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REINALDO SILVA
A conquista do status de área livre de aftosa sem vacinação representará um avanço importante para a economia do Paraná. Confirmada a classificação, o estado terá a oportunidade de exportar proteína animal para países com exigências sanitárias estritas, como é o caso de Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos.
Para o secretário de Estado da Agricultura e Abastecimento, Norberto Ortigara, aumentar a exportação garantiria incrementos significativos na produção de carne em todo o Paraná. “Será nossa chance de crescer”, declarou. 
De acordo com o gerente de Saúde Animal da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Rafael Gonçalves Dias, a mudança de status sanitário beneficiará não somente a bovinocultura, mas, também, as produções de suínos e aves, além de toda a cadeia de insumos e implementos.
Dias informou que Santa Catarina é, até agora, o único estado brasileiro a alcançar a classificação de área livre de aftosa sem vacinação. Com isso, tem conseguido inserir proteína animal em alguns dos mercados mais exigentes. 
O diretor-executivo da Frimesa, Elias José Zydek, explicou que nos países em que as restrições sanitárias são rígidas, não é permitido comprar qualquer tipo de proteína animal de lugares em que os rebanhos bovinos precisam ser vacinados contra aftosa – mesmo que não haja registros da doença. 
Em relação à carne suína, Zydek informou que 65% dos países são fechados para a produção brasileira. A conquista do status de área livre da aftosa sem vacinação permitirá ao Paraná chegar a esses lugares e dobrar a exportação que hoje é de 100 mil toneladas por ano. Outra vantagem seria o incremento de 20% no preço do produto.
Os resultados serão positivos, disse o diretor-executivo da Frimesa. Com o aumento da produção paranaense de carne suína, os produtores terão faturamento mais alto e gerarão mais empregos. Assim, a economia do estado, de maneira geral, será beneficiada.
FÓRUM REGIONAL – Na tarde de ontem, Paranavaí sediou o primeiro Fórum Regional Paraná Livre de Febre Aftosa sem Vacinação. O evento reuniu produtores, profissionais técnicos, representantes sindicais e de entidades de classe. Foram mais de 1.000 participantes.
Na ocasião, foram apresentados números sobre a produção de proteína animal no Paraná. Em duas palestras, os presentes conheceram argumentos favoráveis à mudança do status sanitário do estado e de que forma impactará na economia.
MUDANÇAS ESTRUTURAIS – O secretário estadual da Agricultura e Abastecimento explicou que o processo para chegar até a classificação de área livre de aftosa sem vacinação tem sido longo. Foram décadas de imunização dos rebanhos até a erradicação da doença.
Depois, mesmo com a aftosa erradicada, foi preciso investir na construção de barreiras sanitárias, no fortalecimento da Adapar e na estruturação de sistemas de identificação dos rebanhos paranaenses. Em 2018, duas auditorias feitas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento atestaram a qualidade da produção paranaense.
De acordo com Ortigara, será necessário fechar a fronteira do Paraná com outros estados para a entrada de animais vacinados contra a aftosa. A partir de 1º de setembro, disse o secretário, o trânsito será proibido para bovinos de cria, recria e engorda.
Com todas as medidas devidamente aplicadas, a expectativa é que em setembro de 2020 o Paraná receba o certificado de área livre de aftosa sem vacinação. O reconhecimento internacional deverá acontecer em maio de 2021.
POSICIONAMENTO CONTRÁRIO – Diretor da Associação de Frigoríficos do Brasil (Abrafrigo), Jeremias Silva Júnior se posicionou contra a saída antecipada do Paraná do bloco de estados que integram o Plano Nacional de Erradicação da Febre Aftosa (Pnefa).
Na opinião dele, o fechamento das fronteiras paranaenses para a entrada de animais vacinados contra a doença afetará profundamente os produtores e os demais setores que mantêm relações econômicas com o Paraná.

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