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Em palestra a acadêmicos do Curso de Agronomia da Faculdade Fatecie, de Paranavaí, o agroindustrial Ivo Pierin Júnior, disse que o grande desafio para os futuros profissionais será aumentar a produção e a produtividades de alimentos. “No mundo 815 milhões de pessoas, ou 11% da população mundial, passam fome. Em 2000, a população mundial era de 6 bilhões de pessoas. Em 2050 vamos atingir 9,3 bilhões, um aumento de mais de 50%, sendo que 1 bilhão estarão na linha da pobreza, passando fome ou na subnutrição. A maioria deste contingente estará na zona rural” explicou o palestrante.
Pierin foi convidado para proferir a Aula Magna deste ano para o Curso de Agronomia, que deveria ter ocorrido no início do ano. No entanto, só agora foi possível realizar a palestra, que aconteceu na noite desta quarta-feira (29), no Palácio de Cristal. Participaram da palestra alunos do 1º, 2º, 3º e 4º anos de Agronomia.
“Quem vai fazer a agricultura produzir mais? Serão vocês. Farão as transformações necessárias que estiver preparado, os agrônomos, zootecnistas, pesquisadores. Raramente as mudanças acontecem pelas mãos dos produtores. Eles detêm o capital, mas não necessariamente o conhecimento, salvo algumas exceções”, reforçou Pierin, que é diretor da Podium Alimentos, empresa que processa 400 toneladas de mandioca por dia e detém 25% do mercado nacional do amido especial para pão de queijo.
Falando sobre os desafios, o agroindustrial informou que atualmente um terço da produção de alimentos é perdida ou desperdiçada. “Nos países em desenvolvimento, em geral, o alimento se perde antes de chegar ao consumidor. Talvez um dos desafios seja desenvolver variedades mais resistentes para não apodrecer cedo”.
MANDIOCA – Empresário rural e urbano do setor mandioqueiro, representante da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP) e diretor da Associação Brasileira dos Produtores de Amido de Mandioca (ABAM), Pierin Júnior deu como tema a sua palestra “Mandioca – Alimento Nobre para o Desenvolvimento Econômico”.
Na palestra, lembrou que a indústria de alimentos utiliza os amidos como ingredientes básicos dos produtos ou como aditivos para melhorar a fabricação, a apresentação e a conservação dos produtos. Mas lamentou que a mandioca, um produto genuinamente brasileiro, ocupe somente 4,5% do mercado mundial de amidos. Citou, ainda, que um estudo, aponta que em média, a mandioca ocupa apenas 2% na dieta alimentar humana.
“Mas isto representa que temos muito a crescer”, disparou ele. “A mandioca emergiu como uma cultura polivalente para o século 21, que responde às prioridades dos países em desenvolvimento, às tendências da economia global e aos desafios das mudanças climáticas. Para vocês terem uma ideia, a mandioca foi eleita pela ONU como o alimento do século 21”, justificou.
O agroindustrial mostrou também o potencial econômico e nutricional da raiz. Apontou que a mandioca é alimento básico para 700 milhões de pessoas em 105 países; é um produto de segurança alimentar; fonte de fibra e isenta de glúten; cresce em solos pobres e resiste a períodos de secas; em comparação à batata possui maior quantidade de vitaminas A, B1, B2 e C; e possui o chamado “carboidrato do bem”, liberando a glicose mais lentamente para o corpo, facilitando a digestão e evitando picos de açúcar.
Pierin mostrou também que, em 1970, o Brasil produzia 30 milhões de toneladas de mandioca em raiz ao ano. Hoje, a produção é de 21,6 milhões de toneladas. Na contramão, a Tailândia que produzia 3,2 milhões de toneladas na mesma época hoje responde por 31,1milhões, sendo responsável por 11,3% da produção mundial, enquanto o Brasil detém 7,6% da produção global. “Detalhe: os tailandeses não conheciam a mandioca. Buscaram a rama no Brasil e hoje são os maiores produtores. O que nos falta? Pesquisa, apoio governamental, inovação. Precisamos de novas cabeças no setor”, defendeu ele.
Ao encerramento de sua palestra, Ivo Pierin apresentou um vídeo institucional de sua empresa e um segundo vídeo falando sobre o plantio direto na cultura da mandioca, uma técnica nova para o setor, mas que já começa a dar resultados. “Na nossa região, que é a maior produtora de mandioca para fins industriais, temos que cuidar com a sustentabilidade. O plantio convencional está acabando com os solos. A erosão está levando nossos solos para Itaipu”, alertou ele.

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