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REINALDO SILVA
A colheita de mandioca está parada e não há fornecimento de matéria-prima para a indústria. Nas plantações de laranja, as frutas estão murchando ainda no pé. As pastagens secaram e não há ração suficiente para alimentar o gado. Esses são alguns efeitos da estiagem sobre a agropecuária de Paranavaí e do Noroeste do Estado.
A avaliação é pesquisador e chefe do escritório regional da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab), Ênio Luiz Debarba, que demonstrou preocupação: “O prejuízo é muito grande”. A situação, disse ele, “gera inquietude no mercado e nas autoridades”.
2019 tem o menor volume de chuva dos últimos anos, considerando o período de abril a agosto. Foram apenas 128 milímetros nesses cinco meses. Para se ter uma ideia do tamanho do problema, basta comparar aos registros anteriores. Em 2015, 576 milímetros; em 2016, 531 milímetros; em 2017, 651 milímetros; e em 2018, 294 milímetros.
“O clima é desértico”, comparou o chefe regional da Seab. E explicou: “durante o dia, as temperaturas são altas. À noite, faz mais frio e venta muito”. De acordo com ele, os ventos são elementos importantes nesse cenário de seca, já que afastam as nuvens de chuva. 
O Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar) indica a possibilidade de precipitação sobre Paranavaí no domingo (31). Mas Debarba afirmou que pode haver mudanças no cenário: mais uma vez, existem chances de as nuvens de chuva serem levadas pelos ventos em direção ao Oceano Atlântico.   
Outra preocupação apresentada pelo chefe regional da Seab é com os riscos de queimadas. As pastagens secas ficam suscetíveis ao fogo e qualquer fagulha pode iniciar o incêndio. Nesse contexto, os ventos fortes também se tornam vilões, porque fazem com que as chamas se alastrem rapidamente, dificultando o controle.
PECUÁRIA – Debarba salientou que a estiagem tem efeitos negativos sobre a pecuária, tanto leiteira quanto de corte. No primeiro caso, os animais ficam sem reserva alimentar e não produzem leite. Em relação à bovinocultura de corte, há perda de nutrientes e, portanto, de peso, tornando necessário estender o período de engorda.
O que vem em seguida é uma reação em cadeia: sem a produção adequada, faltam produtos no mercado, os preços tendem a subir e os resultados serão sentidos no bolso do consumidor final.

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