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REINALDO SILVA
Números da 14ª Regional de Saúde mostram a evolução da sífilis adquirida desde 2001 até setembro de 2019 nos municípios do Noroeste do Paraná. Os diagnósticos seguiram assim: três em 2011, 21 em 2012, 38 em 2013, 51 em 2014, 74 em 2015, 76 em 2016, 85 em 2017, 82 em 2018 e 78 em 2019.
Dois motivos se combinam para explicar o aumento de casos ano a anos. O primeiro é a falta de cuidados para evitar o contágio durante as relações sexuais ou mesmo a gestação. O segundo é a atuação mais eficaz das equipes de saúde para localizar e diagnosticas as pessoas com a doença.
Os dados sobre a evolução, além de outros temas estratégicos para enfrentamento, foram debatidos ontem por profissionais de saúde de toda a região.  
PROFISSIONAIS DEBATEM TRANSMISSÃO – Na Semana Paranaense de Mobilização para Enfrentamento da Sífilis, médicos e enfermeiros de municípios da região participaram de capacitação sobre a transmissão vertical da doença, quando se dá a partir da gestante para o bebê. A reunião aconteceu na Regional de Saúde em Paranavaí.
De acordo com Maria da Penha Francisco, técnica responsável pelo Programa de IST/Aids, Hepatites e Tuberculose da 14ª Regional de Saúde, a transmissão vertical ocorre em 70% dos casos em que a mulher não recebe os tratamentos adequados. “Quanto mais tempo demorar, mais chances de transmitir para a criança.” 
Nesse sentido, os profissionais de saúde que atuam na atenção primária precisam estar preparados para fazer o diagnóstico, o tratamento e o manejo das pacientes. “É uma doença que tem cura. Não há justificativas para a gestante ter sífilis e transmitir para o bebê”, enfatizou Maria da Penha.
Ela informou que a sífilis congênita é mais comum do que deveria. Mesmo com o tratamento sendo disponibilizado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Mas o problema não está somente na transmissão de mãe para filhos. O número de casos de sífilis adquirida tem crescido de maneira exponencial nos últimos anos. Trata-se da transmissão durante as relações sexuais. O aumento foi de 290% de 2012 para 2018.
A principal explicação está na falta de cuidados básicos, principalmente o uso de preservativos. De acordo com a infectologista Gislaine Eredia Araújo, que atua na rede municipal de saúde e na Santa Casa de Paranavaí, a prática é comum em diferentes faixas etárias, mas principalmente entre jovens.
Ela afirmou que muitas pessoas avaliam o risco de contrair infecções sexualmente transmissíveis pela aparência do parceiro. Se não há sinais evidentes de qualquer problema, abrem mão do preservativo. No entanto, lembrou Gislaine, na maioria das vezes não é possível identificar quem tem sífilis ou HIV, por exemplo.
Manter várias parcerias é outro fator que merece destaque. Coordenadora do Sistema Integrado de Atendimento em Saúde (Sinas) de Paranavaí, Marielsa Cestário Pinheiro contou que muitos pacientes não contam que têm sífilis a todas as pessoas com que se relacionaram sexualmente. Assim, elas deixam de receber o tratamento adequado e podem continuar a transmissão.
AÇÕES DE COMBATE À SÍFILIS – Instituído pela Lei 13.430 de 31 de março de 2017, o Dia Nacional de Combate à Sífilis é sempre no terceiro sábado de outubro de cada ano. Nesse período, são realizadas atividades que destacam a importância do diagnóstico e do tratamento adequados.
As ações são desenvolvidas para alcançar diferentes públicos, desde gestantes durante o pré-natal até homens e mulheres com vida sexualmente ativa e que estão expostas às ISTs, ou seja, infecções sexualmente transmissíveis.
Por isso, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) organizou a Semana Paranaense de Mobilização para Enfrentamento da Sífilis, de 14 a 18 de outubro. A programação inclui campanhas e divulgação para a educação de toda a comunidade, reforçando a importância da prevenção e dos devidos cuidados com a saúde. 
De acordo com Maria da Penha Francisco, as ações são importantes no sentido de alcançar as metas estabelecidas, oferecendo diagnósticos precoces e tratamentos, tornando possível a cura da sífilis. Um dos objetivos é garantir a redução da transmissão vertical da doença, chegando a 0,5 para cada 1.000 crianças nascidas vivas. 
SINTOMAS DA DOENÇA – Os sintomas da sífilis se apresentam em três estágios. A infectologista Gislaine Eredia Araújo explicou cada um. O primeiro é o surgimento de lesões nos órgãos genitais, não coçam, não doem e desaparecem em algumas semanas.
Depois disso, a doença pode ficar latente por décadas e, só então, manifestar a segunda fase, que é o quadro sistêmico, quando aparecem feridas pelo corpo. 
Quando a sífilis evolui para o terceiro estágio, o paciente pode desenvolver uma série de doenças neurológicas, por exemplo, neurossífilis, distúrbios de comportamento, demência e meningite.

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