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KLAUS RICHMOND
SANTOS, SP (FOLHAPRESS) – O Santos anunciou na tarde desta sexta-feira (7) a contração do técnico Fernando Diniz, 47, sem clube desde a demissão no São Paulo, no último dia 1º de fevereiro. O treinador chega à Vila Belmiro como substituto do argentino Ariel Holan, que entregou o cargo há 12 dias.
O acordo com Diniz terá um ano de duração, sem multa rescisória, e dividiu opiniões no Comitê Gestor, grupo que administra o clube. Inicialmente, os dirigentes acreditavam ser necessária a contratação de um perfil “medalhão”, ou seja, de um nome mais experiente entre os disponíveis no mercado. A série de negativas, no entanto, mudou o rumo das tratativas.
A principal cartada era sobre Renato Portaluppi, ex-técnico do Grêmio, avaliado como o melhor nome disponível pela diretoria. Por Renato, o clube formalizou uma proposta ao agente Gerson Oldenburg de um contrato longo e com projeções para que pudesse aumentar ganhos, de acordo com metas atingidas. O treinador agradeceu, mas rejeitou.
O Santos chegou a consultar Lisca, que avisou que precisaria terminar a disputa do Campeonato Mineiro com o América-MG para avançar nas negociações.
Também cogitou nomes como Luiz Felipe Scolari e Dorival Júnior, ambos desempregados, além de Odair Hellmann e Guto Ferreira, estes dois últimos valorizados por recentes bons trabalhos. Odair chegou em dezembro ao Al Wasl, dos Emirados Árabes, enquanto Guto pode ser campeão da Copa do Nordeste com o Ceará neste sábado (8)
Todas as tratativas com os treinadores foram conduzidas pessoalmente pelo presidente Andrés Rueda. Foi o mandatário quem falou diretamente com Diniz e convenceu o treinador sobre o projeto, pela promessa de que o clube contrataria um executivo para lidar com o dia a dia do futebol, a exemplo do que fazia Felipe Ximenes, demitido em janeiro, logo nos primeiros dias da nova gestão do clube.
Além disso, conversou com o treinador sobre a possibilidade de reforços, principalmente por empréstimo, após a liberação do transfer ban com a venda de Soteldo para o Toronto FC. A punição imposta pela Fifa, que impedia a contratação de jogadores pela equipe.
O clube também tentou, sem sucesso, a contratação de Zé Roberto para a função de executivo de futebol, ex-jogador do próprio Santos entre 2006 e 2007. Agora busca outros nomes.
Diniz era um dos treinadores em pauta, mas enfrentava rejeição pela instabilidade de seu último trabalho, no São Paulo, que acabou minando sua permanência no Morumbi, mesmo ocupando as primeiras posições do último Campeonato Brasileiro.
Pesa em favor da contratação o histórico de aproveitamento de jovens jogadores, a exemplo do que fez no São Paulo, quando utilizou nomes como Gabriel Sara, Diego Costa, Luan, Igor Gomes, além do legado ofensivo que tenta deixar em suas equipes.
O técnico também se orgulhava de ter recuperado jogadores como Brenner, negociado por 13 milhões de dólares (R$ 70 milhões à época) com o FC Cincinnati, e Luciano, com quem havia trabalhado no Fluminense e vivia má fase no Grêmio. O jogador terminou como artilheiro do Brasileiro, com 18 gols, ao lado de Claudinho, do Red Bull Bragantino.
O novo treinador é psicólogo de formação e precisará controlar, principalmente, uma séria instabilidade emocional da equipe ao longo da temporada. Ele teve passagem breve pelo clube como jogador, em 2005.
A informação do acerto com Diniz causou mal-estar entre membros da comissão técnica do clube e da diretoria. A exemplo da saída de Holan, em que jogadores não foram informados diretamente pela diretoria, o técnico Marcelo Fernandes acabou sendo surpreendido com a informação.
“Se o Fernando vier, estaremos de braços abertos para receber, como é de praxe aqui no Santos”, disse. O clima após a derrota para o Palmeiras na quinta (6) foi acalorado, com cobranças ao gerente de futebol Jorge Andrade.
Com Holan, apesar dos elogios internos à metodologia de treinamento, comparadas ao trabalho do também argentino Jorge Sampaoli, aliado ao perfil agregador e de muito diálogo, pesou contra as manifestações de torcedores em redes sociais após uma série de resultados negativos.
O Santos só venceu um de seus últimos sete jogos, contra o The Strongest, na Vila Belmiro, quando goleou os bolivianos por 5 a 0, em confronto válido pela terceira rodada da Copa Libertadores. Mesmo assim, a situação da equipe é delicada no grupo C da competição, no qual ocupa a terceira colocação, três pontos atrás do Boca, o segundo e seu próximo adversário no torneio sul-americano. Uma derrota pode custar a eliminação precoce do time.
Além disso, no Paulista, a equipe é a única entre os grandes que já está eliminada e ainda corre riscos de rebaixamento, com apenas 10 pontos conquistados em 11 partidas disputadas, a terceira pior campanha do estadual.
A briga pela permanência na elite do Estadual será em um confronto direto com o São Bento, na Vila Belmiro, neste domingo (9), ainda sem horário confirmado. Se vencer ou empatar, permanecerá na elite do futebol de São Paulo. Em caso de derrota, sofrerá o primeiro rebaixamento de sua história.

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