Com a chegada dos dias mais frios, aumenta também o número de pessoas com nariz entupido, espirros, dor de garganta, tosse e febre. Embora muita gente atribua esses sintomas simplesmente ao frio, a explicação para o aumento das infecções respiratórias no outono e no inverno é mais complexa — e envolve mudanças no ambiente e no comportamento das pessoas.
Segundo a otorrinolaringologista Dra. Cristiane Passos Dias Levy, especialista em alergias respiratórias do Hospital Paulista, as baixas temperaturas favorecem a circulação de vírus por diferentes mecanismos.
“O frio, por si só, não causa gripe ou resfriado. O que acontece é que, nessa época do ano, as pessoas permanecem mais tempo em ambientes fechados, com pouca ventilação e maior proximidade umas das outras, facilitando a transmissão dos vírus respiratórios”, explica.
Além disso, o ar mais frio e seco interfere diretamente nos mecanismos naturais de defesa do organismo. “O nariz funciona como uma espécie de filtro do sistema respiratório. Quando a umidade do ar diminui, as mucosas ficam mais ressecadas e a capacidade de eliminar partículas, vírus e bactérias se torna menos eficiente”, afirma a médica.
Vírus encontram ambiente ideal
Diversos estudos mostram que vírus respiratórios, incluindo os da gripe e do resfriado comum, apresentam maior estabilidade e capacidade de transmissão em ambientes frios e com baixa umidade.
Segundo dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), os vírus influenza costumam apresentar maior circulação justamente nos meses de outono e inverno, período em que também ocorre aumento das internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em diversas regiões do país.
Neste ano, autoridades sanitárias têm observado maior circulação da cepa Influenza A (H3N2), reforçando a importância da vacinação anual para ampliar a proteção da população.
“A vacina é a principal forma de prevenção contra as formas mais graves da gripe e suas complicações. Como os vírus sofrem mutações frequentes, a composição do imunizante é atualizada periodicamente para acompanhar as cepas em circulação”, destaca Cristiane.
Gripe e resfriado não são a mesma coisa
Embora muitas vezes sejam tratados como sinônimos, gripe e resfriado apresentam diferenças importantes.
O resfriado costuma ser provocado por rinovírus e outros agentes respiratórios. Os sintomas geralmente são mais leves, com coriza, congestão nasal, espirros e discreto mal-estar.
Já a gripe, causada pelos vírus influenza, tende a provocar febre alta, dores no corpo, fadiga intensa, dor de cabeça e comprometimento mais significativo do estado geral.
“Uma gripe pode evoluir para complicações importantes, especialmente em idosos, crianças pequenas, gestantes e pessoas com doenças crônicas. Por isso, não deve ser encarada como um simples resfriado forte”, alerta a especialista.
Quem corre mais risco? – Alguns grupos merecem atenção especial durante os meses mais frios:
idosos; crianças pequenas; gestantes; pessoas com asma ou rinite alérgica; pacientes com doenças cardíacas ou pulmonares; indivíduos com imunidade comprometida.
Nesses casos, infecções aparentemente simples podem evoluir com maior facilidade para quadros mais graves, como sinusites bacterianas, pneumonias e agravamento de doenças respiratórias pré-existentes.
Como se proteger durante o inverno
Apesar do aumento natural da circulação viral, algumas medidas simples ajudam a reduzir significativamente o risco de infecção:
manter a vacinação contra a gripe em dia; higienizar as mãos com frequência; evitar ambientes fechados e pouco ventilados;
manter boa hidratação; realizar lavagem nasal com soro fisiológico;
cobrir nariz e boca ao tossir ou espirrar; evitar contato próximo com pessoas sintomáticas; usar máscara, quando necessário.
A lavagem nasal, segundo a especialista, é uma aliada importante durante os períodos de clima seco. “O soro fisiológico ajuda a hidratar a mucosa nasal e favorece a eliminação de partículas inaladas, contribuindo para o funcionamento adequado das defesas naturais do organismo”, explica.
Quando procurar atendimento médico
Embora a maioria das infecções respiratórias seja autolimitada, alguns sinais merecem avaliação médica:
febre persistente; sintomas que pioram após melhora inicial;
duração prolongada do quadro.
“Buscar orientação médica precocemente é importante principalmente para pacientes dos grupos de risco. O diagnóstico correto permite indicar o tratamento mais adequado e evitar complicações”, conclui a Dra. Cristiane.




