Mais notícias...

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Mais notícias...

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Compartilhe:

ARTIGO

O gigante turístico que ainda não acordou

Toda vez que estou fora do Brasil acontece a mesma coisa. Quanto mais conheço outros países, mais penso no nosso. Não por saudosismo. Nem por patriotismo cego. Mas porque se torna impossível não comparar o enorme potencial brasileiro com aquilo que vemos funcionando em tantos destinos turísticos espalhados pelo mundo. E, confesso, às vezes essa comparação desperta admiração, mas também uma certa indignação.

Poucos países possuem o conjunto de riquezas naturais, culturais e humanas que o Brasil reúne em um único território. Temos a Amazônia, o Pantanal, Foz do Iguaçu, Fernando de Noronha, os Lençóis Maranhenses, as chapadas, as serras, as praias tropicais, o turismo rural, a gastronomia regional, a música, a diversidade cultural e um povo reconhecido mundialmente por sua hospitalidade. O mundo inteiro sonha em conhecer aquilo que para nós, muitas vezes, faz parte da paisagem cotidiana.

E, no entanto, seguimos distantes da posição que poderíamos ocupar entre as grandes potências turísticas do planeta. A razão é simples: turismo não vive apenas de beleza. Turismo depende de infraestrutura, educação, mobilidade, qualificação profissional e planejamento de longo prazo. Beleza atrai. Estrutura faz o visitante chegar, permanecer e retornar.

Os números ajudam a compreender esse desafio. A escolaridade média do brasileiro gira em torno de 10 anos de estudo, enquanto apenas uma pequena parcela da população possui domínio funcional de idiomas estrangeiros. Em um mercado globalizado, onde receber bem significa também comunicar-se bem, essa limitação reduz nossa competitividade. O turista internacional deseja sentir-se acolhido, orientado e compreendido.

Os gargalos logísticos também são conhecidos. O Brasil possui uma das maiores malhas rodoviárias do mundo, mas grande parte ainda carece de pavimentação adequada. Temos uma das mais extensas redes hidrográficas do planeta, mas exploramos apenas uma fração do potencial de nossas hidrovias. As ferrovias seguem insuficientes para um país continental, enquanto aeroportos e portos, apesar dos avanços recentes, ainda enfrentam desafios de integração e conectividade regional. Some-se a isso o fato de que milhões de brasileiros ainda não possuem acesso pleno à coleta de esgoto, elemento básico para a saúde pública e para a experiência turística.

Existe ainda um tema que frequentemente evitamos enfrentar com a seriedade necessária: a segurança. O Brasil encanta pelas paisagens, pela cultura e pela alegria de seu povo, mas também carrega, no imaginário internacional, a preocupação com a violência urbana. O turista procura beleza, mas também procura tranquilidade. Ninguém escolhe um destino apenas pelas paisagens. Escolhe pela experiência completa, que inclui infraestrutura, mobilidade, saneamento, acolhimento e, sobretudo, a sensação de segurança.

A boa notícia é que o Brasil não sofre de falta de atrativos. Sofre de falta de aproveitamento. Somos uma potência turística adormecida. O mundo já deseja conhecer aquilo que temos de sobra. Falta construir as condições para que esse desejo se transforme em desenvolvimento, empregos, renda e oportunidades para milhares de cidades brasileiras. O Brasil já possui o que o mundo quer ver. Agora precisa decidir, de uma vez por todas, tornar-se o destino turístico que nasceu para ser.

Prof. Dr. Anderson Alarcon, advogado

@and.alarcon (siga-me para mais)

Fonte: Anderson Alarcon

Compartilhe: