Olhos vermelhos, excesso de secreção, sensibilidade à luz e mudanças no comportamento podem ser sinais de que cães e gatos estão enfrentando algum problema oftalmológico. Embora algumas alterações pareçam simples no início, a evolução pode ser rápida e, em casos mais graves, comprometer a visão do animal. Por isso, a identificação dos primeiros sintomas e a procura por atendimento são fundamentais.
A veterinária Micheli Storck Matias, da SOS Vet, atua na área de oftalmologia veterinária, com atendimentos clínicos e cirúrgicos. Formada em Medicina Veterinária pela UEM, ela fez três anos de especialização em oftalmologia em São Paulo.
“A identificação desses sinais clínicos é mais fácil do que parece”, explica Micheli. Segundo ela, mesmo sem conseguir falar sobre a dor, cães e gatos demonstram que existe algo errado por meio do comportamento. “Um dos principais sinais clínicos é o piscar excessivamente”, afirma.
A secreção ocular também deve ser observada. Diferentemente da pequena quantidade que pode aparecer normalmente após o animal acordar, o excesso de secreção, principalmente quando apresenta coloração amarelada ou esverdeada, pode indicar uma alteração. Olhos vermelhos, esbranquiçados, azulados ou acinzentados também são sinais de alerta.
Principais doenças
Entre as doenças encontradas na oftalmologia veterinária estão a ceratoconjuntivite seca, catarata, uveíte, úlcera de córnea, conjuntivite e problemas relacionados à retina.
Algumas alterações estão relacionadas à idade. A ceratoconjuntivite seca, por exemplo, pode aparecer com a redução da função das glândulas lacrimais. “A partir de 7, 8 anos de idade, a glândula lacrimal pode diminuir a sua função”, explica Micheli. O problema pode provocar menor produção de lágrimas ou alterações na qualidade da lubrificação da córnea, deixando o olho mais seco, vermelho e com secreção.
A catarata também aparece com maior frequência em animais idosos, normalmente a partir dos 8 ou 9 anos. Existe ainda a catarata diabética, que pode se desenvolver em qualquer momento da vida.
Outro problema citado pela veterinária é o descolamento de retina, que pode ocorrer após traumas, como quedas ou impactos na cabeça, e levar à perda da visão.
O tempo é valioso
Para Micheli, a rapidez na busca por atendimento é um dos principais fatores para o sucesso do tratamento. “O tempo do olho é muito valioso”, destaca. Uma alteração inicialmente simples pode evoluir rapidamente para um quadro mais grave.
A veterinária cita como exemplo a progressão de uma conjuntivite para uma úlcera de córnea, que pode evoluir para uveíte e, posteriormente, glaucoma. Por isso, ao perceber secreção, vermelhidão ou desconforto, a recomendação é procurar atendimento especializado.
“Quanto antes a alteração, a lesão, seja a doença oftálmica que for, for diagnosticada, melhor será o resultado do tratamento”, afirma Micheli. Segundo ela, o diagnóstico precoce aumenta as possibilidades de preservar a visão do animal.

Prevenção
Além da atenção aos sinais, a veterinária recomenda consultas oftalmológicas de rotina a cada seis meses. A avaliação permite acompanhar a saúde dos olhos desde a superfície ocular até o fundo do olho e identificar alterações ainda no início.
“A maior prevenção seriam essas consultas de rotina a cada seis meses”, afirma. Para Micheli, detectar uma alteração no começo permite um tratamento mais rápido e aumenta as chances de preservar a visão.
Em Paranavaí, segundo a profissional, a SOS Vet é atualmente a única clínica que oferece o serviço de oftalmologia veterinária. A unidade também conta com especialistas em felinos de outras áreas, como anestesia, oncologia, ortopedia e neurologia.



