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MARINGÁ

“Nenhuma Paixão em Vão” transforma 20 anos de formação em uma viagem pelo universo humano

Escrito pelo psicólogo e psicanalista Vinícius Romagnolli Rodrigues Gomes, o livro reúne memórias, estudos e paixões por psicanálise, cinema, poesia, literatura, filosofia e mitologia

O psicólogo e psicanalista Vinícius Romagnolli Rodrigues Gomes está prestes a lançar, em Maringá e nas plataformas digitais, o livro Nenhuma Paixão em Vão – 20 anos da formação de um psicanalista. A obra reúne reflexões, experiências e interesses que atravessaram duas décadas de sua trajetória, construindo uma narrativa que vai além da formação profissional e passa por áreas como filosofia, sociologia, história, antropologia, literatura, poesia, cinema e mitologia.

Para o autor, transformar essa trajetória em livro foi uma maneira de organizar e compartilhar experiências que contribuíram para sua formação. “Sempre gostei de fazer balanços, lembro de escrever a cada aniversário ou virada de ano como quem tenta se apropriar do vivido”, conta. Segundo ele, a obra representa um esforço de síntese daquilo que o marcou ao longo dos anos. “É um esforço nesse sentido, o de condensar aquilo que me marcou ao longo desses anos tão preciosos de formação, fazer uma síntese de tudo que vivi e me transformou em quem sou hoje.”

O título escolhido para a obra também revela uma característica central de sua trajetória. As paixões pelo conhecimento e pelas humanidades aparecem como fios condutores do livro. Durante a graduação em Psicologia, Vinícius conta que se encantou pela Filosofia, Sociologia e História. Mais tarde, vieram a Psicologia Analítica, a Psicanálise e a Antropologia, além da Literatura, da poesia e do cinema. “Foram muitas as paixões, de modo geral tudo que envolve o humano e as humanidades”, afirma.

A relação com a psicanálise, no entanto, começou ainda antes da faculdade. Aos 13 anos, em 2001, Vinícius iniciou sua própria jornada de análise e, pouco tempo depois, percebeu que gostaria de fazer daquele universo também uma profissão. O contato mais aprofundado com a Psicanálise ocorreu anos mais tarde, durante a graduação. Desde então, a formação passou a ser marcada por uma busca permanente por conhecimento e por uma compreensão cada vez mais singular do trabalho clínico.

No livro, diferentes linguagens artísticas aparecem em diálogo com a psicanálise. O cinema, a poesia e a mitologia são compreendidos pelo autor como formas de acessar dimensões profundas da experiência humana. “A Psicanálise como uma linguagem onírica veio por último, mas permite acessar e ampliar as demais linguagens de uma perspectiva muito interessante”, afirma.

O cinema ocupa um lugar especial nessa trajetória. Entre as obras que o marcaram está Cinema Paradiso, especialmente pela relação do personagem Totó com os filmes que atravessam sua vida. Vinícius também destaca o diretor Richard Linklater e o filme Boyhood: da infância à juventude, pela forma como a passagem do tempo revela as transformações do indivíduo. “A gente vai se moldando ao longo dos anos numa espécie de sobreposição de camadas que vão se somando até chegar à versão mais atual”, observa.

A poesia, por sua vez, aparece como uma possibilidade de condensar sentimentos e ideias complexas. Vinícius lembra que Freud admirava os poetas justamente pela liberdade de seus meios para acessar a verdade emocional. “A poesia desnuda aquilo que nós analistas por vezes levamos muito tempo para acessar”, afirma. É também por isso que ele demonstra especial interesse por aforismos, adágios e pequenos poemas, capazes de sintetizar questões sofisticadas em poucas palavras.

Ao revisitar duas décadas de escritos e interesses, o psicólogo também acabou encontrando novas perspectivas sobre a própria história. Embora não tenha escrito o livro com a intenção de fazer uma autoanálise, reconhece que o exercício provocou reflexões importantes. “Aquilo que me interessava e me instigava a escrever e publicar não deixa de ser um testemunho de quem fui e sou ainda em alguma medida”, explica.

Fonte: Da redação

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