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Natural de Paranavaí, município localizado no Noroeste do estado do Paraná – e principal centro da microrregião local -, João Miranda de Souza Filho ingressou nas categorias de base do Coritiba aos 19 anos, no começo de 2003. E não demorou muito para dar início à sua fama de ‘quebrar longos jejuns’ de título. Algo que continuou enquanto vestiu as camisas de São Paulo e Atlético de Madrid nos anos seguintes, perdurando até durante sua passagem pelo futebol chinês. O defensor só não foi campeão quando atuou por Sochaux, na Ligue 1, e Internazionale, na Série A.

Logo em seu primeiro clube, Miranda já fez história. Sim, foi no próprio Coxa, mesmo sem entrar em campo, que o zagueiro presenciou a primeira quebra de tabu: vendo o clube voltar a ser campeão paranaense em 2003, sobre a equipe de sua cidade natal – o Paranavaí -, algo que não acontecia desde antes da virada do milênio, na edição disputada em 1999. Uma temporada depois, com sua posição solidificada no clube alviverde, Miranda conquistou o bi estadual, agora sobre o grande rival Athletico. Suas ótimas atuações logo fizeram o Sochaux, da França, o contratar.

Mas sua passagem por lá durou pouco e ele logo foi para o São Paulo. E apesar de o clube ter conquistado recentemente os títulos do Campeonato Paulista, da Copa Libertadores e do Mundial de Clubes, havia um jejum que incomodava os torcedores: o do Campeonato Brasileiro, que não via o Tricolor levantar a taça desde 1991, quando a equipe ainda era comandada por Telê Santana – antes mesmo de conquistas seus primeiros títulos dos já citados torneios da Libertadores e do Mundial. Pois bem, ao lado de Breno e Alex Silva – e depois de Rodrigo e André Dias -, formou uma sólida defesa que faturou nada menos que três títulos seguidos da principal competição do país, em 2006, 2007 e 2008.

No dia 7 de janeiro de 2011, Miranda assinou um contrato de três anos com o Atlético de Madrid, e adivinha? Sim, o brasileiro foi responsável por mais algumas quebras de tabu: como a da LaLiga Santander, a principal competição da Espanha – que estava sendo dominada por Real Madrid e FC Barcelona, com ligeiras intromissões de Deportivo La Coruña e Valencia CF. Antes disso, no entanto, é preciso lembrar que Miranda foi muito importante para o Atletico também em outros torneios.

Em 2011/2012, logo em sua primeira temporada, ajudou os Colchoneros a encerrar uma pequena espera na Liga Europa – sobre outro espanhol, o Athletic Bilbao – e na Supercopa da Espanha – agora, em cima do Chelsea -, ambas de dois anos. Logo na sequência, foi importante para o término de outro tabu, de nada menos que 17 temporadas (entre 1996 e 2013) na Copa do Rei, batendo o Real Madrid por 2-1. Mas foi na já citada LaLiga Santander de 2013/2014, que o defensor escreveu definitivamente seu nome na história do Atlético de Madrid.

Presente em 32 das 38 partidas possíveis do clube na temporada da LaLiga, Miranda ainda contribuiu com dois gols e uma assistência, além de deixar o clube com a melhor defesa daquela edição – com 26 tentos sofridos, sete a menos que o FC Barcelona e 12 de diferença em relação ao Real Madrid. E mais, tomando apenas um cartão amarelo, mesmo atuando contra dois dos melhores jogadores da história do futebol: Cristiano Ronaldo e Lionel Messi (isso, sem falar de Suárez, Neymar, Di Maria). Atuando durante os 90 minutos diante o Barça, em pleno Camp Nou, no famoso ‘jogo do título’.

Depois disso, Miranda se transferiu à Internazionale, onde apesar de passar quatro temporadas, de 2015 a 2019, não conseguiu ajudar o clube a encerrar a sequência negativa na Série A – algo que a Inter só foi conseguir nesta última temporada, acabando com uma série de nove taças seguidas da Juventus. Neste meio tempo, voltou a ser campeão com a Seleção Brasileira, faturando a importante taça da Copa América em 2019 – algo que o Brasil não fazia desde 2007. Pouco depois, se transferiu ao futebol chinês, onde levou o Jiangsu Football Club ao inédito título da Superliga nacional.

Foi quando, em 2021, acertou seu retorno ao São Paulo. E foi muito importante para uma nova quebra de tabu, agora de 16 anos no Campeonato Paulista – competição que o clube não conquistava desde antes da vitoriosa passagem do zagueiro pelo Morumbi, em 2005. No total, Miranda atuou em sete partidas, sendo titular em todas elas, marcando um gol, dando uma assistência e vendo o Tricolor ainda terminar com a melhor defesa do torneio. O título em 2021 coroa uma grande e vitoriosa carreira, onde apesar de já ter 36 anos, não está perto de terminar.

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