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Novembro é considerado o Mês Internacional de Sensibilização para a Prematuridade (Novembro Roxo) e a data de 17 deste mês foi escolhido como o Dia Internacional da Prematuridade. O Objetivo é alertar para o crescente número de partos prematuros, como preveni-los e informar sobre as consequências do nascimento antecipado do bebê, para sua família e para a sociedade. A proposta é chamar a atenção dos governantes e formadores de opinião sobre a importância deste tema e para a necessidade de adoção de políticas públicas de prevenção e tratamentos modernos, adequados e humanos.
Em Paranavaí, a Santa Casa promoveu um evento para celebrar a data. No ato, a equipe do hospital procurou passar às mães de bebês prematuros, que ainda estão internados, um pouco de tranquilidade e esperança. Para isto convidou mães que já passaram pela experiência para dar seu testemunho às que estão passando por este momento. A iniciativa foi da equipe da UTI (Unidade de Terapia Intensiva) Neonatal da Santa Casa.
Segundo a pediatra Daniela Frazato Carvalho, chefe da Unidade, os casos de nascimento prematuros têm crescido nos últimos anos. Ela atribui o fato à decisão das mulheres em ter os filhos cada vez mais tarde. Mas o nascimento da criança antes do tempo não significa que ela terá problemas futuros. “Na grande maioria dos casos, a criança vai se restabelecer e ter o seu desenvolvimento normal”, diz ela.
NÚMEROS – A médica lembra que os óbitos ocorridos na UTI são causados mais pela má formação do que pela prematuridade. E os índices são baixos. Ano passado, a Santa Casa teve o menor índice de mortalidade infantil entre os hospitais paranaenses. Ela reforça que o pré-natal bem feito com as mães atendendo as orientações médicas podem ser a diferença entre o nascimento prematuro ou na época adequada.
Daniela Frazato lembra que a UTI Neonatal e Pediátrica da Santa Casa, com seus 10 leitos, é referência para toda a Amunpar e coleciona muitos casos de sucessos de crianças nascidas prematuramente. “Estamos realizando este evento para levar uma mensagem de esperança para as mães que estão com seus filhos prematuros na UTI. Estas mães já participam de encontros com enfermeiros e psicólogos a cada 15 dias. Mas desta vez, por conta do Novembro Roxo, elas vão ter um dia especial ouvindo testemunhos positivos”, disse a pediatra.
DUAS EXPERIÊNCIAS – Graciana de Oliveira Silva teve dois filhos prematuros. O primeiro, Mateus, nasceu com seis meses, pouco mais de 700 gramas, ficou na UTI Neonatal dois meses e meio e hoje está com sete anos; e o segundo, Felipe, nasceu aos sete meses, com 1,100 quilos e ficou um mês e uma semana na Unidade, agora está com dois anos e dez meses. “Foi um susto”, contou ela, quando do primeiro parto. “Parece que naquela época não se falava tanto em prematuridade e muitos achavam que eu tinha perdido o meu filho. Falavam: ‘você é nova, vai ter outro’ e eu respondia: ‘mas o meu filho está vivo, está se recuperando na UTI’. A gente não pode perder a fé em Deus e nesta equipe maravilhosa que me fazia um relato diário do que tinha acontecido. Às vezes, a criança não estava tão bem, a gente desanimava, mas logo vinha alguém da equipe e colocava a gente pra cima”, contou ela.
A mãe se lembra até hoje de uma técnica que usava quando caia em desespero. “Perto da entrada da UTI tem uma frase, ao lado de uma foto de uma criança, que diz mais ou menos assim: ninguém disse que seria fácil, apenas que valeria a pena. Essa frase sempre me acalmava. A gente tem que ter esperança, fé e confiar na equipe”, ensinou ela, junto com os filhos que vez por outra saiam de perto da mãe e corriam na sala do evento, denunciando que gozam de excelente saúde e que a prematuridade não deixou sequelas.
GRATIDÃO – Ao lado do marido, Devair Soares Fernandes, a professora Claudia Zauriso de Souza, também relatou o drama que viveu cinco anos atrás, com o nascimento da filha Lorena, com pouco mais de 24 semanas de gestação, pesando 825 gramas e que ficou 85 dias na UTI Neonatal da Santa Casa. “Eu tinha feito apenas duas consultas de pré-natal quando tive o bebê”, contou ela.
Como a maioria das mães que passam por esta angustiante experiência, ela também era tratada como se a criança não estivesse ou não fosse sobrevier. “Mas eu nunca duvidei da equipe da UTI. É uma equipe de anjos do bem sem asas”, disse ela, que num dos momentos mais emocionantes, revelou a sensação que sentiu quando viu, pele janela de vidro da UTI a sua filha no colo de uma fisioterapeuta: “Eu ainda não tinha pego minha filha no colo. E ela estava lá, no colo dela (fisioterapeuta) que a tratava como se fosse sua filha. Meu sentimento em relação a esta equipe é de gratidão, muita gratidão”, disse ela.
Na celebração ao Dia da Prematuridade, outras mães também deram seu testemunho, seguindo a mesma linha de esperança e gratidão. O evento foi realizado na manhã da última quinta-feira.

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