Local
REINALDO SILVA
O bloqueio de verbas anunciado pelo Ministério da Educação (MEC) para universidades e institutos federais tem caráter operacional, técnico e isonômico e afeta instituições de ensino de todo o país. A medida foi anunciada no dia 30 de abril.
Em entrevista ao jornal “O Estado de S. Paulo”, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, afirmou: “Universidades que, em vez de procurar melhorar o desempenho acadêmico, estiverem fazendo balbúrdia terão verbas reduzidas”.
Inicialmente, três instituições teriam os recursos retidos. Em seguida, Weintraub anunciou que a medida se estenderia para mais de 60 universidades e 40 institutos federais. A declaração motivou protestos de estudantes por todo o Brasil.
Em Paranavaí, alunos do Instituto Federal do Paraná (IFPR) se uniram para abraçar um dos blocos acadêmicos. A ação foi no dia 6 de maio e teve o objetivo de mostrar que estão dispostos a proteger o campus. 
Nesta segunda-feira (13), eles voltarão a se manifestar contra o bloqueio de verbas. Ao longo do dia, estarão em frente à Prefeitura de Paranavaí para apresentar pesquisas, projetos e protótipos que desenvolveram durante o período letivo. A ideia é dar visibilidade aos trabalhos realizados no campus.
A ação é chamada de “IF na Rua” e pretende estimular a comunidade a apoiar os alunos na luta pelo fim da retenção dos recursos. De acordo com integrantes do grêmio estudantil, o IFPR de Paranavaí teria mais 30% do orçamento anual boqueado, algo em torno de R$ 630 mil.
PREOCUPADOS COM O FUTURO – Na tarde de sexta-feira (10), parte do grupo que lidera o movimento estudantil conversou com a equipe do Diário do Noroeste. Durante todo o tempo, os alunos demonstraram preocupação com as consequências da medida tomada pelo MEC.
Se o bloqueio for mantido, o campus não terá condições de funcionar a partir de setembro deste ano, já que os recursos têm como destinação o pagamento das contas de água e energia elétrica e dos serviços terceirizados (manutenção, limpeza e segurança). 
Sem água ou energia elétrica não haveria condições de desenvolver qualquer tipo de atividade no campus. “Vai afetar diretamente o ensino”, avaliou Rebeca Gabriele Dias dos Santos, de 17 anos. Projetos de pesquisa e extensão também seriam atingidos.
José Antonio Montina Balestre, de 17 anos, afirmou que cortes no orçamento sempre existiram, mas antes eram verbas destinadas a investimentos, ou seja, as compras previstas não eram feitas, mas isso não interferia nos trabalhos do dia a dia. Agora, no entanto, com a retenção de recursos para a manutenção do campus, a comunidade acadêmica ficaria sem alternativas.
Na opinião dos integrantes do grêmio estudantil, a paralisação das atividades no campus também teria consequências negativas na economia de Paranavaí e de municípios da região. É que o IFPR promove formação técnica e prepara os alunos para o mercado de trabalho. Sem esses profissionais que saem da instituição, as empresas teriam dificuldades para encontrar mão de obra qualificada.
ENSINO DE QUALIDADE – A luta, disseram os estudantes, é pela manutenção do ensino de qualidade oferecido pelas instituições federais. Por isso, querem que o MEC cancele o bloqueio e libere o dinheiro para as universidades e institutos. Assim, será possível seguir o planejamento orçamentário definido para 2019, sem prejudicar o ano letivo.
De acordo com Carlos Eduardo Antonio de Andrade, de 16 anos, o IFPR de Paranavaí apresenta alto índice de aprovação dos estudantes em processos seletivos para o Ensino Superior, quase 80%. Esse resultado demonstra a qualidade da metodologia pedagógica da instituição.
Tendo em vista o desempenho dos alunos do IFPR de Paranavaí e todos os projetos de pesquisa e extensão que desenvolvem, os integrantes do movimento estudantil fizeram questão de enfatizar que não há balbúrdia, como afirmou o ministro da Educação. Ao contrário, o que existe por parte da comunidade acadêmica é o esforço conjunto para elevar o nível da educação federal.
IF NA RUA – Da mesma forma que o abraço ao campus, a ação desta segunda-feira está sendo organizada pelos estudantes. Será dividida em duas etapas: pela manhã, eles apresentarão resultados de pesquisas, projetos e protótipos. À tarde, farão apresentações culturais resultantes das atividades desenvolvidas dentro do campus de Paranavaí.
Em nota, IFPR se manifesta contra bloqueio de recursos
A Reitoria do Instituto Federal do Paraná (IFPR) se manifestou, por meio de nota, sobre o bloqueio de verbas anunciado pelo Ministério da Educação (MEC). A seguir, trechos do texto divulgado pela instituição.
“O bloqueio de 36% do orçamento discricionário do IFPR coloca em risco as ações que foram planejadas ao longo de 2018 a 26 comunidades locais em que o Instituto realiza suas atividades, por meio da construção coletiva do Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI 2019-2023).”
“No IFPR, o bloqueio significa um impacto de R$ 20.895.166,00, em ações de capacitação, custeio e expansão. O valor, portanto, é substancial e afeta diretamente o funcionamento da instituição, tanto na Reitoria como em seus 25 campi em gastos essenciais como luz, água, segurança e limpeza. O bloqueio, portanto, é inadmissível.”

Deixe comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos necessários são marcados com *.