecuários

Diretores do Sindicato Rural de Paranavaí estão mobilizando a categoria e lideranças comunitárias e classistas em busca de dois objetivos: garantir a realização de uma audiência pública na região para discutir o modelo de concessão das rodovias paranaenses e manifestar contrariedade ao modelo que está sendo proposto, que deve inviabilizar a Rodovia do Agronegócio, ligando Paranavaí a Taquarussu (MS) e ainda provocar impacto sobre os preços dos produtos agropecuários.

A preocupação é com a previsão de instalação em Guairaçá de uma praça de pedágio, praticamente sem contrapartida. “Vão transferir recursos recolhidos aqui para financiar a construção de pistas duplas em outras regiões”, alerta Ivo Pierin Júnior, presidente do Sindicato. Na avaliação dele, em geral, a sociedade aceita o pedágio quando há contrapartida. “Com a duplicação, há menos acidentes, a conservação da pista de rolamento é melhor evitando buracos que acabam com pneus e danificam carros e caminhões, a viagem fica mais rápida, enfim, o que se investe o pedágio é compensado com serviços, o que não está previsto na proposta”, diz Pierin.

Sem melhorias que compensem o pedágio, o valor cobrado terá impacto direto no custo do transporte dos produtos agrícolas. “Não tem como ser diferente”, diz o presidente, que ainda reclama da proposta de revisão do contrato somente após 30 anos de sua formalização. “É absurdo”, sublinha.

Pierin Junior e Silvestre falam da importância da rodovia para o transporte da produção rural

RODOVIA DO AGRONEGÓCIO – O Sindicato Rural de Paranavaí trabalha, desde 2013, para a implantação da Rodovia do Agronegócio. Se o projeto da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), ligado ao Ministério da Infraestrutura, for aprovado nas audiências públicas, o empreendimento de ligar Paranavaí a Taquarussu, com pista dupla e uma ponte no Porto São José praticamente se inviabiliza. “Se houver obras, o valor do pedágio pode subir até 40%, se for esperar, a revisão do contrato para incluir novas obras, vai demorar 30 anos. Pelo menos é o que prevê a proposta da EPL”, diz Pierin.

Causa estranheza, ainda, que, apesar dos apelos encaminhados à Assembleia Legislativa do Paraná, que está promovendo as audiências públicas, ainda não houve uma resposta oficial sobre a inclusão de Paranavaí no calendário das reuniões. “Na agenda inicial, Paranavaí ficou de fora. O Sindicato, a Sociedade Civil Organizada e diversas entidades de Paranavaí e região encaminharam solicitação para a realização de uma audiência na cidade. Vários deputados acenaram positivamente, mas até agora não tivemos uma resposta oficial”, diz Demerval Silvestre, diretor financeiro do Sindicato.

Ele relata que, apesar de a audiência se destinar a tratar da concessão de rodovias paranaenses, lideranças do Mato Grosso do Sul manifestaram interesse em participar. “Haverá um impacto direto sobre o vizinho Estado”, lembra ele.

Silvestre diz também que a possibilidade de revisão do contrato de concessão deve ser em espaço curto. “No máximo a cada cindo anos. O ideal será anualmente ou bianualmente”, diz ele.

A redução do tempo para revisão do contrato com inclusão de novas obras “sem mexer no valor da tarifa”, diz ele, se justifica porque à medida que vai aumentando a movimentação de veículos aumenta também o lucro da concessionária. “Ora, se existe a possibilidade de aumentar o número de veículos que trafegam pela rodovia, por que querem fazer revisão somente após os 30 anos de contrato?”, questiona Silvestre.

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