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Manifestação foi durante reunião da diretoria, acompanhando Rafael Cargnin que pediu cuidado na reabertura do comércio

Vice-presidente da Associação Comercial e Empresarial de Paranavaí (Aciap) para assuntos de Saúde, o diretor-geral da Santa Casa, Héracles Alencar Arrais, pediu na manhã desta terça-feira (9), durante reunião da entidade classista, que os lojistas adotem todos os protocolos de segurança para conter o avanço da pandemia da Covid-19. “Vamos nos preocupar. A situação é muito mais séria do que se pensa”, disse ele.

A manifestação foi em complemento ao presidente Rafael Cargnin, que havia alertado para a necessidade de ampliar os cuidados de biossegurança nos estabelecimentos comerciais, confirmando que o comércio não é uma fonte de difusão do coronavírus. “Vamos ser mais precavidos do que já éramos. Isto pode facilitar, inclusive, futuras negociações”, disse Cargnin, reafirmando o compromisso da Aciap em continuar atuando contra medidas restritivas ao comércio, como se fosse ambiente de transmissão.

O decreto do Governo do Estado, que fechou o comércio desde o dia 27, e o decreto municipal que procurou minimizar os efeitos do primeiro, dominaram boa parte da reunião. Segundo Cargnin, algumas empresas que fecharam compulsoriamente este período não vão reabrir mais, pois não suportaram o momento dramático que a economia enfrenta.

Na avaliação do gerente da Aciap, Carlos Henrique (Kaká) Scarabelli, o fechamento do comércio já se mostrou “pouco efetivo”. Ele considerou o decreto estadual um “retrocesso”, pois “o trabalhador na empresa está mais protegido”. Lamentou a manifestação feita em frente à entidade, que considerou “injusta”, já que a Associação desde que o decreto foi baixado pelo Governo do Estado se posicionou contra a medida. Revelou que a entidade foi procurada por associados e não associados neste período. “Demos apoio e orientação a todos”, disse ele, manifestando que esta situação mostra que a “Aciap continua sendo a fortaleza dos empresários”.

O presidente Cargnin aproveitou o momento para agradecer o empenho de Scarabelli e do vice-presidente para assuntos de Comércio, Luiz Paulo Mendonça Hurtado (que revelou que também foi interpelado por manifestantes) e a sensibilidade da Administração Municipal que tem buscado alternativas para contornar o decreto estadual.

FECHAMENTO NO CARNAVAL – Vice-presidente de Comércio Exterior da Aciap, Antônio Teruo Kato considerou que o melhor neste momento para conter o avanço da pandemia “são as empresas trabalhando obedecendo os protocolos sanitários”. Segundo ele, ninguém sabe quanto tempo vai durar a pandemia e, por isso, “temos que nos adequar e conviver com esta situação”. Ponderou que os empresários devem seguir as normas de segurança, fiscalizar e cobrar que os colaboradores também sigam rigorosamente os protocolos.

Teruo alertou sobre uma das possibilidades que pode ter agravado a situação em Paranavaí: o fechamento do comércio duramente o carnaval. E, em função disso, pediu que nas futuras negociações entre os sindicatos do Comércio Varejista (Sivapar) e dos Comerciários (Sindoscom) a Aciap alerte e fique atenta para esta situação.

Apesar de discordar parcialmente da avaliação (acha que a situação vinha se agravando antes e que o fechamento do comércio só se somou a uma situação já crítica), Cargnin informou que o vice-presidente executivo Edgar Penha já está tratando do assunto junto ao Sivapar.

HORÁRIO DO COMÉRCIO – O decreto que prorrogou o fechamento do comércio até esta terça-feira (o primeiro vigoraria até domingo) estabelece um novo horário para o comércio. Pelo decreto, o comércio deve funcionar a partir desta quarta-feira (10) das 10 às 17 horas.

O Governo entende que esta medida reduzirá a lotação no transporte coletivo em horários de pico. Já os diretores da Aciap argumentam que este cenário não reflete a realidade local. Tal medida só se justificaria em grandes cidades. Este entendimento será levado à Prefeitura, visando a buscar uma flexibilização desta regra.

CLIMA DE GUERRA – Arrais disse que a saúde pública vive um “momento de guerra”, pois há vários dias a Ala Covid da Santa Casa está lotada e os novos leitos de UTI que estão sendo abertos estão sendo ocupados rapidamente. “Ontem (segunda-feira) abrimos três leitos de UTI e três horas depois estavam todos ocupados”, contou.

Para exemplificar o momento delicado que o país vive com a pandemia, Arrais lembrou que anteontem havia uma fila de 36 pessoas à espera de uma vaga no Hospital Sírio-Libanês para ser internada. Detalhe: é um dos maiores hospitais do país, um centro de referência internacional em saúde e só atende particular. Ou seja, mesmo quem tem recursos financeiros não está encontrando leitos para atendimento contra a Covid.

Arrais explicou que está cada vez mais difícil arrumar médicos para a UTI. Citou que não basta ter o profissional de medicina, tem que conhecer o trabalho de terapia intensiva. “Quem conduz um carro de corrida é piloto, quem conduz um avião também é piloto, mas não dá para deixar um avião na mão de piloto de Fórmula 1 e nem o contrário”, comparou ele.

O vice-presidente falou também que não sabe como será a situação financeira do hospital no pós-pandemia. Além de ter que oferecer melhores ganhos para atrair médicos para o hospital, a Santa Casa sofre com a escalada dos preços de materiais de proteção individual. “A caixa de luva custava 14 reais. Hoje está entre 98 e 108 reais”, exemplificou.

Arrais apontou ainda que “especialistas estão informando que a nova cepa que está circulando no Brasil se propaga mais rápido”, lamentando a falta de vacina em número suficiente para atender a demanda.

O presidente Rafael Cargnin finalizou reafirmando que o empresariado está trabalhando para conter a pandemia. “Os verdadeiros culpados é que devem ser punidos e não os comerciantes. E todo mundo sabe quem são os responsáveis pela pandemia”, arrematou.

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