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A nova cultivar de mandioca lançada pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), a IPR B36, deve solucionar dois problemas que o setor vem enfrentando: a podridão precoce da raiz e a baixa produtividade. A expectativa é do agroindustrial Guido Bankhardt, diretor da Associação Brasileira de Produtores de Amido de Mandioca (ABAM), que esteve presente ao lançamento representando a entidade.
O ato aconteceu no Polo Regional de Pesquisa do Iapar em Paranavaí no sábado (6), com a presença de produtores rurais, empresários e lideranças políticas e empresariais do Noroeste do Paraná e até do Mato Grosso do Sul. A nova variedade foi apresentada pelo pesquisador Mário Takahashi.
A região de Paranavaí é a maior produtora de mandioca para fins industriais e a produção média é de 25 toneladas por hectare. A expectativa é que a B36 eleve esse número para 30 toneladas.
Também diretor da ABAM, vice-presidente da Federação da Agricultura do Paraná (FAEP) e presidente do Sindicato Rural de Paranavaí, Ivo Pierin Júnior destacou as vantagens da nova variedade. “Vimos com grande satisfação o trabalho do Iapar em desenvolver essa nova variedade, que se mostrou bastante produtiva e adaptada às necessidades da cadeia produtiva da mandioca”, afirmou.
Ele ressaltou que o Paraná responde por 70% da produção de amido no Brasil, com grande representatividade da região Noroeste. “Daí a importância do desenvolvimento de novas variedades que atendam às demandas da indústria e melhore a renda do nosso produtor”, disse Pierin Júnior.
COMPETITIVIDADE – Para Bankhardt, as principais vantagens da nova cultivar são a resistência a doença e a alta produção. “Hoje o setor está precisando investir em pesquisa. Essas variedades que estão aí dão muita podridão, baixa produção e essa B36 parece que veio para solucionar o problema. O setor precisa de maior produção para poder competir”, analisa.
Ele lembrou seu colega de ABAM e reforçou as palavras de Pierin Júnior em relação a necessidade de aumentar a produção. “Como o Ivo falou, o milho está produzindo muito mais do que há 10 anos e a mandioca está produzindo praticamente a mesma quantidade por hectare. (…) Se compararmos com 40 anos atrás, até reduziu, porque hoje a terra está mais fraca. Está produzindo menos e a gente precisa competir e estas variedades novas estão vindo pra isso”.
A IPR B36 é a segunda variedade de mandioca apresentada aos produtores este ano. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) apresentou no final do mês de maio, na ABAM, a BRS 420, que deve ser lançada oficialmente em breve. Para Bankhardt o lançamento de novas variedades mostra que os órgãos de pesquisa estão olhando o setor mandioqueiro, com maior atenção. “E isto, para o setor, é muito bom. A Embrapa e o Iapar estão fazendo um trabalho muito intenso para desenvolver novas variedades”, diz ele.
Na avaliação do diretor da ABAM, o produtor rural está consciente da importância da pesquisa, tanto que muitos deles estão cedendo áreas para plantio experimentais. “O produtor está procurando incentivar (a pesquisa), está preocupado (com o desenvolvimento de novas variedades)”, reforça.
Bankhardt aponta que os produtores que participam das discussões do setor estão tendo consciência de que é preciso proteger as novas variedades. “Eles estão conscientes de que é preciso lavar a máquina de plantar, a máquina precisa ser descontaminada, a rama tem que ser plantada em lugar separado para não pegar doenças de outras variedades. O produtor está tendo consciência disso aí, não tinha, mas agora está tendo. Quem não está fazendo isso é só por falta de informação”.
O agroindustrial informa que o setor tem expectativa “e a esperança” de que os institutos de pesquisas desenvolvam ainda mais variedades novas. “Variedades com mais produtividade, mais resistente e mais adaptadas aos solos fracos, porque hoje tem muita área degradada e precisa ter variedade para este tipo de solo”.
Neste aspecto lembra que a B36 “é apropriada para a região porque destina-se mais ao arenito e não ao solo mais argiloso. Acho que essa variedade vai produzir muito bem. Ela é boa para produzir a farinha e a fécula. Se dá bem nos dois, tanto produz uma fécula boa, como produz uma farinha boa. E planta pelo sistema convencional como no plantio direto – vai melhor ainda. O que vi foi no plantio direto e está produzindo muito bem. É o que a gente precisava”, finaliza Guido Bankhardt.

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