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Diretores e associados da Associação Brasileira de Produtores de Amido de Mandioca (ABAM) cobraram da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) maior agilidade na liberação das ramas das novas variedades de mandioca desenvolvidas pela instituição. A cobrança foi feita na última reunião da Associação diretamente ao coordenador de Pesquisa & Desenvolvimento da Embrapa Mandioca Fruticultura (Cruz das Almas – BA), Francisco Laranjeira, que participou do encontro.
O assunto foi levantado pelo representante da General Mills, fabricante dos produtos Yoki, Silvio Gonçalo, que chegou a questionar sobre a possibilidade de instalação de uma espécie de campo de semente para agilizar o processo de multiplicação e distribuição das ramas das novas variedades.
A Embrapa tem se notabilizado pelo desenvolvimento de variedades que atendem as demandas do setor, que tem solicitado, principalmente, espécies mais precoces, com alto teor de amido e adequada ao plantio direto. Neste contexto, a instituição desenvolveu as variedades CS 01 e a BRS 420, que atendem à demanda dos produtores. A primeira foi lançada oficialmente em 2016. Só que a multiplicação e distribuição das ramas não vêm acontecendo na velocidade desejada pelo setor.
Sem precisar a data, Laranjeira adiantou que o lançamento da BRS 420 acontecerá em breve, pois a variedade já foi encaminhada para registro e está protegida. Também garantiu que a Embrapa trabalha para lançar nas próximas semanas o edital com o comunicado de oferta pública, que vai permitir a transferência de ramas aos interessados.
Em entrevista, o coordenador de pesquisa de mandioca da Embrapa disse que “a transferência de tecnologia, de certa forma, já vem ocorrendo porque a gente tem o que chamamos de contrato de validação agronômica com diversos parceiros em diversas regiões, então estes parceiros já têm acesso a esse material”. Mas ele reconhece que “é um acesso limitado, uma avaliação experimental”. 
QUESTÃO RELEVANTE – Laranjeira diz que a Embrapa trabalha no comunicado de oferta pública, ou seja, ofertar lotes de ramas com qualidade genética e fitossanitária garantidas. “O tamanho desses lotes é que é uma limitação. Então, a gente está trabalhando para fornecer a maior quantidade de lotes possível e no maior tamanho possível. Mas existem aí algumas questões de burocracia, porque esse comunicado, tem que ser aprovado, pois é um documento oficial. Então a gente está trabalhando para lançar esse comunicado o mais rápido possível”.
Sobre a possibilidade do desenvolvimento de um “campo de sementes” como foi levantado por Gonçalo da reunião da ABAM, o pesquisador disse que existe esta possibilidade no futuro. Antecipou que já “existem casos, mas mais específicos em que isto está acontecendo”. Alerta, no entanto, que “o modelo, desse negócio não está totalmente conformado”.
O pesquisador contou que no centro-oeste do país existe um caso em que “alguns produtores produzem por multiplicação rápida da mandioca, produzindo material vegetativo e distribui – por enquanto é distribuição – para produtores vizinhos e existe um caso, que a gente chama de maniveiro, no Pará, em que ele está se especializando em produção de material propagativo para venda, mas o modelo de negócio ainda não está completamente estabelecido – a base técnica sim, já existe, é plenamente possível, mas o modelo de negócio ainda não está completamente estabelecido”.
Laranjeira reconhece que “o fornecimento de material propagativo é uma questão relevante para o setor, mas não basta fornecer o material propagativo, o material tem de ser de qualidade genética e qualidade fitossanitária assegurados. Já existe técnicas para isso. O que a gente precisa é ir incentivando, escalonando, digamos assim, esse novo negócio”.
Também em entrevista, o agroindustrial Ivo Pierin Júnior, diretor da ABAM e que participou da reunião de quinta-feira da semana passada, dia 30, citou que “a multiplicação da rama, todos nós sabemos, que é lenta”, mas antecipou que “este ano já tem uma certa disponibilidade de ramas, a partir do ano que vem tem uma tendência de aumentar”.
Ele explicou que a Embrapa não distribui ramas “enquanto o produto não estiver registrado, protegido. E isso depende de um processo burocrático, que tem que ser atendido. Então por isso talvez não tenha hoje uma quantidade tão grande de ramas”
Ele cita que, “por compromissos da empresa” a Embrapa não pode distribuir ramas sem ter segurança de sua qualidade, a fim de evitar problemas futuros que pode comprometer a saúde financeira dos produtores e o trabalho do instituto.

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