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REINALDO SILVA
Com 153 confirmações, o Noroeste do Paraná é a região que apresenta maior número de casos positivos de dengue. É também onde estão os dois municípios paranaenses em situação de epidemia, Inajá e Santa Isabel do Ivaí. Além disso, as classificações da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) apontam para o alto risco que as condições climáticas oferecem no sentido de favorecer a proliferação do Aedes aegypti, mosquito que transmite o vírus causador da doença.
De acordo com avaliação da 14ª Regional de Saúde, o cenário é preocupante. Existe uma série de fatores que podem levar outros municípios ao quadro de epidemia de dengue. Um dos principais problemas é o descarte irregular de lixo e outros resíduos sólidos em terrenos baldios e fundos de vale. Esses materiais servem como depósitos de ovos do inseto e facilitam a proliferação.
Os bebedouros de animais também requerem cuidados específicos. Pequenos ou grandes, precisam ser higienizados constantemente para a eliminação dos ovos de mosquito depositados na superfície. Podem ficar incubados por até um ano e eclodem sempre que entram em contato com a água. Da mesma forma, os reservatórios de água para uso doméstico precisam ser limpos e devidamente vedados.
Essas e outras tarefas diárias são de responsabilidade dos moradores. Já ao poder público, cabem as ações de conscientização sobre os riscos da dengue, os trabalhos de fiscalização e a punição daqueles que não agirem de acordo com o que determina a legislação. Tem, ainda, a obrigação de fazer a limpeza de espaços públicos e bocas de lobo, por exemplo.
CASOS DE DENGUE – Paranavaí é o município do Noroeste do Paraná com mais confirmações da doença, 47. Mas, proporcionalmente, a incidência de casos positivos é menor do que em outras cidades. Em Inajá e Santa Isabel do Ivaí, a proporção está acima de 300 casos para cada 100 mil habitantes, índice de epidemia. Em São Carlos do Ivaí, os números já se aproximam dessa mesma condição.
Segundo a 14ª Regional de Saúde, grande parte dos levantamentos de infestação por Aedes aegypti feitos nos municípios do Noroeste do Paraná apresentou baixos índices de focos de larvas do mosquito. O que poderia ser motivo para comemorações, no entanto, levanta outra preocupação: por causa do grande período de estiagem, os resultados podem dar a falsa sensação de que está tudo bem. E não está, exatamente pela grande quantidade de depósitos de ovos do mosquito.
OUTRAS DOENÇAS – Além do vírus da dengue, o Aedes aegypti pode transmitir chikungunya, zika e febre amarela. Em todo o Paraná já foram confirmados três casos de chikungunya, em Araucária, Foz do Iguaçu e Maringá. Outros três pacientes tiveram zika, todos em Foz do Iguaçu. 
A Regional de Saúde informou que os seis casos foram importados, ou seja, as pessoas contraíram as doenças fora do Paraná. Mesmo assim, a presença dos vírus indica o risco de disseminação de chikungunya e zika por todo o estado, principalmente nos municípios com altos índices de larvas e mosquitos.

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